Datafolha mostra que rejeição a Dilma é o maior trunfo da oposição

No limite, não é possível afirmar com segurança que houve mudança no primeiro turno em relação ao último Datafolha, ao contrário do que houve com os cenários de segundo turno. Uma das interpretações possíveis ao atual cenário é que o sentimento "anti-Dilma", de rejeição à atual presidente, é mais forte que o sentimento de apoio a seus principais adversários. As intenções de voto em Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) continuam no mesmo patamar atingido no início de maio.
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Rejeição é a palavra-chave para entender a pesquisa Datafolha, divulgada na noite da última quinta-feira (17), que teve como destaque a melhora no cenário para a oposição no segundo turno.

Não obstante, nenhum dos candidatos da situação teve aumento da intenção de votos no primeiro turno, ao passo em que a presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu dois pontos percentuais – no limite da margem de erro.

Como salientamos mais de uma vez aqui no #épolítica, a margem de erro não é o remédio para todos os males das pesquisas eleitorais, mas certamente serve como principal baliza para a análise do levantamento em questão.

Isto quer dizer que o foco dessa análise não deve recair sobre a queda de Dilma no primeiro turno, já que não se pode afirmar com confiança que ela foi significativa, mas sim na sua queda nos cenários de segundo turno.

No limite, não é possível afirmar com segurança que houve mudança no primeiro turno em relação ao último Datafolha, ao contrário do que houve com os cenários de segundo turno.

Rejeição, em vez de preferência
Não seria razoável esperar por uma vitória de Dilma Rousseff (PT) ou de um opositor ainda no primeiro turno. Por mais que este cenário ainda seja factível, o histórico recente e a repetição de um quadro com mais de um oponente competitivo sugerem o contrário.

Ainda assim, a grande novidade desta semana se deu por conta do famoso "empate técnico" no segundo turno, quando se enfrentam Dilma Rousseff e Aécio Neves (PSDB).

Tomados isoladamente, Dilma e Aécio oscilaram no limite da margem de erro. Curiosamente, a combinação das duas oscilações fez com que - pela primeira vez - seja possível dizer que um empate é tão provável quanto uma vitória de Dilma Rousseff no segundo turno.

Fosse apenas esta a novidade e a oposição ainda deveria estar com as barbas de molho. No entanto, a inferência desfavorável a Dilma Rousseff é reforçada pela queda significativa da presidente contra Eduardo Campos (PSB), que também cresceu de modo significativo - ou seja, em magnitude superior à da margem de erro.

A diferença entre os que aprovam o atual governo (bom/ótimo, 32%) e os que rejeitam (ruim/péssimo 29%), continua ligeiramente positiva, embora tenha retomado a trajetória negativa verificada desde o início do ano, que havia sido abortada durante a Copa do Mundo.

Incumbente
Há alguns posts atrás, comentamos sobre a elevada rejeição de Dilma Rousseff e de como o cenário atual lembra, em alguns aspectos, mais o de 2002 que os das reeleições de Lula e FHC, em 2006 e 1998, respectivamente. 

Uma das interpretações possíveis ao atual cenário é que o sentimento “anti-Dilma”, de rejeição à atual presidente, é mais forte que o sentimento de apoio a seus principais adversários.

As intenções de voto em Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) continuam no mesmo patamar atingido no início de maio, algo explicado em parte pela baixa visibilidade de suas candidaturas em relação à de Dilma Rousseff.

No entanto, o Datafolha do início de julho já apresentava um aumento significativo do conhecimento dos oposicionistas, algo que só deve ter ficado mais forte nesta pesquisa.

Assim, as candidaturas oposicionistas – ganhando força no segundo turno, mas estagnadas no primeiro – mostram que Aécio Neves e Eduardo Campos têm dificuldade em ganhar a simpatia dos descontentes com Dilma Rousseff.

Preocupados cada vez mais em garantir qual deles irá ao segundo turno, não surpreenderá que Campos e Neves passem a aumentar suas divergências públicas, buscando atrair o sentimento anti-Dilma.

Será difícil, no entanto, mudar o jogo ainda no primeiro turno, considerando os reduzidos tempos de exposição a que os candidatos da oposição terão direito no horário eleitoral gratuito em rádio e TV.

Vítor Oliveira
#épolítica 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
eh.polit@gmail.com