Datafolha é positivo para Dilma Rousseff; nem mais, nem menos

Nada muda o fato de que as intenções de voto em Dilma Rousseff (PT) cresceram mais que a margem de erro - algo que não ocorreu com seus oponentes no mesmo período. Simples assim, embora tenha sido possível constatar alguns malabarismos analíticos, tentando transformar o crescimento de Dilma em algo negativo para sua candidatura. Esse alívio, contudo, não altera substancialmente o cenário mais provável de um segundo turno.
Blog por #épolítica  

A batalha pela interpretação da nova pesquisa Datafolha, sobre a corrida eleitoral pela presidência da república, começou antes mesmo da sua divulgação oficial, ocorrida na calada da noite da última quarta-feira (2).

No entanto, nada muda o fato de que as intenções de voto em Dilma Rousseff (PT) cresceram mais que a margem de erro – algo que não ocorreu com seus oponentes no mesmo período.

Simples assim, embora tenha sido possível constatar alguns malabarismos analíticos por aí, tentando transformar o crescimento de Dilma em algo negativo para sua candidatura.

Não adianta comparar com a pesquisa mais conveniente. Seria melhor se essa torcida, travestida de isenção, ficasse reservada para a Seleção.

Homem é homem, político é político e pesquisa é pesquisa...
A pesquisa mostra que a preferência dos eleitores por Dilma Rousseff subiu quatro pontos percentuais, em relação ao último levantamento do mesmo instituto, no cenário com múltiplos candidatos.

A baliza, com todos os seus problemas metodológicos, é a margem de erro de dois pontos percentuais, o que nos deixa seguros de que a candidata/presidente cresceu consistentemente na pesquisa Datafolha.

A notícia, portanto, é boa para a petista. Mas quão boa? Má notícia para Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB)? Aqui partimos para o terreno das hipóteses.

Boa notícia não é, para os opositores, mas se ressalte que esta é a fotografia de um momento favorável a Dilma, em que o humor do brasileiro com a Copa parece ter melhorado, ao passo em que o quadro de um mês atrás retratava exatamente o oposto.

De acordo com o Datafolha, a quantidade de eleitores favoráveis à Copa subiu de 51% para 63%. Esse alívio, contudo, não altera substancialmente o cenário mais provável de um segundo turno – o qual nem mesmo o popular Lula conseguiu evitar, em suas eleições.

Seleção é momento, eleição também
A trajetória de queda de Dilma Rousseff, iniciada ainda em meados de 2013, pode ter atingido o piso do que seria um voto “naturalmente” petista/lulista, caso algumas das ideias sobre o comportamento do eleitor brasileiro sejam verdadeiras – como a hipótese de André Singer sobre o realinhamento eleitoral e o lulismo, algo que certamente iremos comentar nos próximos textos.

Quando comparada com a pesquisa anterior, os dados recentes mostram que o crescimento da presidente – e mesmo a oscilação positiva de Aécio Neves e Eduardo Campos – ocorreu basicamente pela queda das categorias “Em Branco/Nulo/Nenhum” e “Não Sabe”, cuja soma passou de 30% para 24%.

Contudo, a comparação também pode ser feita em outros termos - a última vez em que Dilma obteve 38% das preferências, segundo o Datafolha, foi na pesquisa de abril deste ano. Naquele momento, Aécio Neves obteve 16% e Eduardo Campos, 10%. Agora, passaram a 20% e 9%, respectivamente.

Aécio > Eduardo
Mesmo diante do terreno reconquistado por Dilma Rousseff, a boa notícia para Aécio Neves é que seu crescimento nos últimos meses parece ter se consolidado. Seu lugar como principal nome da oposição é sólido, neste momento em que é dado o pontapé inicial das campanhas.

No entanto, a presidente parece tomar a dianteira no processo de conquista dos indecisos. Tudo isto, apenas um bando de ideias que devem ser confirmadas ou refutadas em função da nova leva de pesquisas eleitorais.

Resta saber se a queda no número de “Branco/Nulo/Não Sabe” se deve apenas a uma Copa melhor que o esperado, ou a outros fatores, como o aumento da exposição dos candidatos na mídia, com as definições dos apoios partidários e o aumento da cobertura eleitoral. Também é preciso questionar se o humor favorável da Copa tende a ser perene.

A resposta pode indicar a trajetória das pesquisas seguintes.

Vítor Oliveira
#épolítica 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
eh.polit@gmail.com