Manutenção da dianteira de Alckmin

Pesquisas no Estado não eram divulgadas desde novembro, e cenário trazido pelo Datafolha mostra que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se mantém na liderança com 44%, seguido pelo presidente licenciado da FIESP, Paulo Skaf (PMDB).
Blog por #épolítica  

Demorou, mas saiu pesquisa eleitoral para o governo de São Paulo - a última era de novembro. No sábado, o Datafolha soltou levantamento que mostra algo pouco esperado: a larga vantagem do governador Geraldo Alckmin foi mantida em relação aos seus adversários. De significativo em termos de oposição, apenas o presidente licenciado da FIESP, Paulo Skaf (PMDB), alavancado pela superexposição dos últimos anos na mídia.

Alexandre Padilha (PT), mesmo com suas caravanas pelo interior paulista, atualmente suspensas pela justiça eleitoral, não passa de três pontos. O primeiro cenário testado ainda traz Gilberto Kassab (PSD) que articula apoio, principalmente, a Alckmin ou a Skaf e tem problemas com a justiça, que recentemente cassou seus direitos políticos por problemas na administração da capital. Sem ele Alckmin amplia a vantagem.

O que podemos apreender de todo o cenário? Primeiro buscar entender como um partido que governa faz 20 anos um estado e um governador sem grandes marcas em sua atual gestão conseguem caminhar positivamente na margem de erro do levantamento, indo de 43% para 44%, em meio a uma crise no abastecimento de água, índices preocupantes de violência e problemas, no campo da corrupção, associados ao transporte metropolitano. Simples, vão dizer alguns: não existe oposição consistente e tampouco alternativas expressivas.

Além disso, o governo, a exemplo da mandatária federal, investe em grandes campanhas publicitárias. Mas há quem diga também que o eleitorado paulista é conservador, algo reforçado pela resistência ao PT e, assim, a despeito de possíveis mudanças, não encontraria alternativas dentro de seus limites pessoais. Nesse universo, Alckmin tem a aprovação de 41% dos eleitores (ótimo ou bom), e a reprovação de 18% (ruim ou péssimo) – números muito próximos daqueles de novembro.

Num cenário como esse fica mais fácil entender porque Skaf, que em 2010 teve apenas 4,5% dos votos válidos pelo PSB nas eleições para governador, e não fez campanha à época que o credenciasse a ser a “alternativa diferente”, desponte no novo levantamento com 21% - em novembro tinha 19%. Skaf é mais parecido com o status quo paulista, sem necessariamente ser o presente. Ao longo dos últimos anos utilizou-se fortemente do sistema S e da FIESP para estrelar campanhas publicitárias que oscilavam críticas e apoios a políticas federais, bem como buscava mostrar a força da indústria no campo de políticas públicas por meio de projetos sociais - que seriam mais eficientes que os implementados pelo Estado. Skaf, assim, é quem efetivamente se credencia nesse momento.

Mas e Padilha? E o PT? O desempenho atual, na casa dos 3%, não é diferente do que foi obtido em outrora. A pesquisa, no entanto, carrega consigo 26% de votos brancos, nulos e indecisos. Parte destes pode ser do eleitorado petista, órfão de um nome mais conhecido – Haddad nessa altura do campeonato, em 2012, tinha 8%, e nesse instante tende a ser afastado da campanha, uma vez que é mal avaliado como prefeito. Campanhas publicitárias buscam reverter o cenário na capital, diga-se de passagem.

Assim, é esperado que Padilha cresça no limite do que seu partido costuma ter – uma estrutura grande, com expressiva bancada de deputados e bom número de prefeitos. E nesse caso poderia disputar espaço com os players mais bem posicionados. Duas perguntas ficam para este final: haverá segundo turno? Lula seria uma alternativa para o PT? 

À primeira delas lembremos que em agosto de 2010 Alckmin oscilava entre 50% e 54% em diferentes institutos, e parece cedo demais para qualquer diagnóstico desse tipo. Em 2006 e 2010 não houve segunda rodada. Com relação a outra pergunta, parece improvável dizer que Lula deixaria de correr o Brasil para reeleger sua sucessora, um desafio visto como complexo e mais estratégico pelo PT.

Humberto Dantas
#épolítica 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Deixe seu comentário

Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
eh.polit@gmail.com