Datafolha favorece Aécio Neves, mas não a oposição como um todo

Com a derrapada significativa de quatro pontos percentuais, o ex-governador de Pernambuco viu sua candidatura enfraquecida, em trajetória que o coloca cada vez mais na condição a qual sempre foi favorito: a de terceira força.
Blog por #épolítica  

Se alguém perdeu com a pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (06) foi, sem grandes dúvidas, Eduardo Campos (PSB). De um modo geral, a pesquisa parece ter sido favorável ao candidato do PSDB, mas não necessariamente à oposição como um todo.

Com a derrapada significativa de quatro pontos percentuais (p.p.), para 7% das intenções de voto, o ex-governador de Pernambuco viu sua candidatura enfraquecida, em trajetória que o coloca cada vez mais na condição a qual sempre foi favorito: a de terceira força.

Desde 1994, PT e PSDB têm sido protagonistas nas disputas à presidência, convivendo a cada quatro anos com uma terceira força instável, incapaz de permanecer na disputa ao longo do tempo, conforme mostra a tabela abaixo.

Eleições Presidenciais - 1994-2010 (Votos Válidos,%)
Ano PT PSDB 3o Lugar Partido
*Fonte: Limongi, Fernando, & Cortez, Rafael. (2010). As eleições de 2010 e o quadro partidário. Novos Estudos - CEBRAP, (88), 21-37
1994 27,0 54,3 16,5 PRONA
1998 31,8 53,1 7,4 PPS
2002 46,4 23,2 17,9 PSB
2006 48,6 41,6 6,8 PSOL
2010 46,9 32,6 19,3 PV

Embora Campos esteja longe de ser carta fora do baralho, a pesquisa traz um alerta importante ao candidato, já que se encontra empatado com o Pastor Everaldo Pereira (PSC), caso seja considerado o intervalo de confiança.

Também está praticamente empatado com Aécio Neves entre os eleitores nordestinos. Não é fácil ser novo entrante no duopólio eleitoral brasileiro.

Queda Controlada
Por outro lado, Dilma Rousseff (PT) parece ter motivos para comemorar, ainda que tenha caído também de modo significativo nesta pesquisa – perda de 3 p.p., frente a uma margem de erro de 2 p.p. –, chegando a 34% das preferências dos eleitores entrevistados.

A trajetória de crescimento de sua taxa de rejeição foi interrompida, estacionando em 35%. Nada mal para quem ocupa a Presidência, embora este aspecto positivo possa ser relativizado, dada a queda da rejeição aos opositores para 29%.

Também foi estacado o crescimento da avaliação negativa (Ruim/Péssimo) de seu governo, que subiu dois pontos percentuais para 28%, no limite da margem de erro.

Indecisão
Aécio Neves (PSDB) manteve-se no segundo lugar e pode ser apontado como o maior beneficiário desta nova pesquisa. Não apenas viu sua distância frente à líder diminuir, como também se consolidou como o principal nome de oposição, ao cair de 20% para 19% das intenções de voto.

Chamou a atenção dos pesquisadores o crescimento do número de indecisos, de 8% para 13%. Será preciso aguardar novas pesquisas para entender o real significado desses eleitores que “não sabem” em quem votar – parece cedo demais atribuir isto à falta de opções satisfatórias.

Não obstante, estes indecisos parecem ser fruto da perda de votos de Dilma Rousseff e Eduardo Campos, já que não se pode afirmar com segurança que houve queda na intenção de votos em Aécio Neves.

Aparentemente, o eleitor resolveu esperar pela campanha para tomar decisões, mas esse eleitor que ficou indeciso foi majoritariamente aquele que votava em Dilma ou em Campos.

Assim, temos o seguinte cenário: Dilma 34%, Aécio 19% e Campos 7%, configurando um segundo turno. Somando a intenção de voto nos candidatos restantes, temos 43% para a oposição e 34% para a Presidente.

A vantagem de Dilma é ainda calcada na região Nordeste, tendo diminuído consideravelmente no Sudeste.

Vítor Oliveira
Leandro Consentino
#épolítica 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
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