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Pedro Menezes

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Temer foi melhor do que apontam os críticos; veja os dados

O desempenho da economia brasileira, tanto no mercado de trabalho quanto no crescimento do PIB, foi muito melhor do que apontam os críticos. Olhar apenas para os valores absolutos pode levar a conclusões enganosas. Se adotarmos uma base de comparação justa, Temer foi melhor que o esperado no front do crescimento econômico e tem bons resultados a apresentar na geração de empregos formais.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Michel Temer
( Antonio Cruz/ Agência Brasil)

O ex-presidente Michel Temer vem sendo severamente criticado pela alta taxa de desemprego que entrega a Bolsonaro.

Em novembro, eram mais de 12 milhões procurando trabalho, sem encontrar. Mas não é culpa de Temer. Os críticos estão sendo injustos com ele.

Ao analisar o desempenho do mercado de trabalho sob Temer, a maioria pensa no gráfico abaixo: a taxa de desemprego subiu na comparação com o período do impeachment.

Temer recebeu um país com taxa de desemprego em 11,2%. Em novembro de 2016, esse número chegou a 11,6 ou 0,4 pontos percentuais a mais.

Felizmente para Temer, essa comparação é injusta e enganosa. Falta algo essencial: uma referência para a comparação. Ou um benchmark, no anglicismo do economês.

No front do PIB, vale o mesmo raciocínio. Todos veem que o crescimento foi baixo, com forte recessão em 2016 e recuperação lenta em 2017 e 2018. Mas, novamente, falta uma base para avaliar esses números.

É justamente isso que pretendo fazer nesse texto: avaliar Temer sem olhar apenas para números crus. O resultado é bastante positivo para o emedebista. Enquanto muitos cantam seu fracasso, ele entrega um país certamente melhor do que recebeu, tanto no mercado de trabalho quanto no crescimento do PIB.

Crescimento do PIB foi melhor que o esperado em maio de 2016, quando Temer assumiu

Com o que podemos comparar o crescimento do PIB durante o governo Temer?

Quando ele assumiu, a crise estava em estágio avançado. É essencial levar isso em conta para que a comparação não seja injusta. Seria impossível reverter, no mesmo ano em que ele assumiu o governo, uma recessão que já era estimada em quase -4% do PIB.

É possível saber disso por conta de um levantamento regular do Banco Central, o Boletim Focus, que pergunta a especialistas do setor privado o que eles esperam que aconteça com a economia. Todo macroeconomista lida frequententemente com os números do Focus.

A referência que escolhi foram as taxas de crescimento previstas para o período 2016-2020 no último Focus antes do afastamento de Dilma, em maio de 2016. Já sabemos como andou o crescimento em 2016 e 2017. Para 2018 a 2020, considerei as últimas previsões do Focus  esse ano, divulgadas em 28 de dezembro de 2018.

O crescimento de 2016 e 2017 superou as expectativas na época do impeachment. Para 2018, espera-se um crescimento pouco menor do que o projetado quando Temer assumiu. A maior diferença se dá em 2019 e 2020, quando as expectativas já são significativamente melhores. Em dezembro de 2018, espera-se um robusto crescimento de 2,5% em 2020, contra 2% (ou metade) que era projetado em maio de 2016.

Ou seja, o Brasil que Temer entrega está significativamente melhor do que o esperado quando ele assumiu.

É importante ressaltar, porém, que o resultado do PIB do primeiro trimestre de 2016, divulgado em junho, superou a expectativa dos analistas em meio ponto percentual. Por isso, a discrepância não se deve inteiramente a Temer. É importante ressaltar este ponto, pois mostra que esse exercício de comparação não implica numa relação de causalidade.

Certamente não foi Temer, por si só, que causou a melhora. Mas o desempenho efetivo do Brasil sob seu comando foi superior ao esperado.

A taxa de desemprego passou a crescer cada vez menos desde o impeachment e, no fim de 2017, começou a cair

A análise da taxa de desemprego (percentual de brasileiros que procura ocupação, mas não encontra) também precisa de uma referência. Há dois problemas em olhar para os números crus: é mais difícil analisar o contexto e perde-se informação sobre a sazonalidade dos dados – ou os fenômenos específicos de cada mês.

Dezembros são diferentes de julhos que são diferentes de janeiros. O natal aumenta a oferta de empregos no comércio, por exemplo. Escrevi sobre esse fenômeno em outros textos desse blog.

Uma forma de eliminar os dois problemas é comparar as taxas com o mesmo período do ano anterior. Confrontando dezembros com dezembros e janeiros com janeiros, levamos em conta tanto o estado da economia quanto a sazonalidade.

Houve uma melhoria contínua no desempenho da taxa de desocupação. O aumento absoluto, mostrado no primeiro gráfico, se deve especialmente ao fato dele ter pego a economia em franca piora do mercado de trabalho. Ainda assim, vale notar que a taxa rapidamente passou a crescer menos, até cair pouco tempo depois.

De todos os números que apresento nesse texto, a taxa de desocupação conforme a PNAD Contínua é o menos favorável para Temer. Ao longo do ano, a queda do desemprego se estabilizou em cerca de meio ponto percentual.

Uma queda de meio ponto percentual a cada 12 meses faria o Brasil demorar mais de 10 anos para voltar ao pleno emprego. Não é o que a gente quer pro nosso país.

Ainda há muito a se fazer para reduzir as incertezas nos próximos anos e acelerar essa trajetória de queda. Boa parte desse muito se resume a uma dura reforma da previdência, sem a qual as contas do governo permanecerão descontroladas.

A geração de empregos formais praticamente voltou ao nível pré-crise

Muitos apontam que a queda recente da taxa de desemprego só é vista no mercado informal. Em alguns meses, o resultado da PNAD de fato apontou esse problema. Mas há uma fonte melhor para avaliar o mercado formal: os resultados do CAGED.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados é uma base de dados do Ministério do Trabalho que inclui todos os trabalhadores com carteira assinada no país.

O resultado é semelhante aos anteriormente apresentados da PNAD Contínua – uma pesquisa amostral do IBGE, que não inclui todos os trabalhadores e, portanto, representa estimativas ao invés de valores exatos.

O desempenho do mercado de trabalho formal começou a melhorar pouco depois do impeachment. Em 2018, os resultados foram especialmente bons. O período de janeiro a novembro (os resultados de dezembro ainda não saíram) foi o melhor em 5 anos.

É claro que esses números não apontam uma inferência causal: seria irresponsável escrever que Temer causou toda essa melhora. Por outro lado, são ferramentas de comparação muito melhores do que as usualmente utilizadas pela população.

Críticos de Temer costumam apontar também os casos de corrupção nos quais o presidente está envolvido. Não pretendo entrar nesta seara e reconheço que há bons motivos para ter um pé atrás com o ex-presidente.

De todo modo, os indicadores mostram um desempenho bem melhor do que se diz. Sem aprovar a reforma da previdência, Temer não entregou o trabalho completo. Mas entregou um trabalho acima do razoável, dadas as condições políticas e econômicas que encontrou quando passou a ocupar o Planalto.

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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

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Pedro Menezes

Pedro Menezes é fundador e editor do Instituto Mercado Popular, um grupo de pesquisadores focado em políticas públicas e desigualdade social.

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