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Ludwig von Mises: as principais ideias de um dos expoentes do liberalismo em seis lições

Neste artigo, resumimos a incrível obra "As Seis Lições" que reúne as palestras ministradas, em 1959, por Ludwig von Mises na Universidade de Buenos Aires

Ludwig von Mises
(Wikimedia Commons)

O objetivo de alguns dos nossos artigos é levar ao público a obra de alguns liberais que não nos ensinam nas escolas. Estranhamente nos ensinam Marx, Engels, Celso Furtado – pensadores que colocam o estado como motor do desenvolvimento - mas pouco se fala de autores como Ludwig Von Mises, Friedrich Hayek, Roberto Campos. Estes últimos dando importância ao papel dos mercados do capitalismo e da liberdade como fonte de progresso.

Neste artigo, resumimos a incrível obra “As Seis Lições” que reúne as palestras ministradas, em 1959, por Ludwig von Mises na Universidade de Buenos Aires. O autor discute com clareza o capitalismo, o socialismo, o intervencionismo, a inflação, o investimento estrangeiro e as relações entre política e ideias.

Por Vítor Baqueiro, CFP. Administrador de Empresas pela UFRJ e associado do Insituto de Formação de Líderes.

Muitas vezes o liberalismo é defendido com conceitos abstratos e distantes do grande público. Por outro lado, as ideias ditas de esquerda ainda que ilusórias são de fáceis e parecem encantar o grande público. Algumas sociedades parecem mais abertas ao liberalismo do que outras, por isso cabem àqueles que o defende aproximar as pessoas dos resultados práticos desse modelo, que pode parecer frio e egoísta, mas que justamente por valorizar o indivíduo consegue lhe oferecer as garantias de uma vida melhor.

Felizmente Mises foi bem-sucedido e nessa coletânea de 6 palestras ele não se deixa levar pelos detalhes e foca somente no essencial: mostrar que o progresso da humanidade passa por respeitar ao máximo as liberdades.

O autor seguiu uma linha lógica em suas lições, primeiro confrontando o capitalismo e o socialismo, depois discorrendo sobre o intervencionismo e sua filha direta, a inflação . Na quinta lição sobre o investimento externo, ele adota um tom otimista e chama de “o maior acontecimento histórico do século XIX”. Por último ele discorre sobre políticas e ideias, jogando luz sobre o poder dos grupos de pressão em manipular os governos em seu favor.

O capitalismo moderno teve suas bases lançadas na Revolução Gloriosa inglesa de 1688, que garantiu às liberdades individuais e de propriedade ante o poder absoluto. Neste ambiente floresceu anos mais tarde a Revolução industrial permitindo ganhos de produtividade e riqueza que fizeram a população da Inglaterra dobrar entre 1760 e 1830.

Muitos relembrarão as condições que hoje nos parecem exploratórias: turnos de 16 horas, trabalho infantil, salários baixos, sem dúvidas são chocantes aos olhos de hoje, mas Mises em uma análise mais profunda, e respeitando o zeitgest da época nos mostra de que de fato o capitalismo nos seus primórdios era cruel, mas o que existia antes dele era muito pior.

As mães corriam às fábricas porque sem seus salários seus filhos morreriam de fome. Pais e filhos trabalhavam lado a lado porque essa era a única forma de se ter alguma dignidade e se afastar das agruras da vida de servidão nos campos. Uma verdade inconveniente que os socialistas parecem ter esquecido.

O capitalismo evoluiu e os trabalhadores hoje são também os clientes das empresas, e estas devem sempre servi-los pra que possam existir. Mises não explora essa parte, mas também podem eles podem ser donos da uma parte de qualquer empresa listada em bolsa.

A renda excedente das pessoas move a economia, elas delegam aos agentes de mercado que busque investimentos em troca de uma valorização pelo risco assumido, esse circulo virtuoso beneficiará primeiramente outros trabalhadores, empresários, o governo e somente ao final o investidor.

O Estado deverá ter papel limitado nesse processo e deixar que a livre iniciativa das pessoas regule o mercado sem distorções. Esta premissa é tudo o que não ocorre em sociedades que adotam o socialismo e políticas de esquerda, onde aquele tem papel central na vida dos indivíduos e a liberdade é sacrificada em nomes da pseudo busca pela igualdade social. Ao interferir na vida das pessoas e dos mercados, os governos destroem os incentivos aos resultados e ganhos de eficiência, o que ao longo do tempo acaba por destruir a economia, isolando o país e tornando a todos igualmente pobres e cada vez mais submissos aos seus governantes.

Os exemplos são fartos e a realidade se impõe ao discurso sedutor do socialismo, mesmo assim muitos ainda acreditam que é possível alcançar o progresso com um estado grande e centralizador, mas quando isso acontece os governos submetem as empresas aos interesses políticos e não mais à logica econômica.

No emblemático exemplo da interferência estatal no preço dos ovos, Mises ilustra uma situação, que no início é ruim, mas que rapidamente piora com a intervenção estatal: ovos caros, passam artificialmente a ovos baratos e com aumento da demanda e nenhum estímulo à oferta, acaba por se transformar em total escassez.
Se por um lado as sociedades têm muito o que fazer na defesa das liberdades e do capitalismo, por outro muito se avançou no combate à inflação, outra consequência do descontrole estatal. O autor é enfático de que a inflação é apenas um fenômeno da economia, tal qual a gravidade na física e que deve ser combatida com políticas que antes de tudo protejam o valor da moeda.

Aumentar os meios de pagamento como forma de gerar riqueza e emprego se mostrou desastroso pras nações em geral, e como se provou posteriormente ainda mais punitivo aos pobres, já que estes não dispõem de recursos pra se defender da corrida de preços. Todo brasileiro com mais de 30 anos sabe bem os efeitos nefastos da inflação, mas sem dúvida o caso mais emblemático se deu na Alemanha. O então governo da república de Weimar não poupou as máquinas de impressão pra recuperar a economia de um país endividado e empobrecido no pós-guerra.

Essa distorção ficava evidente no dia a dia das pessoas que cada vez confiavam menos no governo, mas este não hesitava em inflacionar a moeda. A situação colapsou de tal forma que em 1914 um dólar valia 4 marcos, apenas 9 anos depois o mesmo dólar valia inacreditáveis 4,2 trilhões de marcos. Famílias preferiam literalmente queimar dinheiro a comprar carvão e madeira no inverno. Crianças brincavam com montanhas de notas que passaram a não valer mais nada.
A economia colapsou e o desalento das pessoas ganhou ouvidos em grupos extremistas, cujos resultados se mostraram ainda mais catastróficos.

Se por um lado o estado intervencionista leva sua economia à inflação, o investimento estrangeiro propicia uma aceleração no seu desenvolvimento. Sabe-se que a revolução industrial deu a dianteira do tabuleiro global pra Inglaterra, que se tornou a nação hegemônica na época. Na busca de novos mercados os ingleses espalharam seus investimentos pela Europa e por suas colônias, dividindo seu progresso com outros povos em troca de lucro pelo seu risco.

Os recursos das companhias multinacionais proporcionaram o florescimento do capitalismo em outras nações encurtando a diferença em relação aos progressos já atingidos por ingleses. Em especial na Alemanha, norte da Itália, regiões da França e países baixos houve uma rápida industrialização, que em alguns casos avançava mais rápido do que na própria Inglaterra.

Mises sintetiza essa situação: “Quanto maior for a disponibilidade de capital, ou seja, quanto maior o investimento per capita maior serão os resultados advindos do trabalhador, aumentando o valor agregado e possibilitando maiores salários. Um empresário não pode pagar a um trabalhador mais que a soma adicionada pelo trabalho desse empregado ao valor do produto. Não lhe pode pagar mais que aquilo que os clientes se dispõem a pagar pelo trabalho adicional desse trabalhador individual.”

O capital pra investimento ainda que seja crucial, muitas vezes está concentrado nos países desenvolvidos, por isso os povos devem estimular os estrangeiros em busca de oportunidades a gerar riquezas aplicando seus recursos, no entanto devem garantir-lhes os direitos do capitalismo moderno.

Ao final encontra-se o pilar política e ideias vital pra que se ponha em prática as demais lições. A defesa das liberdades se dá no tabuleiro político, e como se viu muitas vezes estes conceitos ferirão de morte grupos de pressão, que vivem dos privilégios do sistema distorcido. Os campões nacionais se beneficiam de um mercado artificialmente obstruído, mas todos os outros pagam a conta.

Em resumo, ao querer que o Estado distribua em demasia benesses e direitos, a sociedade permite que este a avance cada vez mais sobre aqueles que produzem desestimulando a geração de riquezas e de emprego.

Lições difíceis de serem compreendidas do grande público, e por isso a enorme importância de que as vozes que defendem as liberdades falem cada vez mais alto, e cada vez mais claro para as pessoas, tal qual Mises em seus ensinamentos.

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