Como usar a regra dos 50-15-35 para sair das dívidas?

Descubra um passo-a-passo bastante efetivo para você sair, de uma vez por todas, da bola de neve das dívidas
Blog por Thiago Alvarez  

A regra dos 50-15-35 é uma boa referência para descobrir se você está distribuindo bem a sua renda entre suas principais necessidades: pagar as contas, curtir a vida e se planejar para o futuro. Concordo com você que equilibrar esses três pratos já é desafiador o suficiente, mas sua vida financeira pode ficar um pouco mais complicada quando, além disso, você também precisa administrar dívidas.

A boa notícia é que a própria regra dos 50-15-35 (clique aqui para conhecê-la) também pode te ajudar nessa tarefa. Essa regra consiste em dividir sua renda da seguinte forma:

  • 50% para os gastos essenciais (moradia, transporte, alimentação, saúde e educação);
  • 15% para prioridades financeiras (poupar e pagar dívidas); e
  • 35% para despesas relacionadas a estilo de vida (diversão e hobbies). 

 

Quando você está endividado, entretanto, é necessário mudar um pouco a configuração das prioridades financeiras, já que a meta número um de quem tem dívidas deve ser sempre quitá-las. A lógica para isso é simples: guardando dinheiro na poupança, por exemplo, você receberá juros de 6% ao ano, ao passo que, passando o mês no cheque especial, você pagará no mínimo 43% ao ano.

Isso se tiver conta na instituição financeira que cobra a menor taxa do mercado. Dados do Banco Central mostram que os juros cobrados de quem fica com a conta no vermelho podem passar de 300% ao ano, dependendo do banco. Isso mostra não vale a pena guardar dinheiro enquanto você está pagando juros tão altos.

Confira agora um passo-a-passo para sair das dívidas com ajuda da regra dos 50-15-35:

1º passo: Organize suas contas

A primeira coisa que você deve fazer é: colocar o pagamento das dívidas na categoria de prioridades financeiras. O problema é que, dependendo do seu nível de endividamento, 15% da renda podem não ser suficientes para cobrir todas as parcelas. E aí? Como sair dessa?

Nesse caso, meu conselho é: reduza temporariamente a participação das outras duas categorias (gastos essenciais e estilo de vida). Na prática, isso significa cortar gastos e o melhor lugar para começar a economia são nas despesas ligadas a estilo de vida, já que elas não são essenciais para o nosso sustento.

Há um grande potencial de economia para as despesas ligadas a bares e restaurantes, baladas, salão de beleza, academia e hobbies. Para ajudar nesse processo, confira aqui 50 dicas de economia para serem aplicadas no seu dia-a-dia e lembre que esse corte de custos será temporário até que você consiga reorganizar sua situação financeira.

Se, ainda assim, o corte de custos não for suficiente, você deve analisar também seus gastos essenciais. Apesar de haver menor margem de economia, não se esqueça que é sempre possível gastar menos no supermercado, no celular e na conta de luz.

O GuiaBolso (conheça aqui nosso aplicativo de controle financeiro automático) pode ajudar nesse processo de corte de custos. A ferramenta permite criar um planejamento mensal, em que você institui uma meta de gastos para cada uma de suas despesas. Feito isso, ele te ajuda a acompanhar seu desempenho em tempo real para que você não precise esperar até o final do mês, quando já é tarde demais, para perceber que estourou o orçamento.

2º passo: Mapeie suas dívidas

Com as contas ajustadas, é hora de fazer um levantamento minucioso de todas as suas dívidas para descobrir exatamente quanto você deve. Para isso, entre em contato com cada um dos seus credores e pergunte qual o valor para quitar o empréstimo à vista.

3º passo: Renegocie

 Com base no valor total das dívidas que você levantou e no espaço que você conseguiu abrir no seu orçamento mensal, é hora de montar um quebra-cabeça. Começando pelas dívidas de juros maiores (cheque especial e cartão de crédito por exemplo), elabore contrapropostas para renegociação, estendendo o prazo para pagamento e reduzindo os juros cobrados. A Calculadora do Cidadão do Banco Central pode te ajudar a fazer as contas.

 A dica para aumentar a chance da sua renegociação ser aceita é fazer propostas realistas: o primeiro passo para isso é fazer as contas a partir do valor para quitação da dívida à vista (do qual já podem ser descontados juros e eventuais multas). Imagine que você está emprestando hoje esse valor. Quanto de juros você pode pagar? Quantas parcelas serão necessárias para chegar a um valor que caiba no seu orçamento?

 Apesar de também ser interesse dos credores receber dívidas atrasadas, não se esqueça que eles não têm obrigação nenhuma de aceitar sua contraproposta. Minha dica nesse caso é manter contato periódico com eles (muitos, inclusive, possuem uma área exclusiva de renegociação de dívidas), argumentando que suas condições financeiras só permitem o pagamento de determinado valor por mês.

 Outra ação interessante é, mesmo que eles não aceitem sua contraproposta, começar a guardar o valor que você pode pagar na poupança. Dessa forma, você estará construindo uma reserva financeira que poderá ser usada no futuro para quitar essa dívida à vista. A chance de conseguir descontos com essa forma de pagamento é muito maior.

 4º passo: Construa uma reserva de emergência

 Quando você conseguir reorganizar sua situação financeira, a dica é se proteger para não cair novamente nessa armadilha. Depois de tanto esforço, tenho certeza de que você nunca mais vai querer ficar devendo novamente, já que já sabe muito bem os esforços necessários para conseguir colocar as finanças em ordem novamente.

 No mês seguinte em que pagar a última parcela da sua dívida, coloque a construção de uma reserva de emergência como sua nova prioridade financeira. Voltando à regra dos 50-15-35, se você conseguir poupar 15% da renda todos os meses, conseguirá acumular três salários (o valor mínimo indicado para a reserva) em menos de dois anos.

 Essa é a melhor forma de se proteger das adversidades da vida. Com esse colchão financeiro, você nunca mais precisará ficar refém do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial. Pense nisso!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É fundador do GuiaBolso.com, um site de controle financeiro automático e gratuito. Foi consultor da McKinsey & Company. thiago@guiabolso.com.br