Você sabe quanto ganha? Eu acho que não...

Estudo recente do GuiaBolso mostrou que brasileiro pensa que ganha mais do que ganha na verdade. Descubra como não cair nesse erro.
Blog por Thiago Alvarez  

Você acordou, olhou para o espelho e prometeu para você mesmo, mais uma vez, que deste mês não passa: você vai colocar seu orçamento em ordem. Aí começa a pensar onde é possível economizar: o café depois do almoço, o restaurante caro do fim de semana, a conta de luz, a tarifa bancária. Afinal, todos esses gastos podem ser reduzidos e, apesar de serem pequenos, têm um impacto significativo no orçamento, certo?

Mais ou menos. Olhar para os pequenos gastos é importante, mas vale refletir se você não está tão preocupado em matar as formigas que acaba deixando o elefante passar. Explico: quando você quer guardar dinheiro, qualquer economia é bem-vinda, mas o principal obstáculo para a sua meta são os grandes gastos.

A lógica é a mesma quando falamos da renda. Não adianta quebrar a cabeça para fazer seus gastos mensais caberem no seu salário se você não sabe exatamente quanto ganha. Em um levantamento recente, descobrimos um comportamento bastante curioso entre pessoas de diferentes faixas de renda: o brasileiro pensa que ganha mais do que ganha na verdade.

Percebemos isso ao notar que, na hora em que estão fazendo seu planejamento mensal no GuiaBolso, muitas pessoas preenchem o campo da renda com um valor maior do que o que entra na conta de fato no dia do pagamento. Quem recebe entre R$ 1.000 e R$ 4.000 insere um valor em média 18% maior do que o real, enquanto quem ganha entre R$ 4.000 e R$ 10.000 preenche um valor 16% mais alto.

Mais curioso ainda é pensar em quais seriam as hipóteses para o brasileiro superestimar sua renda. Temos duas, dependendo do tipo de emprego da pessoa:

1. Assalariados consideram o valor bruto da renda:

Você sabe quanto ganha por mês? Mas o quanto ganha de verdade: o valor líquido, descontados todos os impostos e benefícios? A dica aqui é checar o holerite e começar a considerar o valor real do seu salário, depois de descontados os impostos e benefícios.

Vale também atentar se o valor que você está olhando não inclui reembolsos que não se repetirão nos próximos meses (viagens, táxi, almoço com clientes). 

2Autônomos se planejam pensando nos meses em que ganharam mais: 

Para quem tem a renda variável fica realmente um pouco mais difícil acertar o valor na hora de planejar a renda no início do mês. Uma dica para ajudar a diminuir a chance de erro é considerar a renda média dos últimos 12 meses e tirar 20%.

Se sua renda varia muito, pode considerar como padrão os meses que costuma ganhar menos. Além disso, o ideal seria sempre formar uma reserva financeira para até 3 meses. Assim você nunca precisa recorrer ao cheque especial para cobrir imprevistos.

Gastos altos recorrentes: mais um elefante

Outro fator relevante que deve ser considerado na hora em que você vai rever suas finanças são os gastos recorrentes e altos. Entram nessa categoria três grandes itens: o financiamento imobiliário, o financiamento de veículo e o cartão de crédito.

Os financiamentos de bens ainda têm taxas elevadas no Brasil e isso significa que ao comprar um veículo financiado, ao final de 4 anos você provavelmente poderia ter comprado dois carros. O mesmo acontece com o financiamento imobiliário. É muito importante considerar o valor da parcela e não extrapolar sua capacidade de pagamento (levando em consideração o valor correto do seu salário). Se você já contraiu um desses financiamentos e está com problemas para pagá-lo, pode tentar recorrer a uma renegociação.

Como você usa o cartão de crédito? O valor da fatura cabe na sua renda ou todo mês você é obrigado a usar o cartão de novo porque o dinheiro da conta acabou antes do próximo salário?

Se você se identificou com alguma dessas situações, não se desespere. Com algumas mudanças de hábito, e um melhor controle financeiro você pode mudar a forma como andam suas finanças. No post da próxima segunda, vou trazer dicas de como usar o cartão de crédito e o cheque especial com inteligência. Até lá!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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