70% dos americanos erram essas 3 perguntas sobre finanças. A 3ª então...

Um recente estudo compilou as respostas a três perguntas feitas sobre conceitos básicos de finanças: juros, inflação e diversificação. Essas perguntas foram feitas para populações de diversos países e os resultados são consistentes: poucas pessoas sabem de finanças. O que podemos fazer para melhorar isso?
Blog por Thiago Alvarez  

Você entende de finanças? Como você responderia as três perguntas abaixo?

1. Suponha que você tenha R$100 numa conta de investimento e a taxa de juros do seu investimento seja de 2% ao ano. Depois de cinco anos, quanto dinheiro você teria se deixasse o dinheiro rendendo na conta? A) Mais que R$102; B) Exatamente R$102; C) Menos que R$102; D) Não sei.

2. Imagine que seu dinheiro esteja numa conta rendendo 1% ao ano e a inflação seja de 2% ao ano. Depois de um ano, você conseguiria comprar: A) Mais que hoje; B) Exatamente o que você tem hoje; C) Menos que hoje; D) Não sei.

3. Você acha que a afirmação abaixo é falsa ou verdadeira? “Comprar ações de apenas uma empresa, em geral, dá um retorno mais seguro do que o de um fundo de ações.” A) Verdadeira; B) Falsa; C) Não sei.

Um recente estudo publicado por Annamaria Lusardi e Olivia Mitchell compilou as respostas a essas três perguntas feitas em diversos países. Apesar de haver diferenças entre as várias nações, os resultados foram muito ruins. Enquanto na Rússia apenas 4% conseguiram acertar as três perguntas, o índice de acerto é de 53% e 50% para Alemanha e Suíça, respectivamente. Nos Estados Unidos, apenas 30% acertaram todas questões.

Essas três perguntas foram cuidadosamente escolhidas devido sua simplicidade e por englobarem três conceitos importantes para quem quer planejar seu futuro: taxa de juros, efeito inflacionário e diversificação de investimentos. Lusardi e Mitchell também simularam o impacto que um aumento na educação financeira pode trazer. Para quem tem ensino superior, dominar esses conceitos acarreta um aumento de 56% em seu patrimônio e, para quem não tem ensino superior, o crescimento chega a 82%.

Vocês acham que no Brasil a situação é diferente? Apesar de essa pesquisa não ter sido feita em terras tupiniquins, não consigo imaginar porque aqui seria muito melhor. Pensando alto, consigo idealizar três áreas para melhorar o problema de educação financeira:

  • Incorporar elementos de educação financeira no ensino formal: já temos iniciativas interessantes como o ENEFE (Estratégia Nacional de Educação Financeira), que já fez alguns pilotos em escolas de ensino médio e está em etapa de expansão desse programa. Também existem algumas escolas particulares que estão começando a adotar esse tema em seus currículos.
  • Facilitar o processo de escolha das pessoas: o grau de complexidade dos produtos financeiros vem aumentando cada vez mais e é uma tendência internacional. Isso exige uma sofisticação cada vez maior das pessoas para lidarem com essa situação. Quantos sabem a diferença do PGBL para VGBL ou LCA para LCI etc? Simplificar a apresentação dessas escolhas para as pessoas ajudaria muito. Pensem na usabilidade da Apple aplicada para produtos financeiros!
  • Assessorar a gestão financeira das pessoas: muita gente precisa de ajuda na gestão financeira. Alguns conseguem pagar por profissionais especializados (ex: CFPs), mas nem todo mundo tem isso à disposição. Alguns sites surgiram para ajudar em algumas escolhas e na própria gestão financeira. Essa tem sido, inclusive, a missão do GuiaBolso.com. Recentemente conduzimos um estudo que mostrou que 20% de nossos usuários, que não conseguiam economizar ao final do mês, passaram a guardar dinheiro já no primeiro mês de uso do site.

E você, como acha que podemos melhorar o problema de educação financeira no Brasil?

Ah, já ia me esquecendo... As respostas corretas das 3 perguntas são: 1-A; 2-C; 3-B.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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