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A grande LUCRATIVIDADE do mundo automotivo

Com o setor automotivo se recuperando, a lucratividade do setor voltou a acelerar!

Renault Captur Cupê
(Divulgação)

Caro leitor, digníssima leitora: um dos aspectos que sempre tínhamos a intenção de abordar por aqui – mas não podíamos – era mostrar (ilustrar) a rentabilidade (o quanto rola de “bufunfa”) no ramo automotivo. E como o Salão do Automóvel começa hoje, nada mais peculiar do que abordar esse tema aqui!

Eis que o jornal Valor Econômico publicou há pouco tempo o balanço de várias empresas (as 1.000 maiores), e lá tem algumas do setor automotivo!

E aí, neste caso, colocaremos aqui as nossas impressões, baseado no documento do Valor (o que é muito próximo da realidade do que a gente vê por aqui). O que apresentaremos são os dados consolidados do ano de 2017 (o que foi um ano meia boca para o setor).

Faremos duas separações. A primeira, vamos falar das montadoras e a segunda, das concessionárias.

Na parte de montadoras, a única que apresentou o balanço mais redondinho, foi a Renault! Então o nosso exemplo, vai ser sobre os dados dela.

O ano de 2017 encerrou com crescimento nas vendas de 9,4%. Já a Renault, a sua evolução no volume de vendas foi de 11,4%. O grande “boom” da marca foram os lançamentos do Kwid e do Captur. Ou seja, a inovação de portfólio da marca foi bem significativa.

Com o sucesso de seus produtos, a marca encerrou o ano de 2017 com receita líquida de R$ 11,739 bilhões, o que gerou um incremento de 20,4% sobre o ano anterior. A Renault não só aumentou a sua receita, como quase triplicou o seu lucro líquido, que foi de R$ 353,8 milhões contra R$ 126,2 milhões do ano de 2016.

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O resultado esperado para este ano deverá ser excepcional! Se a Renault teve lucro líquido de R$ 350 milhões no ano passado, vendendo 167 mil carros, imagina este ano, que até outubro já vendeu mais de 174 mil carros; e o seu crescimento em 2018 está na casa de 25%.

O Natal lá do pessoal da República de Curitiba vai ser incrível! Imagina só: um velhinho barbudo, vestido de vermelho (mas com todos os dedos na mão), batendo na sua porta trazendo um “checão” de PLR?

Mas, “o mais melhor de bom” é saber quanto foi o famoso EBITIDA, para termos uma noção do quanto a Renault pode gerar de caixa. Bom... o EBTIDA dela foi só de R$ 1,1 bilhão!!! A rentabilidade sobre o PL? Em 2017 cravou 20,5% de evolução!

O cenário para 2018 é o mais favorável possível. Podemos esperar um lucro líquido próximo a meio bilhão de Reais!

E as concessionárias?

Na publicação do Valor, tivemos o balanço de seis grandes grupos de concessionárias e, aqui, o ponto interessante é que temos de tudo e com os mais variados resultados. Temos um dos maiores (senão o maior) grupo de concessionárias; temos grupo de concessionários onde a administração é gringa (atualmente só existem dois grupos estrangeiro no Brasil); grupo “praticamente” mono-marca; grupo mais que tradicionalíssimo e até grupo só de caminhões.

Bom, mas vamos lá! Os sete grupos de concessionárias que analisamos, faturaram quase R$ 7,5 bilhões. Mas o resultado que encontramos mostra como está o “mundo das concessionárias”. A margem líquida média deste grupo de concessionárias ficou em apenas 0,9%. Ou seja, eles movimentaram R$ 7,5 bilhões para sobrar só R$ 65 milhões de margem líquida!

Lógico que a margem varia de grupo a grupo e de marca a marca. Por exemplo, o Grupo DAITAN (majoritariamente só Honda), registrou margem líquida de 2,1% no ano passado. E eles trabalham na grande São Paulo (onde tudo é complicado). O mesmo se poder dizer do grupo Caltabiano McLarty que, apesar da sua margem líquida ter sido baixa – apenas 1,1% em 2017, a rentabilidade sobre o PL do grupo foi de 20%.

A primeira impressão que temos aqui é que somente grupos que trabalham com produtos de alto valor agregado (Daitan: Honda – Caltabiano: “mundo de caras”), é que terão melhores margens. E isso é fato!

Os demais grupos Carbel (Bonsucesso); Sinoscar (Sinoserra) e Servopa estão ali todos iguais. E todos são iguais, mudando apenas a localidade (MG; RS e PR, respectivamente). Grupos tradicionais, super estruturados, capitalizados e com outras operações correlatas ao negócio (todos possuem alguma instituição financeira).

Ou seja, a pergunta de 1 milhão é: Qual é o futuro das concessionárias? Existem aqui três cenários:

1-) Se você trabalha com marcas de alto valor agregado (Ex. Daitan e Caltabiano), você pode avançar 1 casa. A sua sobrevida é garantida!

2-) Se você fez o seu trabalho de casa; estruturou o seu negócio; pulverizou o risco em diversas marcas e conseguiu agregar negócios paralelos ao da venda de veículos, você pode avançar 2 casas!

E qual é o melhor dos mundos? É você virar um “Megazord” como o grupo Saga. Eles (em 2017) faturaram quase R$ 4 bilhões, mas tiveram um lucro de apenas 0,3% ou R$ 13,4 milhões (o lucro da Caltabiano que faturou 1/3 foi maior que o deles). A lucratividade do grupo ficou lá no pé... a grande explicação é que teve “algum Cristo” que jogou água neles! Como eles são meio como “gremlins” o ano que passou (e ainda nesse) saiu pipocando por aí novas concessionárias do grupo! Ou seja, eles estão em franca expansão.

E essa é a regra número três!

3-) O negócio “romântico” de concessionária de veículos (aquele dos anos 70, 80 e 90) está na UTI esperando a viúva parar de chorar para desligarem os aparelhos. A formação de grupos empresariais é IMPERATIVO. A profissionalização, redução de custos, GANHO EM ESCALA, é a saída! Pequenos concessionários/grupos vão sofrer pacas!

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O negócio de concessionária mudou e está mudando (em progressão geométrica). A tendência aqui é a concentração/formação de grupos de concessionárias.

Menção honrosa: o único grupo que trabalha com a venda de caminhões (Grupo Suécia) foi o que registrou o melhor resultado! Margem líquida de 3,2%. Excelente resultado, mas eles devem ter penado bastante nos anos anteriores, uma vez que as vendas de caminhões (nos últimos anos) caíram tanto, mas tanto mesmo, que eles quase chegaram ao fundo das fossas marianas...

O resultado de todos, vocês podem ver aqui:

E ai, o que achou?

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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

perfil do autor

Raphael Galante

É economista, trabalha no setor automotivo há 14 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.

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