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BRASIL – COM EMOÇÃO É MAIS GOSTOSO

Economia segue fraca...mas será que isso é o que importa agora ?

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Bandeira do Brasil - Rio 2016
(Rio Foto: Roberto Castro/ Brasil2016)

Sempre digo aqui que meu compromisso é com a verdade, descrever o que está passado. Obviamente que para isso preciso ter uma compreensão, fazer uma leitura da situação, a qual pode inexoravelmente estar errada (minha visão no caso) …somos todos míopes, isso é um fato. Apesar de nossa visão ter uma boa amplitude, nossa mente nos prega peças e somos levados a acreditar em coisas que não necessariamente refletem o todo…é o complexo processo da sumarização que simplifica, mas torna mais pobre a análise…well…ok..chega de filosofias…feita essa mea culpa que ressalta o fato de eu poder estar totalmente errado, vamos ao que interessa…

 

Indo a realidade, o dado….a Markit divulgou nosso PMI mostrando mais um dado fraco! A mais pura realidade

 

 

E a venda de veículos ainda está longe de animar alguém…continuamos apresentado dados fracos também nesse setor…

 

 

De olho nessa realidade a agência de rating S&P revisou o rating do Brasil…revisou e disse: continuam na merda! Em suma foi isso! Continuamos como o BB e com perspectiva negativa…em setembro de 2015 eles retiraram o investment grade. No comunicado destacam:

“destacando que a economia brasileira terá crescimento lento nos próximos anos, depois da queda significativa no Produto Interno Bruto (PIB) real desde 2014….A agência também ressaltou que continua esperando processo de ajuste prolongado, com lenta correção na política fiscal. Na projeção da S&P, a dívida líquida do Brasil deverá chegar a 67% do PIB em 2019, ante 52% em 2016.”

O grande problema e foco da S&P é isso aqui ó (gráfico do FMI):

 

 

Nossa situação fiscal ainda está longe de estar resolvida…e num país onde a rigidez de gastos é enorme e que não cresce, fica difícil ver um ajuste concreto nas contas num horizonte curto. Até porque ainda faltam os outros 50%…o ajuste da previdência!

 

Agora…. pergunta que não quer calar é:

 

Imagem relacionada

 

E SABE PORQUE ISSO NÃO IMPORTA?? EXPLICO….

Primeiro para o universo de investimentos, especialmente renda variável isso não importa. Parece contraditório que um país que não cresce, que vive uma zona em termos de segurança pública, e cheio de outras mazelas, seja um bom local para investidores…não é? Pois bem, mas é!

2016 nosso PIB caiu 3,8% e nem por isso a bolsa deixou de ser catapultada 39% no ano!! Lembram do driver principal? Fácil…impeatchment, uma boa equipe econômica e a aprovação do limite de crescimento de gastos do governo.

E pra 2017?

Me arrisco a dizer aqui que os grandes temas são: (i) queda de juros; (ii) reforma da previdência; (iii) manutenção de alguma estabilidade política. Desses 3 o terceiro é o mais imprevisível e irá permear o ano; o segundo me parece que sai e será o trigger que deve vir lá por junho, julho, agosto; o primeiro já está acontecendo e já está ajudando a bolsa!

 

Já falei bastante num dos posts mais acessados entre os que escrevi até hoje! O post: BRASIL – UMA VISÃO SOBRE OS JUROS

Mas aqui vai mais um gráfico que trata do assunto…veja como ainda temos uma taxa de juros real bem alta em termos globais! Para empatarmos com o México, nosso juros poderia cair para lá pros 8% tranquilamente! Em linha com a regra de Taylor que comento no post acima… Acreditem se quiser!

 

Mas sigo acreditando que os 10% para o fim de 2017, mais concretos de serem alcançados…mas já começo a duvidar de mim mesmo…convicção cada vez menor de que esse juro não cairá abaixo de 10% já em 2017.

E essa convicção vem caindo graças a esse “mergulho” do índice de inflação (IPCA abaixo) … isso é determinante para que esse corte agressivo de juros continue. Com uma inflação em 4,5%, mesmo com 9% de juros, ainda teríamos uma taxa real das mais altas do mundo! Ou seja, tem muito espaço pra cortar mesmo. Pessoal da BMI Research me ajuda a explicar o que está na cabeça, com esse gráfico que deixa muito claro o que quero dizer.

 

 

Pensa que a linha azul clara vai chegar perto dos 4%…então imaginar 8% de taxa não é tão absurdo assim não…isso considerando o ciclo todo, o qual não se espera que acabe ainda em 2017.

 

Mas… faço uso da poesia genial de Drummond:

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra

Essa pedra se chama Brasília!! Não a cidade e sua beleza de concreto e linhas retas…mas me refiro a política. É um sem fim de acontecimentos horrendos na minha humilde opinião. Moreira Franco, investigações para Rodrigo Maia, hacker ameaçando Marcela Temer, Alexandre de Moraes…etc. Junto a isso a aprovação de Temer segue não ajudando….

 

 

Mas se não tivesse emoção não teria graça né? rs 
Pois é… tônica é a do otimismo moderado… uns tropeços irão existir, mas é só a pedra Brasília não nos derrubar que tem espaço pra nossa bolsa andar e bem! 
 
Fora isso, gostei muito desse gráfico abaixo da BMI Research. Se eles estiverem certos, estamos no começo de um novo ciclo de crescimento… olha lá embaixo, em cima da Colômbia e abaixo da África do Sil…
Acredito muito nisso…e olha só que legal, se isso for verdade teremos alguns anos de crescimento (de forma composta, anos de crescimento geram uma mola propulsora de renda fenomenal! E iremos atrair capital e ver nossa bolsa se valorizar…é quase um sonho mas eu acredito!
 
#oremos

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perfil do autor

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William Castro

William Castro Alves é economista graduado pela UFRGS e possui 12 anos de experiência no mercado financeiro. Iniciou sua carreira em 2004 na Solidus Corretora, teve passagem pelos Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Ingressou na XP Investimentos em 2008 como analista de Investimento (sell side), sendo o responsável pela criação e gestão das Carteiras Recomendadas e por ministrar cursos. Atualmente é o Head da Valor Gestora de Recursos. Possui uma página pessoal: www.bugg.com.br

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