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6 ações que foram impactadas pelos anúncios do Governo - e mais 7 que podem ser afetadas

O pacote de concessões do governo trouxe grande euforia na bolsa e muitas empresas já estão subindo apenas com a expectativa de um futuro melhor

gráfico de ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Os anúncios feitos pelo governo na última semana trouxeram grande otimismo para o mercado, levando o Ibovespa aos 71 mil pontos. Muito além da proposta oficial de privatização da Eletrobras, foi apresentado também um pacote de concessões que impulsionou outras empresas na bolsa, de estatais à elétricas.

Mas as novidades do governo não ficaram apenas nas privatizações, com um anúncio sobre o etanol impactando outras três ações da bolsa brasileira. Mas além das diretamente afetadas, outras empresas também já estão no radar do mercado como tendo reflexos "secundários" e que ainda poderão ter um grande impacto no futuro.

No total, 6 ações já foram impactadas diretamente pelos anúncios do governo, enquanto outros 7 papéis ainda poderão se aproveitar destas mudanças, confira:

Eletrobras (ELET3; ELET6)
A informação de que o governo quer privatizar a companhia, uma das maiores empresas de energia elétrica da América Latina, foi recebida por especialistas do setor como uma boa saída para a estatal, que vem enfrentando graves problemas financeiros e acumula dívidas de R$ 43,5 bilhões. Confira a análise completa clicando aqui.

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O processo de "diminuição do Estado" será feito nos moldes da Embraer e da Vale, com uma oferta primária de ações na qual o governo não participará comprando papéis, o que diluirá sua participação, que ficará abaixo de 50%, mas ele ainda terá uma "golden share", o que lhe dará direito a vetar decisões estratégicas. A expectativa do governo é arrecadar R$ 20 bilhões com essa oferta, o que tem previsão acontecer ainda na primeira metade de 2018.

“Esse movimento permitirá à Eletrobras implementar os requisitos de governança corporativa exigidos no Novo Mercado, equiparando todos os acionistas – públicos e privados – com total transparência em sua gestão”, disse o ministério de Minas e Energia

Elétricas
A notícia puxou outras elétricas, principalmente as estatais, que são favorecidas pela ideia de mudanças na gestão do setor, que deve ter menos interferências do governo do que nas gestões anteriores. Segundo a LCA Consultores, a "nova Eletrobras" seguirá o modelo adotado em diversos países, como Portugal, França e Itália, que transformaram suas estatais de energia elétrica em grandes corporações que atuam no mundo inteiro e mantêm sua identidade nacional.

Já o Itaú BBA acredita que o processo pode gerar uma mudança positiva na dinâmica do setor de energia, inspirando outros nomes estatais como Copel (CPLE6) e Cemig (CMIG4). Para os analistas do banco, um player privado poderia adicionar pelo menos R$ 40 bilhões em criação de valor através de uma enorme iniciativa de redução de custos.

Segundo o economista e sócio da Eleven Financial Research, Rafael Bevilacqua, o mercado agora ficará mais atento às elétricas e essa possibilidade de um ambiente mais benigno para o setor. "Vamos começar a voltar para o valor de mercado que elas [elétricas] tinham há dois, três anos", afirma.

Entre diversos pontos positivos da privatização da Eletrobras, o Bradesco BBI também ressaltou o impacto positivo no setor, afirmando que esta decisão é boa para as elétricas uma vez que, dada regulação pró-mercado, não seria necessário um player nacional para os grandes investimentos.

Estatais
Além de ser boa para a Eletrobras, a notícia foi bastante positiva também para outras estatais. Segundo especialistas, o anúncio abre espaço para que outras empresas também sejam privatizadas. Isso tem puxado papéis como o da Sanepar (SAPR4) e Banrisul (BRSR6). O governo não chegou a comentar estas possibilidades, mas a euforia do mercado leva a crer que o Planalto não descarta totalmente tomar uma decisão parecida com estas companhias.

Outras estatais, como Petrobras (PETR3; PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) também acabam impactadas. Não que elas possam ser privatizadas, mas o que anima estas companhias é a percepção de melhora na governança corporativa delas, além da demonstração do próprio governo de que pretende reduzir sua atuação nelas, como apontaram os analistas da XP Investimentos recentemente.

CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3)
Entre as novidades, o pacote do governo prevê a concessão de 14 aeroportos, com edital sendo publicado no 2º trimestre de 2018 e o leilão para todos os terminais no 3º trimestre de 2018. No pacote de desestatização de aeroportos do governo federal, estão grandes operações, como os terminais de Congonhas, Recife e Vitória.

O Bradesco BBI destacou as suas perspectivas para estes leilões e, segundo os analistas, o anúncio apresenta várias oportunidades para CCR e Ecorodovias. "No caso da CCR, nossa opinião é que a empresa pode adquirir a participação de 49% da Infraero no aeroporto de BH (Confins) e também avaliar os 14 aeroportos a serem leiloados no segundo semestre".

B3 (BVMF3)
Com uma série de leilões de concessão, é inevitável que este otimismo também atinja diretamente a administradora da bolsa. Segundo um diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), pelo menos dez empresas manifestaram interesse nos próximos leilões de concessão para a exploração de petróleo e gás natural na camada de pré-sal. A segunda e a terceira rodadas de licitação do pré-sal em regime de partilha acontecerão em 27 de outubro.

Vale lembrar que ainda estão previstos leilões de energia, hidrelétricas, aeroportos e de concessões rodoviárias, todos devendo movimentar grandes valores na bolsa brasileira. Além disso tudo, existe ainda a possibilidade de um novo IPO (Oferta Pública de Ações), da Infraero.

Segundo, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, a venda da participação da Infraero nos quatro aeroportos já concedidos à iniciativa privada não fecha a porta para uma eventual abertura de capital da empresa de administração de aeroportos. A Infraero já chegou a um balanço negativo de R$ 3 bilhões, mas com medidas de redução de gastos, isso deve ser reduzido a aproximadamente R$ 700 milhões, mas ainda requer iniciativas para sanar a empresa. Por isso a oferta de ações não está descartada.

Açúcar e álcool
Fora do pacote de privatizações do governo, uma outra notícia ajudou as ações do setor de açúcar e álcool: São Martinho (SMTO3), Cosan (CSAN3) e BrasilAgro (AGRO3). Foi anunciado 20% de tarifa de importação para etanol, válido por dois anos, sobre o volume que exceder 600 milhões de litros. Segundo analistas do BTG Pactual, a notícia é positiva para o setor. 

"Embora não esperamos impactos para o preço de etanol, acreditamos que os produtores irão acelerar a produção de etanol (dado que o preço do açúcar está abaixo do nível equivalente ao etanol). Por conta disso, considerando um aumento na produção de etanol de 1,5 bilhão/ano, o mix de etanol aumentaria de 53% para 56%, reduzindo a produção de açúcar em 2,5 milhões de toneladas (6% de corte da produção no Brasil) – o que poderia ser trigger importante para os preços do açúcar. RenovaBio pode ser o próximo passo para ajudar o setor", comentaram.

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Thiago Salomão

Editor-chefe do InfoMoney, analista CNPI-P (Fundamentalista e Técnico), criador e analista responsável pela Carteira Recomendada InfoMoney e professor do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora". Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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