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2º tri promete ser de desânimo com construtoras? Aguarde: uma novidade pode impulsionar o setor

Segundo trimestre promete ser desafiador para as companhias, mas analistas destacam quais ações são as melhores para investir e ainda ressaltam a retomada das LIGs

Construção - Bloomberg
(Krisztian Bocsi)

SÃO PAULO - As construtoras devem amargar prejuízo líquido em sua maioria no segundo trimestre de 2017, de acordo com as expectativas do BTG Pactual, apontando para um cenário ainda bastante desafiador (veja mais clicando aqui). Contudo, além dos balanços, os mercados estão de olho em diversas novidades sobre o setor, além de alguns analistas reiterarem otimismo sobre as construtoras voltadas à baixa renda. 

Uma das mudanças destacadas foi sinalizada por autoridades do governo em evento realizado na última sexta-feira, apontando para fontes de financiamento alternativas para o setor. Como um dos destaques - e que chamaram a atenção dos analistas - está a criação das chamadas LIGs (Letras Imobiliárias Garantidas), títulos cobertos que são uma demanda antiga do setor. O título pode ser negociado no mercado secundário, tem isenção tributária e vencimento de longo prazo - ele foi criado em 2014, mas ainda depende da aprovação do CMN (Conselho Monetário Nacional). 

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Conforme destaca o BTG, as LIGs oferecem aos investidores duas garantias: i) da instituição financeira que emite o vínculo; e ii) de um conjunto de ativos imobiliários utilizados como garantia. Com isso, no longo prazo, poderá haver redução da dependência do FGTS ( Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e SBPE  (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo)  - atualmente, 80% dos financiamentos vêm dessas duas fontes de financiamento.  O governo acredita que estas duas fontes (i) atingem somente apenas famílias de baixa renda, ou seja, aquelas realmente necessitadas de financiamento subsidiado; e (ii) estão longe de serem ideais no longo prazo, devido à sua dependência das taxas de juros "subsidiadas", que, em essência, explicam a necessidade de criar uma "fonte de mercado" (por exemplo, LIGs) para financiar o setor imobiliário do Brasil.

Além da discussão sobre a LIG, foi dito pelos integrantes do governo que a Lei de Cancelamento está perto de ser finalizada, acrescentando que deve-se considerar uma decisão sobre "distratos" nas próximas semanas, pois isso também é uma prioridade. Já sobre a LIG especificamente, o analista do BTG, Gustavo Cambauva, vê como positivo o fato de que todos os players do mercado estão trabalhando em uma nova fonte de financiamento para evitar depender (excessivamente) do financiamento com o FGTS / SBPE. "E com a taxa Selic caindo fortemente e o ambiente macroeconômico do Brasil em modo de recuperação, o 'timing' para implementar a LIG não poderia ser melhor", afirma o analista. 

O Itaú BBA segue a mesma linha, destacando que as LIGs devem ajudar a atrair a atenção dos investidores estrangeiros, dado que esta é uma fonte bem conhecida de financiamento imobiliário em países desenvolvidos (particularmente na Europa). Além disso, os investidores internacionais (e locais) estariam isentos de pagar impostos sobre ganhos financeiros. Contudo, apontam os analistas do banco, ainda não há nenhuma menção sobre se isso seria ou não aplicável aos investidores institucionais. Além disso, eles ponderam que o sucesso da LIG dependerá de sua atratividade para os investidores institucionais, o que ainda é incerto dada a falta de informações sobre os retornos esperados até agora. 

Preferidas do setor
Antes mesmo das sinalizações do governo sobre a LIG, o Bradesco BBI destacou vetores positivos para as ações das construtoras, principalmente mantendo o call em ações de empresas mais voltadas à baixa-renda e reiterando a sua preferência em Tenda (TEND3), MRV (MRVE3) e EzTec (EZTC3).

Eles se basearam as recomendações em sua convicção sobre a sustentabilidade do Minha Casa Minha Vida e destacaram potenciais soluções para as maiores "ameaças" ao programa que foram discutidas com players do setor. Mais uma vez, os analistas destacam que o impacto  para as grandes construtoras baixa-renda deve ser zero. "Estes, por sua vez, deveriam continuar ganhando participação de mercado dado baixo custo de produção e maior agilidade no acesso ao crédito", afirmam os analistas. 

O Bradesco BBI lembra ainda que o programa MCMV cria 1 milhão de empregos e é catalisador importante para o PIB, além do fato de que 70% das famílias no Brasil recebem até 4 salários mínimos, o que significa dizer que parece pouco provável o governo cortar um programa que representa mais da metade da oferta de imóveis do país. 

Entre uma das medidas para preservar a sustentabilidade do programa, destacou-se que, com a queda da Selic, o financiamento de unidades de média renda pode se apoiar menos em FGTS, o que vai em linha com o destacado acima. Assim como o Bradesco BBI, o Bank of America Merrill Lynch destacou preferência por MRV e Tenda, apontando inclusive para um possível aumento da participação de mercado das construtoras. 

Desta forma, apesar do otimismo não ser tão grande quanto aos balanços do segundo trimestre, o mercado está bastante atento aos próximos para as construtoras - com destaque para as medidas a serem anunciadas pelo governo. 

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perfil do autor

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Thiago Salomão

Editor-chefe do InfoMoney, analista CNPI-P (Fundamentalista e Técnico), criador e analista responsável pela Carteira Recomendada InfoMoney e professor do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora". Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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