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O 3º tri chegou, no que ficar de olho na Bolsa? BofA traz 5 ações para comprar e 3 papéis para vender

No portfólio de 10 ações da América Latina, 8 são brasileiras - muitas delas foram destaque no Insight do Dia

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(/Shutterstock)

SÃO PAULO - Fim de um trimestre, começo de outro. A virada temporal sempre leva a reflexões sobre o que foi feito no período que passou e também a uma revisão nas possibilidades de investimento. 

Pensando nisso, os analistas do Bank of America Merrill Lynch Felipe Hirai, Nicole Inui e Carlos Peyrelongue, atualizaram a sua carteira de investimentos para a América Latina de olho no terceiro trimestre de 2017, baseada em ações que eles acreditam que terão boa ou má performances no período. Dentre as dez ações, seis são recomendações de compra e quatro de venda, com uma quase predominância brasileira. 

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Entre as seis recomendações outperform (desempenho acima da média do mercado), cinco são brasileiras, sendo que muitas delas foram de destacadas em "Insights do dia": Bradespar (BRAP4), Cemig (CMIG4), MRV (MRVE3), Rumo (RAIL3) e Usiminas (USIM5). A outra é a Cemex. Por outro lado, três "ideias" são underperform: B2W (BTOW3), Copel (CPLE6) e Natura. A outra ideia "underperform" é a CMPC. A última empresa foi destaque no Insight do dia de 9 de junho. 

Confira abaixo as recomendações do BofA para o terceiro trimestre de 2017:

Ideias de compra

1. Bradespar
A Bradespar entrou na "lista de ideias" para o terceiro trimestre uma vez que a holding da Vale (VALE3;VALE5) é apontada como uma beneficiária-chave na nova reestruturação societária da companhia. A perspectiva é de que o desconto da controladora em relação à controlada deva diminuir, uma vez que a sua estrutura corporativa será simplificada ao se tornar um veículo de investimento único e direto na Vale, além da Bradespar se beneficiar de uma estrutura fiscal mais baixa.

O próximo passo chave para concluir a transação é a conversão para classes ordinárias por pelo menos 54% dos preferencialistas, na proporção de 0,9342 vez, até 11 de agosto. "Acreditamos que existe uma alta probabilidade de a transação avançar e a vemos como positiva para todos os acionistas", afirmam os estrategistas do banco americano.
 
Outro catalisador trata sobre o novo CEO (Chief Executive Officer) da Vale, Fábio Schvartsman, que sinaliza uma série de oportunidades dentro da mineradora, desde a simplificação cultural e estrutural até o corte de custos, diversificação estratégica e crescimento. A Vale reavaliará a lógica estratégica em todas as unidades de negócios e os ativos não lucrativos ou não estratégicos serão reavaliados.

"Acreditamos que a estratégia de Schvartsman pode desbloquear uma quantidade significativa de valor e deve ser bem recebida pelo mercado", afirmam os estrategistas. Por outro lado, há riscos na estratégia, como um possível fracasso na conversão de ações, minério de ferro mais fraco do que o esperado e desaceleração na demanda global, apontam os estrategistas.

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2. Cemig
Já a Cemig foi mantida nas "ideias trimestrais" à medida que o compromisso da empresa em executar seu programa de venda de ativos e estabilizar seu balanço tornou-se mais evidente. 

No mês passado, o Conselho da Cemig aprovou a venda da participação de controle da Light, que poderia impulsionar em cerca de R$ 2 bilhões para o resultado. Ao mesmo tempo, a venda de sua participação na hidrelétrica de Santo Antonio também é uma possibilidade. O ciclo de flexibilização monetária do Brasil também é favorável, dado o alto nível da dívida atrelada à Selic. 

"No geral, continuamos  positivos com relação à ação dados:  1) o valuation atrativo, com uma relação de preço sobre lucro esperado para 2018 de 6,8 vezes e potencial aumento de 55% para o fluxo de caixa livre; 2) foco na melhoria na gestão com um plano de ação detalhado e com prazos claros e 3) iniciativas de redução de custos que podem levar a um momentum mais positivo para os lucros da companhia. 

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3. MRV
O BofA adicionou a construtora MRV ao portfólio após a recente queda das ações, ao mesmo tempo que as perspectivas são positivas para a companhia. "Esperamos que o o lucro por ação suba mais de 60% nos próximos anos, impulsionado pelo crescimento das vendas de cerca de  40% (entre 2016 e 2019) e menor alavancagem operacional", afirmam os estrategistas.

Conforme aponta o BofA, a gestão da companhia não viu nenhum sinal até agora de que o cenário político incerto tenha impactado as vendas, ao mesmo tempo que a agenda do governo continua a apoiar o setor de habitação de baixa renda. 

De acordo com os estrategistas, os menores custos em meio ao aumento da eficiência e melhores preços e a baixa concorrência devem levar a margens brutas mais elevadas. 

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4. Rumo
A Rumo entrou no portfólio de ideias trimestrais do BofA, à medida que os analistas seguem confiantes no seu crescimento e no guidance para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) no ano, com expectativa de melhora do lucro esperado nos próximos trimestres.

Segundo os analistas, uma estrutura de custo mais simples, ativos de maior qualidade e uma forte colheita (70% dos volumes totais expostos ao setor de agronegócios) devem aumentar o lucro e ser um impulso positivo para o preço da ação.

"Além disso, acreditamos que o financiamento do BNDES, uma preocupação entre os investidores, deve ocorrer entre julho e agosto, enquanto a renovação de concessões deve ocorrer até o final do ano ou início de 2018. A Rumo também é beneficiária de um ambiente de taxas de juros mais baixas, dado que sua dívida está atrelada à Selic", aponta o BofA. Vale ficar de olho no resultado do segundo trimestre de 2017, que deve trazer melhoras operacionais para a companhia, além do avanço do leilão da ferrovia Norte-Sul, com perspectiva de que ele aconteça em fevereiro do ano que vem. 

5. Usiminas
O BofA manteve a Usiminas entre as ideias de investimento do trimestre ao apontar para alguns catalisadores positivos para o setor de aço plano do Brasil. Os catalisadores incluem um possível aumento de preços de 5% em julho, um lucro melhor do que o esperado para o segundo trimestre, a recuperação da demanda de aço e anúncio sobre medidas antidumping.

"Recentemente, aumentamos as estimativas do Ebitda em 2017 para a Usiminas em 30%, a R$ 1,9 bilhão, sendo 26% superior ao consenso. A ação continua a ser o melhor no setor siderúrgico brasileiro", afirmam os estrategistas.

Para eles, a confirmação de aumentos de preços poderia elevar as estimativas de ganhos. Além disso, os volumes maiores produzidos, diluição de custos e também os preços potencialmente mais altos, devem ajudar a aumentar as margens no segundo semestre de 2017. 

Ideias underperform

1. B2W
A B2W foi adicionada como uma "ideia short" (ou vendida) no portfólio do BofA. De acordo com os estrategistas, a companhia enfrenta uma crescente pressão competitiva no mercado de comércio eletrônico no Brasil. O líder do mercado, o Mercado Livre, inaugurou recentemente programa de pontos que oferece frete grátis.

"Estimamos que até 50% do volume bruto de mercadorias no Brasil serão elegíveis para envio gratuito com o Mercado Livre subsidiando uma parcela do custo. Dada a alta alavancagem da B2W, vemos pouca margem para fazer um financiamento desse tipo em termos comparáveis. Na verdade, vemos a B2W se afastando de quaisquer subsídios", afirmam os estrategistas. 

Assim como o Mercado Livre, a Amazon aparece como uma concorrente da B2W, em meio à expectativa de que a americana expanda as suas operações no País. Soma-se a isso o cenário de forte queima de caixa da B2W e, mesmo com possíveis cortes de tarifas, ainda se esperam prejuízos nos próximos trimestres da companhia. 

2. Copel
Os estrategistas do BofA mantiveram a Copel como underperform para o terceiro trimestre de 2017. "Enquanto o setor de utilities está experimentando um momentum positivo, dada a cena ativa de fusões e aquisições e um ambiente regulatório melhorado, os catalisadores da Copel, em nossa visão, estão mostrando para uma maior desvalorização dos papéis", afirmam. 

As ações apresentaram um desempenho ligeiramente inferior ao do mercado com uma possível oferta de ações pesando de forma negativa nas ações. "Também esperamos um 2017 desafiador, com baixos números do GSF (déficit de geração hídrica) que limitam o fluxo de caixa de seu segmento de geração e um desempenho sem inspiração do segmento de distribuição", afirma o BofA.  

Assim, embora um aumento dos preços da energia ofereça uma vantagem a longo prazo, os números baixos do GSF podem frustrar as expectativas de ganhos dos investidores a curto prazo.

3. Natura
Os analistas adicionaram a Natura à lista de "venda", destacando que o anúncio da aquisição da The Body Shop pela companhia, no início de junho, foi bastante mal recebido pelo mercado, com as ações tendo forte queda desde o anúncio.

"Nós vemos esse como um momento difícil para a Natura adicionar no portfólio uma nova marca, especialmente considerando as sinergias iniciais limitadas da combinação com a The Body Shop", avaliam eles. Além disso, o core business da Natura também permanece fraco. 

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Thiago Salomão

Editor-chefe do InfoMoney, analista CNPI-P (Fundamentalista e Técnico), criador e analista responsável pela Carteira Recomendada InfoMoney e professor do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora". Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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