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Lucro no trimestre, mas prejuízo bilionário em 2016: o que esperar do balanço da Petrobras?

Confira as estimativas dos analistas para o balanço da Petrobras, que será divulgado hoje depois do pregão

Petrobras
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Em meio a um noticiário tão agitado para a Petrobras (PETR3;PETR4), com decisão sobre venda de ativos e de olho nos preços do petróleo, a petroleira divulgará os seus resultados do quarto trimestre nesta terça-feira (21), previsto para 18h (horário de Brasília). A divulgação ocorre em meio às contestações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que determinou neste mês que a estatal refaça e republique os balanços de 2013 a 2015, desconsiderando os efeitos da contabilidade de hedge cambial. Contudo, a companhia manterá a contabilidade no balanço do quarto trimestre, uma vez que ainda cabe recurso. 

O resultado da petroleira deve mostrar recuperação do lucro, após um último resultado em que a companhia apresentou prejuízo de R$ 16,4 bilhões, o terceiro maior da história, em meio aos R$ 15,7 bilhões registrados com a revisão dos valores de ativos.

De acordo com estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg, o lucro líquido da companhia será de R$ 2,804 bilhões, mas não o suficiente para que a estatal feche o ano com lucro. A expectativa é de que 2016 se encerre com um prejuízo de R$ 5,28 bilhões, de acordo com a média das compilações. Contudo, esse valor será 85% menor frente o prejuízo de R$ 34,8 bilhões registrados em 2015. 

Os analistas do Credit Suisse reforçam esperar que a flutuação dos preços das commodities devam ter impacto neutro no último trimestre. Os preços do brent foram de US$ 51 o barril na média do período, cerca de US$ 5 acima da média dos preços registrados no terceiro trimestre. "Porém, nós estimamos preços domésticos médios de US$ 71 o barril, US$ 3 abaixo do trimestre anterior e diesel a US$ 76 o barril, US$ 6 abaixo do que o registrado no terceiro trimestre". 

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Além disso, os preços do brent ajudaram a impulsionar as receitas das exportações de petróleo bruto e as vendas de produtos mais estreitamente ligados aos preços internacionais, como o nafta, parcialmente compensado por maiores impostos sobre a produção. "O impacto positivo dos preços do petróleo mais elevados, no entanto, é compensado por prêmios mais baixos na gasolina e no diesel, seguindo a nova política de preços da Petrobras", avaliam os analistas do Credit Suisse.

De acordo com o Itaú BBA, a nova política de preços dos combustíveis lançada em outubro deve começar a mostrar impacto nas receitas, com os analistas estimando que, após a implementação da nova prática, os preços médios do diesel tenham caído 5,8% e os da gasolina tivessem queda de 2,4% no quarto trimestre, na comparação com o trimestre anterior.  Por outro lado, o banco avalia que o preço médio de realização, que é o de venda dos combustíveis em reais no Brasil, subiu 3% em meio ao aumento de 11% nos preços do barril petróleo no mercado internacional. 

Além disso, enquanto o terceiro trimestre foi marcado por impairments, a estimativa é de que a companhia não volte a registrar baixas contábeis de grandes proporções, conforme ressaltou o próprio diretor financeiro da empresa, Ivan Monteiro, ao comentar o balanço passado. 

O Credit Suisse aponta ainda que a companhia está implementando um grande número de iniciativas de cortar custos, o que deve levar os custos para baixo. Contudo, essas estimativas não devem não devem superar os custos com a inflação no quarto trimestre. Somado a isso, o acordo coletivo assinado no início deste ano com os sindicatos dos petroleiros deve pressionar em US$ 230 milhões os resultados do último trimestre, uma vez que ele é retroativo em relação ao setembro. 

Alguns efeitos não recorrentes podem influenciar positivamente o balanço, como os desinvestimentos em Carcará (BM-S-8) e na refinaria japonesa Nansei Sekiyu, que podem contribuir com ganhos de US$ 880 milhões no balanço. Por outro lado a estatal registrou uma série de provisões para contingências, que não foram consideradas na projeção. Porém, há riscos de que a companhia apresente novos passivos contingentes, como questões fiscais e trabalhistas. 

Desta forma, a expectativa é de que a Petrobras apresente um balanço hoje à noite com números menos "extremos" do que o registrado no período anterior. O grande destaque ficará com os números que apontam para redução de custos e aumento da eficiência da estatal, que é um dos catalisadores para o otimismo dos analistas com o papel da companhia (apesar do fraco desempenho neste ano em meio à baixa do petróleo e algumas turbulências na venda de ativos). 

Confira as estimativas de analistas para o balanço da Petrobras, segundo compilação da Bloomberg:

(em milhões) 4T16E 4T15 4T16E/4T15
Lucro líquido ajustado 2.804  -36.938 -
Receita  73.408 85.103 -13,74%
Ebitda  22.783 17.064 +33,52%
Margem Ebitda 31,03% 20% +11 p.p.

 

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Thiago Salomão

Analista da Rico Investimentos, criador da carteira Rico Premium e professor do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora". Trabalhou no InfoMoney de 2009 a 2018, tornando-se editor de Mercados em 2012 e editor-chefe em 2016. Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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