Retrofit: o antigo repaginado

Retrofit como processo de modernização e costumização de edifícios ou equipamentos antigos, preservando a memória e a história.
Blog por Andressa Valli  

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Retrofit é um termo utilizado, principalmente, em  engenharia e construções para designar o processo de modernização de algum equipamento ou edifício já considerado ultrapassado ou fora de norma.

Mas nunca se falou tanto em retrofit como nos últimos anos.

O Estádio do Maracanã é uma grande demonstração das amplas possibilidades de aplicação do retrofit. Ele e outros estádios que sediaram os jogos da Copa de 2014 passaram pelo processo para que suas estruturas fossem adaptadas para o evento. O projeto rendeu ao estádio uma das premiações mais importantes da arquitetura mundial, o Mipim AR Future Project Awards.

Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, Brazil. Architect: Daniel H. Fernandes. Category: Retrofit. Ingenious reworking of structure has allowed the addition of a spectacular stressed-skin roof which transforms a 1950s icon for use in the next football World Cup.

O sentido do retrofit é customizar, “colocar o antigo em boa forma”, adaptar e melhorar os equipamentos, conforto e possibilidades de uso de um antigo edifício.

Não se trata simplesmente de uma reconstrução, pois esta implicaria em uma simples restauração. Ao invés disto, busca-se o renascimento. No mundo da construção, a arte de retrofitar está aliada ao conceito de preservação da memória e da história.

“O objetivo principal é revitalizar antigos edifícios, aumentando sua vida útil, usando tecnologias avançadas em sistemas prediais e materiais modernos, compatibilizando-os com as restrições urbanas e ocupacionais atuais. Tudo isso, sem falar da preservação do patrimônio histórico, sobretudo o arquitetônico”, explica Fernanda Rodrigues, arquiteta de Santos- SP.

Na maior parte dos casos, o retrofit acaba saindo mais caro do que derrubar o antigo edifício e construir um novo, mas quando se trata de preservação de patrimônio histórico, não há muita saída.

Porém, a médio e longo prazo,  retrofit com bom planejamento e modernização de instalações aumenta a vida útil do edifício, diminui os custos com manutenção e amplia suas possibilidades de uso”, afirma Fernanda.

 Em São Paulo, temos o Edifício Dom Miguel, mais conhecido como o Prédio do Restaurante Gigetto, tradicional ponto de encontro de artistas. Aos 35 anos de idade, o edifício foi retrofitado, mudando o uso de residencial para um empreendimento hoteleiro com 110 unidades (residencial com serviços), piano bar, salas de eventos, fitness center, sauna e jacuzzi.

Apesar de ter se popularizado há pouco tempo no Brasil, o processo já é empregado em larga escala em diversos países, principalmente europeus, onde há uma legislação bastante rígida em relação à preservação dos patrimônios arquitetônicos. Aqui, o processo também vem conquistando cada vez mais espaço, mas é preciso saber onde e como aplicá-lo.

 

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Onde aplicar o Retrofit?

 Qualquer tipo de edificação pode passar por um retrofit, existem até mesmo projetos que abrangem bairros inteiros.

Alguns casos onde aplicar retrofit é uma boa alternativa:

  •  patrimônios históricos tombados
  • marcos importantes (sede de uma empresa por exemplo)
  • imóveis bem localizados
  • quando realizar o Retrofit for mais rápido do que uma nova construção


O processo também é visto com bons olhos pelo lado da sustentabilidade, não só pela reciclagem e reutilização de materiais que ocorre durante as obras mas também porque possibilita a inserção de tecnologias sustentáveis.

Apesar das diversas vantagens citadas acima é preciso estar ciente de algumas características negativas, como a grande quantidade de imprevistos, isso ocorre pois geralmente as construções estão antigas e deterioradas, assim podem haver problemas e gastos inesperados.

Outro problema deve-se às limitações físicas do espaço, que exige um estudo mais rigoroso em relação à entrega de materiais e à retirada de entulho assim como a necessidade de mão de obra mais qualificada.

Várias dezenas de edifícios de médio e grande portes já passaram por processo de retrofit nos últimos anos nas principais cidades brasileiras - com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro - e projetos deste tipo não param de aparecer pelo País. E é um mercado que tem tudo para crescer ainda mais, devido à crescente escassez de terrenos nas metrópoles e o alto preço da maioria deles, para não falar do próprio custo da construção.

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Fonte: BlogDaLux.com.br e Fernanda Rodrigues, arquiteta e urbanista especialista em restaurações e revitalizações prediais, de Santos - SP.

Link: http://bit.ly/1JgMReP

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil da blogueira

É publicitária, pós-graduada em relações públicas e gerente comercial de uma das maiores imobiliárias do país. contato@blogdalux.com.br