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BB e a receita do sucesso: menos calote, mais renda com tarifas e controle de despesas

Lucro líquido foi de R$ 3,2 bilhões, alta de 22,3%, mas foram os detalhes do desempenho operacional que animaram o mercado

banco do Brasil
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O desempenho do Banco do Brasil no segundo trimestre agradou investidores - como é notável na alta da ação (BBAS3) no pregão desta quinta-feira (9) - e analistas, que consideraram os resultados fortes e sólidos, abrindo espaço para expectativas ainda mais otimistas para os próximos trimestres.

O lucro líquido ajustado do BB no segundo trimestre foi de R$ 3,2 bilhões, valor 22,3% maior que o apresentado no mesmo período de 2017 - mas foram os detalhes desse desempenho que animaram o mercado. "Não só os números principais superaram as expectativas, mas as principais tendências operacionais foram fortes", avalia o analista do Itaú BBA, Thiago Bonovolenta. O analista destaca ainda a contínua redução no quadro de funcionários do banco, que caiu de 97.981 para 97.675 no trimestre.

O banco enxugou despesas, obteve receita maior com tarifas de contas correntes (alta de 5,7%, para R$ 6,8 bilhões) e reduziu o nível de inadimplência acima de 90 dias pelo quarto trimestre consecutivo, para 3,34%. Um ano antes, essa taxa estava em 4,11%. Os analistas do UBS acreditam que o BB tem condições de reduzir ainda mais esse patamar, atingindo mais uma vez o menor nível histórico de 2%.

Enquanto isso, a margem financeira líquida cresceu 13,4% na comparação com o segundo trimestre de 2017 mesmo com a queda no preço médio do crédito oferecido a clientes. Essa redução foi consequência dos cortes na Selic, mas o efeito negativo para o BB foi mais do que compensado pelos custos menores de captação.

O resultado financeiro, principal preocupação no último trimestre, cresceu 5,3% em base trimestral após queda impressionante nos primeiros três meses do ano. "As despesas administrativas permaneceram sob controle", destacou o Brasil Plural sobre a alta de cerca de 1,2% no primeiro semestre.

Diante da qualidade dos ativos do banco e a tendência de continuidade desse cenários para os próximos meses, o BB reduziu sua provisão de perda esperada para o ano com calotes de R$ 16 bilhões a R$ 19 bilhões para o patamar de R$ 14 bilhões a R$ 16 bilhões.

"Continuamos a acreditar que os bancos brasileiros, incluindo o Banco do Brasil, estão em um ponto de inflexão de receita, o que, combinado com um desempenho de qualidade de ativos saudável e controle de custos, deixa espaço para uma boa alavancagem operacional à frente", avalia o time de análise do Credit Suisse.

A expectativa para o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) é de 11,8% neste ano e de 12,1% em 2018, segundo o Morgan Stanley, que também elevou o preço-alvo de R$ 43 para R$ 46, mantendo recomendação overweight (exposição acima da média do mercado). 

A visão positiva foi ainda reiterada pelo presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, apontou ainda que o segundo semestre deve ser mais forte do que o primeiro, com crédito para empresas melhorando de forma substancial, enquanto a retomada do consumo deve puxar o crédito para a pessoa física. Outra sinalização importante é que o banco reafirmou a meta de buscar rentabilidade similar a dos bancos privados. 

Mas nem tudo são flores no caminho do banco estatal já que há uma eleição presidencial à frente. "Um banco mais eficiente, com uma posição de capital mais forte e maior poder de ganho no segundo trimestre, significa que mantemos um viés positivo no BB, com base nos fundamentos. No entanto, sinalizamos a probabilidade de volatilidade das ações nos próximos meses devido às eleições presidenciais no Brasil. Nós permanecemos neutros, por enquanto", ponderam os analistas do BTG Pactual.

Por outro lado, mesmo tendo em vista o cenário eleitoral, casas de análise como o Itaú BBA apontam que a ação da estatal está barata, limitando um potencial de queda. 

Veja as projeções para a ação do Banco do Brasil (todos com recomendação de compra):

Banco Preço-alvo em 12 meses
UBS R$ 41,60 em 12 meses
Itaú BBA R$ 45 ao fim de 2018
Morgan Stanley R$ 46 em 12 meses
Brasil Plural R$ 43,10 ao fim de 2018

 

 

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