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Brasil bebe mais Ambev no trimestre, mas o Carnaval acabou

Depois de um 2018 frustrante, fabricante de bebidas volta a encher o copo – mas a retomada é sustentável?

Cerveja Skol
(Reprodução/Facebook)

SÃO PAULO – Depois de um 2018 seco para a Ambev, a fabricante de bebidas já volta a ver o copo cheio com resultados do primeiro trimestre mostrando recuperação acima do esperado pelo mercado. Agora, quem acompanha a empresa quer saber se essa curva é sustentável no médio prazo.

No Brasil, que foi a água no chope da empresa no ano passado, os volumes de cerveja e bebidas não alcoólicas subiram, respectivamente, 11,3% e 16% nos primeiros três meses deste ano ante o mesmo período de 2018.

Ainda que a recuperação fosse esperada pelo mercado, a expectativa era mais tímida, principalmente para a parte de cervejas (consenso em 8%), e foi bem superior aos números da indústria em geral, que subiram cerca de 3%, de acordo com a Nielsen.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado em R$ 5,1 milhões ficou 3% acima da expectativa consensual dos analistas, e o lucro líquido normalizado ficou em R$ 2,7 milhões, aumento de 6% na comparação com o ano anterior.

Ainda assim, a ação da empresa despenca 3,71% no início da tarde desta quarta-feira, ante queda de 1,12% do Ibovespa. O que pode explicar isso, além de um desempenho bom do papel no início do ano, é a incerteza criada por outros indicadores.

Aumentos no câmbio e nos preços de commodities, principalmente, alumínio e cevada, impactaram as margens da empresa, o que trouxe mais complexidade aos resultados majoritariamente positivos. A contração da margem foi de 400 pontos-base, para 42%.

Outro ponto negativo foi o resultado mais fraco que o esperado na América Latina, com queda de 10,6% no volume ano a ano. De acordo com a Ambev, a situação macroeconômica na Argentina permanece desafiadora, e eles continuam vendo volatilidade no mercado, frente à desvalorização da moeda, somada a uma pressão inflacionária, resultando na baixa confiança do consumidor.

O Carnaval acabou

Importante destacar que os resultados do trimestre no Brasil foram impactados por fatores sazonais e uma pitada de sorte.

O Carnaval tardio e um verão particularmente quente favoreceram as vendas da empresa, bem como o lançamento bem sucedido da Skol Puro Malte. Nada disso pode ser replicado nos próximos trimestres. Para o Morgan Stanley, permanece a incerteza sobre a capacidade de manter essa melhora nos volumes nos próximos meses do ano.

Antonio Barreto e Gustavo Troyano, analistas do Itaú BBA, têm recomendação de venda para a ação. Para mudar isso, “precisaríamos ver o desempenho traduzido em melhor Ebitda e desalavancagem operacional”, escreveram eles em relatório. A expectativa do banco é que a ação seja negociada a 25,9x no indicador preço do papel sobre receita em 2019 e 22,9x em 2020.

Na conferência de divulgação de resultados com analistas, o CEO Bernado Pinto Paiva admitiu que o segundo trimestre é mais desafiador, dados os fatores sazonais, mas confia em outros lançamentos, para além da Puro Malte, para o futuro. 

Paladar mais maduro

De todo modo, segundo analistas do Citi, os resultados demonstram uma mudança no movimento de perda de market share para a Heineken que a Ambev vinha apresentando no último ano. Em relatório, os especialistas creditam essa melhora à inovação apresentada, incluindo a criação de 4 novas marcas nos últimos 9 meses – como a própria Skol Puro Malte e a mais barata Nossa, com mandioca.

Segundo o CEO, o mix de portfólio da empresa é a principal estratégia da empresa no momento, com foco em consumidor. “Essa estratégia já está mostrando resultados tangíveis”, disse ele.

As ativações de marcas em eventos pontuais, como o Lollapalooza no Brasil, são iniciativas em que a empresa investe para gerar maior identificação com seus clientes. Na conferência, a empresa anunciou também que irá vender a cerveja alemã Becks nos maiores centros urbanos em que atua. 

A Ambev diz que as marcas premium seguem liderando o crescimento orgânico da empresa, sendo que os rótulos globais (Budweiser, Stella Artois e Corona) cresceram quase 50% no trimestre. O segmento representa cerca de 11% das vendas gerais da empresa. 

“Ainda existe um longo caminho a frente para a tendência de expansão do premium, que irá impulsionar nossos resultados pelos próximos anos”, aposta a empresa, considerando uma evolução do mercado consumidor brasileiro neste sentido. "Estamos ganhando, isso é um fato", disse o CEO. 

Tecnologia

A fabricante de bebidas anunciou também a compra de seu principal fornecedor de TI para otimizar a área de tecnologia.

A melhoria no algoritmo “permitiu a execução da nossa estratégia de portfólio, entregou ganhos, aumentou o volume além de liberar tempo para que a nossa força de vendas possa focar na execução do ponto de venda e no atendimento ao cliente”, escreveu a companhia. Ao lado do aumento da gama dos produtos, essa é outra aposta da Ambev para continuar crescendo. 

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