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Resiliência continua, mas ganho foi "pobre"; o que analistas esperam do futuro da Ambev?

A maior parte dos analistas de mercado avalia que a companhia registrou resultados mais fracos, mas que mostrou uma forte resiliência em seus números apesar do cenário macroeconômico bastante desafiador - contudo, economia segue no radar

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(Divulgação/Ambev)

SÃO PAULO - Maior companhia da Bovespa, a Ambev (ABEV3) registrou um lucro líquido atribuído a participação dos controladores, de R$ 2,950 bilhões, enquanto a receita líquida ficou em R$ 10,745 bilhões. E o que os analistas destacaram sobre o resultado do terceiro trimestre?

A maior parte dos analistas de mercado avalia que a companhia registrou resultados mais fracos, mas que mostrou uma forte resiliência em seus números apesar do cenário macroeconômico bastante desafiador. Conforme destaca o Deutsche Bank, enquanto os investidores de longo prazo imaginam se esta é uma boa hora para comprar um nome de "boa qualidade", o banco não acredita que a relação risco-retorno é atrativa ainda e mantém a recomendação neutra para os papéis. Refletindo este cenário de estabilidade, o dia é de poucas variações para os papéis da companhia: às 15h16 (horário de Brasília), a ação tem alta de 0,37%, a R$ 19,07. 

Um dos pontos de destaque foi a alta de 21,6% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) na comparação anual, para R$ 4,99 bilhões, sendo que o efeito câmbio foi responsável por metade desta alta. 

Porém, conforme destacam os analistas do Bradesco BBI, Gabriel Vaz de Lima e Daniella Chambô Eiger, a qualidade dos ganhos é pobre. Um dos pontos de destaque do balanço no terceiro trimestre, apontam os analistas, foi a venda de cervejas, com alta de 3,5% na comparação anual, ajudada pelas condições meteorológicas, mas notam que houve uma desaceleração do aumento de preços, com alta de 10% versus uma elevação de 15% no último trimestre. O BTG Pactual também destaca o segmento de cervejas, com ganho de participação no mercado, mas com a contrapartida da desaceleração dos preços, sugerindo um trimestre "mais promocional". 

Excluindo o efeito Copa do Mundo, os volumes teriam aumentado 0,8% ao ano, um desempenho descedente dado o ambiente macroeconômico atual. Enquanto isso, o segmento de cerveja premium continua a crescer na casa dos dois dígitos.

Um dos pontos negativos foi a queda na venda de refrigerantes, com baixa de 6% na comparação anual. "A tendência continua a mostrar que os brasileiros, ao contrário dos mexicanos, são muito mais resilientes no segmento de cerveja do que no consumo de refrigerantes", afirmam os analistas.

A percepção é de que os números foram um pouco piores do que o esperado, mas que a Ambev segue resiliente. Contudo, conforme aponta análise do BTG, o cenário segue bastante desafiador dado o cenário macroeconômico, principalmente pela receita líquida. Enquanto isso, a maioria da revisão dos ganhos tem sido impulsionada por conta do efeito-câmbio, que deve ser revertido rapidamente. Porém, os analistas do BTG veem o upside como limitado, o que leva a recomendação neutra com preço-alvo de R$ 20,00. 

A Fator Corretora destaca as melhorias de margens que foram relatadas, auxiliada por controle de custos esforços da empresa. "Acreditamos que haverá pressões de custos em meio aos tempos difíceis na maioria dos países onde a empresa atua, mas também avaliamos que tempos melhores virão e, quando isso acontece, esperamos que eles estejam preparados para expandir mais uma vez sobre as margens. Os fortes resultados de geração de caixa nos levam a manter a nossa recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado) e preço-alvo de R$ 16,00", afirmam os analistas.

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