Vale mira sair de negócio de carvão; BBI rebaixa Sanepar e outras recomendações, política de dividendos da Copel e mais

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta quinta-feira (21)

Equipe InfoMoney

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SÃO PAULO – O noticiário corporativo desta quinta-feira é agitado. Em destaque, a Vale deve realizar uma nova audiência de conciliação com o estado de Minas Gerais sobre Brumadinho. Na véspera, a empresa assinou um acordo permitindo que a Mitsui saia da mina de carvão de Moatize. Isso permitirá a saída da Mitsui dos ativos. A Vale afirma que também pretende deixar os negócios de carvão.

A fabricante de pás eólicas Aeris está perto de fechar negócio de cerca de R$ 2,5 bilhões com a espanhola Siemens Gamesa.

Entre as recomendações, a Sanepar teve a recomendação reduzida pelo BBI, banco que também revisou as suas estimativas para a Sanepar. Confira os destaques:

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Vale (VALE3)

O noticiário corporativo é movimentado para a Vale, com a expectativa de uma nova audiência de conciliação com Minas Gerais para realizar um acordo de reparação sobre Brumadinho (confira os possíveis cenários clicando aqui).

Na véspera, a mineradora assinou acordo com a Mitsui para aquisição da totalidade da participação da empresa japonesa (15%) na mina de carvão de Moatize, em Moçambique, bem como compra dos 50% de participação e todos os créditos minoritários que a empresa detém no Corredor Logístico de Nacala (CLN).

O acerto permitirá a estruturação da saída da Mitsui dos ativos, disse a Vale, ao acrescentar que pretende também desinvestir do negócio de carvão. O acordo prevê que a Vale comprará por US$ 1 a fatia da Mitsui nos ativos de mina e logística. Após o fechamento da transação, a mineradora brasileira consolidará todos os ativos e passivos da CLN, incluindo o project finance do Corredor de Nacala, que tem cerca de US$ 2,5 bilhões de saldo remanescente, explicou a companhia.

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Esta consolidação deve gerar um impacto de US$ 300 milhões por ano nas despesas operacionais relativas à tarifa NLC, que atualmente impactam o Ebitda do segmento de carvão. No futuro, a nova estrutura do Project Finance levará a uma economia potencial de aproximadamente US$ 25 milhões por ano. Essa aquisição está prevista para ser concluída em 2021, dependendo das condições usuais precedentes neste tipo de transação.

“Vemos esse movimento como positivo para a empresa, pois ela se concentra um pouco mais no negócio principal (minério de ferro) e melhora a geração de caixa no longo prazo. Mantemos nossa recomendação de Compra para as ações da Vale”, aponta a XP Investimentos.

O Morgan Stanley também afirma que o anúncio veio mais cedo do que esperava, mas diz não estar surpreso com a decisão da Vale de deixar o negócio de carvão. A gestão havia excluído o carvão do centro de seus negócios, e ressaltado a possibilidade de vender os ativos de Moatize e de logística no futuro.

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O banco estima que o negócio de carvão da Vale deve gerar Ebitda negativo de entre US$ 950 milhões e US$ 1,4 bilhão nos próximos anos. Isso, combinado com a “agenda verde” da empresa, provavelmente explica a decisão, diz o Morgan Stanley. O banco mantém avaliação de overweight (exposição acima da média do mercado) para a Vale, com preço-alvo de US$ 17,30, frente os US$ 17,45 negociados na bolsa de Nova York.

Os investidores também repercutem se o incêndio em um dos carregadores de navios da mineradora  no Terminal Ponta da Madeira (MA), na semana passada, pode impactar a previsão de produção da companhia para este ano.

Recomendação para Vale e siderúrgicas

A Vale também teve a preferência dentre as ações de mineração e siderurgia reiterada pelo Bradesco BBI, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 105 para R$ 120. Contudo, o banco destacou que o momentum é mais forte para as siderúrgicas, com a recomendação para Usiminas sendo elevada para outperform, sendo a nova top pick entre as siderúrgicas, mas também mantendo Gerdau como outperform. O preço-alvo para Usiminas foi elevado de R$ 12 para R$ 20 e de Gerdau foi de R$ 26 para R$ 31.

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Sanepar (SAPR11)

O Bradesco BBI reduziu a recomendação para a unit da estatal paranaense de saneamento Sanepar de neutra para underperform (desempenho abaixo da média do mercado), com preço-alvo de R$ 22, uma queda de 3% em relação ao fechamento de R$ 22,65 da véspera.

Em um relatório bastante enfático, os analistas apontam que a agência reguladora estadual Agepar está a um passo de tornar a Sanepar “ininvestível”, destacando que a proposta de revisão de 2021 convenientemente busca alterar certas regras, destacando o risco de regulamentação com base no estado, “uma dor histórica para o Paraná que pensávamos ser coisa do passado”.

A Sanepar pode perder o benefício fiscal dos proventos de juros sobre o capital próprio, além de ver o  IGP-M sendo substituído pelo IPCA para atualização do valor de ativos de base regulatória (RAB, na sigla em inglês). Além disso, apontam os analistas, a Agepar decidiu recentemente que poderia reavaliar totalmente o RAB duas vezes, um risco único entre as concessionárias listadas, apontam.

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Em 29 de dezembro, o regulador estadual decidiu reduzir pela metade o reajuste tarifário anual de 2020 para 5,11% (de 9,62%) e aplicá-lo em fevereiro de 2021, representando apenas o repasse aos consumidores finais da inflação dos últimos 12 meses + mudanças no custo não controlável, excluída a 4ª parcela do diferimento da revisão de 2017.

A Agepar destacou que a receita perdida de 2020 será incluída para análises como parte da revisão tarifária periódica de 2021 da estatal de saneamento.

Devido às decisões da Agepar, o Bradesco já havia rebaixado recentemente a recomendação da Sanepar de outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado) para neutra (expectativa de valorização dentro da média do mercado). Agora, com a avaliação de que o regulador estadual está próximo a fazer com que se torne impossível de investir na Sanepar, reduziu novamente a recomendação.

Copel (CPLE6)

A Copel, estatal paranaense de energia, aprovou envio de proposta para migração da companhia para nível 2 de governança da Bolsa.

Além disso, também divulgou uma nova política de dividendos, com o objetivo de proporcionar mais transparência e previsibilidade do fluxo de pagamentos de proventos aos acionistas.

Considerando o nível de endividamento, a geração de caixa operacional e o CAPEX, as propostas de dividendos regulares serão calculados conforme os critérios abaixo:

Alavancagem abaixo de 1,5x = 65% do Lucro Líquido Ajustado;
Alavancagem entre 1,5x e 2,7x = 50% do Lucro Líquido Ajustado; e
Alavancagem acima de 2,7x = 25% do Lucro Líquido Ajustado.

Os sinais sobre a política de dividendos da companhia eram aguardados de perto pelo mercado, após a carta do governo do estado paranaense “(i) condicionando a aprovação da migração da empresa do Nível 1 para o Nível 2 de Governança Corporativa na B3 à realização de uma oferta secundária de ações de titularidade do Paraná em conjunto com a oferta a ser realizada pelo BNDESPAR e (ii) solicitando a distribuição de dividendos extraordinários “no maior valor possível levando-se em consideração as necessidades de fluxo de caixa da Copel ao longo de 2021″. Veja mais clicando aqui. 

Dentre os analistas que tinham mostrado preocupação, estavam os da XP que, contudo, destacaram ter uma visão positiva dos anúncios da Copel, pois sinalizam avanços bem-vindos em governança corporativa que ganham ainda mais importância após elevação da percepção de risco após a divulgação recente da carta do governo paranaense.

“Também vemos como positiva a nova política de dividendos. Nas nossas estimativas, as distribuições segundo a nova política implicam um dividend yield médio de 13,3% em 2020-2021. Também vemos como positiva a mensagem da companhia de que a distribuição de dividendos extraordinários em relação às reservas de lucros mencionada na carta do acionista controlador obedcerá os parâmetros da nova política de dividendos. Temos recomendação de compra nas ações da Copel com preço-alvo de R$ 75 por ação”, apontaram os analistas Gabriel Francisco e Maira Maldonado.

Cury (CURY3)

A construtora Cury atingiu R$ 448,1 milhões em vendas contratadas brutas, 20,6% acima frente os últimos três meses de 2019, informou a companhia em prévia operacional.

Nos últimos três meses do ano,  foram lançados 6 empreendimentos, com um VGV total de R$ 675 milhões, sendo 5 localizados em SP e 1 localizado no Rio de Janeiro. No acumulado do ano foram lançados 17 empreendimentos, totalizando um VGV de R$ 1,541 bilhão.

O Itaú BBA afirma que a empresa manteve velocidade saudável de vendas, a 35,1%, mesmo com o recorde de lançamentos.

Os preços por unidade foram em média de R$ 195 mil, próximo ao teto do Minha Casa Minha Vida. E a empresa foi bastante ativa na aquisição de terrenos, elevando o seu banco de terreno a R$ 10 bilhões, alta de 19% frente o trimestre anterior, e de 91% na comparação com o mesmo período de 2019.

O banco mantém avaliação de outperform, com preço-alvo em 2021 a R$ 15,8, frente R$ 11,56 da véspera.

São Martinho (SMTO3)

A São Martinho, por sua vez, informou que seu conselho de administração aprovou a implantação de uma fábrica de etanol de milho em Quirinópolis (GO), com investimentos estimados em cerca de R$ 640 milhões e início da operação previsto para novembro de 2022.

Aeris (AERI3)

A fabricante de pás eólicas Aeris está perto de fechar negócio de cerca de R$ 2,5 bilhões com a espanhola Siemens Gamesa, afirma o jornal Valor. O contrato é válido até 2023, e prevê o fornecimento de pás eólicas com capacidade para produzir três gigawatts de energia elétrica.

Hypera (HYPE3)

A Hypera Pharma comunicou que o Cade aprovou a aquisição de medicamentos da Takeda Pharmaceutical International, condicionada à venda do produto Xantinon.

Eternit (ETER3)

A Eternit, em recuperação judicial, comunicou ao mercado que, com o aumento de capital realizado em 2020, deu prosseguimento ao programa de modernização das unidades de fibrocimento, incluindo a fábrica de Manaus, através dos projetos de ampliação das unidades de Goiânia e Rio de Janeiro.

A unidade de Goiânia terá sua capacidade elevada para 25 mil toneladas/mês, alta de 25% na produção atual, com previsão de conclusão no início de 2022. A unidade do Rio de Janeiro terá sua capacidade elevada para 15 mil toneladas/mês,  aumento de 15% na produção atual, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2021.

Setor imobiliário

O Credit Suisse realizará na semana que vem, de 26 de janeiro, uma conferência sobre o setor de construção na América Latina. O banco preparou uma atualização sobre suas teses para o setor e uma série de questões “para ajudar investidores a se beneficiarem de nosso universo de cobertura”.

brMalls, Multiplan, Iguatemi, Aliansce Sonae, BR Properties, Cyrela, EZTec, Even, Moura Dubeux, MRV e Direcional deverão ter executivos no evento.

Na avaliação do banco o segmento de construção voltado para a renda média está vivendo seu melhor momento operacional em uma década, devido a baixas taxas hipotecárias.

As empresas não esperavam a alta de demanda, por isso o número de lançamentos fica aquém das vendas nos primeiros 9 meses de 2020. O banco diz esperar que os ganhos sejam impulsionados pela receita e por aumentos das margens.

O banco mantém avaliação de outperform para Cyrela, EZ Tec, Even e Moura Dubeux. O banco avalia que as empresas voltadas a clientes de baixa renda também estão batendo recordes de lançamentos e vendas. Mesmo assim, o bom momento se deve a uma demanda resiliente, e a ganhos de participação de mercado. O banco tem uma visão menos otimista do setor devido a pressões de custos, e mantém avaliação neutra para a MRV e outperform para a Direcional.

O setor de shoppings surpreendeu o Credit positivamente, com aumento das vendas mais rápido do que o esperado após a reabertura, atingindo 85% do nível pré-covid. As empresas estão removendo restrições aos aluguéis, o que permite a volta do fluxo de caixa. Agora, a recuperação depende da duração da segunda onda de covid, e do ritmo de vacinação. O banco mantém avaliação de outperform para Multiplan e Iguatemi, e neutra para a BR Malls.

O banco avalia que o setor de aluguel de propriedades sofreu menos que outros segmentos, à medida que a maior parte dos locatários continuou a pagar aluguéis. O setor de espaços de escritórios deve ter um ano de aumento de vacâncias e queda de aluguéis em termos reais. O banco tem uma visão negativa sobre o setor. Mas mantém uma avaliação de outperform para a BR Properties devido à qualidade do portfólio.