Em usiminas

Ação que já saltou 680% agora celebra a paz entre acionistas - e perspectivas aumentam ainda mais

Acordo inesperado entre Nippon e Ternium na Usiminas deve aumentar governança corporativa e elevar foco dos acionistas na empresa - o que pode levar a uma reclassificação dos ativos da empresa

Pomba
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Se os acionistas da Usiminas (USIM5) já estavam sorrindo de orelha a orelha com o impressionante desempenho de 678% nos últimos dois anos, a noite da última quinta-feira (9) trouxe mais boas notícias. 

A companhia informou que as suas principais acionistas, a ítalo-argentina Ternium e a japonesa Nippon, fecharam um acordo inicial para estabelecer novas regras em suas relações e terminar a briga que se arrastava há cerca de quatro anos na siderúrgica. 

Um dos principais aspectos do conflito entre os dois grupos tratava do direito de indicar o principal executivo da empresa. Ontem, Ternium e Nippon divulgaram que cada parte irá nomear o presidente do conselho e o diretor-presidente da companhia por dois mandatos consecutivos de dois anos - ou seja, por até quatro anos. 

Inicialmente, a Nippon terá o direito de escolher o presidente do conselho da Usiminas, enquanto a Ternium apontará o diretor-presidente da empresa. Os nomes escolhidos agora poderão ficar no cargo até 2022. A partir de então, a relação se inverte: a Nippon escolherá o executivo que tomará conta do dia a dia dos negócios, enquanto a Ternium definirá o líder do conselho de administração. Dentro desse acordo, a Ternium pretende manter no cargo o atual diretor-presidente, Sérgio Leite, enquanto a Nippon deve nomear Ruy Hirschheimer presidente do conselho - o executivo foi presidente da Electrolux na América Latina e também comandou a trading Bunge no País. Inicialmente os mandatos vão até 2020, mas poderão ser renovados por mais 24 meses.

As ações estão registrando queda no pregão desta sexta-feira, seguindo o movimento da bolsa brasileira e o ambiente de maior cautela pré-carnaval, mas chegaram a subir 5% no início do pregão em meio às avaliações positivas. 

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Inesperado e positivo
Segundo a avaliação do Credit Suisse, o acordo foi inesperado, amigável e deve agregar muito valor à companhia. Tanto o Credit quanto o Bank of America Merrill Lynch destacaram que a disputa dos acionistas da Usiminas era um ponto negativo para o investidor. "Esperamos que o foco mude completamente para os fundamentos fortes da Usiminas", aponta o BofA, enquanto o Credit aponta que a notícia deve fazer com que a "Usiminas que 100% na operação, depois de 4 anos de distrações".

Com o acordo de acionistas, a expectativa é de que haja uma reclassificação  entre 0,5 vez a 1 vez da relação entre EV (valor da empresa) e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), segundo o Bradesco BBI. Ou seja, entre 10 e 15% de potencial de valorização.

Nesse cenário, a expectativa é de uma boa performance para o mercado, mas o Credit Suisse destaca um outro ponto: o prêmio das ações ordinárias em relação às preferenciais.  Desde o início das disputas, em 2014, os prêmios variaram entre 2% e 520% e atualmente se estabilizaram em 18%. Considerando que as novas regras de governança indicam que uma cláusula de saída só seria válida 4 anos e meio após a eleição do conselho executivo, em maio de 2018, e que os controladores não podem adquirir USIM3  no mercado livre, parece claro aos analistas o espaço para fechamento no prêmio entre USIM5 e USIM3. 

Vale destacar que, na semana passada, o Credit apontou que os papéis do setor siderúrgico, mesmo com a forte alta recente, não estão totalmente precificados, sendo que uma das "menos precificadas" era justamente a Usiminas. A ação teve a recomendação elevada de neutra para outperform (desempenho acima da média do mercado), com o preço-alvo aumentando de R$ 9 para R$ 16.

Para os analistas, a expectativa para 2018 é de um robusto momentum de preços. Para os anos de 2018 a 2020, a estimativa é de que será o maior nível de demanda por aço desde 2014, algo que eles não veem precificado nos papéis do setor. A Usiminas aparece como a top pick do setor de mineração e siderurgia do banco, mesma classificação do Bradesco BBI. Se o cenário já era positivo para a empresa, a sinalização dos principais acionistas de que deverão pensar de forma coordenada na siderúrgica devem apontar para um cenário ainda mais positivo para a Usiminas. 

Vale ressaltar que a Usiminas está na Carteira InfoMoney desde setembro de 2017 e já subiu mais de 70% desde então e foi mantida na carteira de fevereiro, com fatia de 4,7%. A carteira já estava disponível aos alunos do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora" desde 1 de fevereiro (não conhece o curso? Clique aqui!). Para o público em geral, a carteira ficou disponível para download nesta quinta-feira (8) na página do guia Onde Investir 2018. Confira o portfólio completo clicando aqui.  

Vale destacar ainda o resultado do primeiro trimestre. Segundo o BTG, o resultado veio um pouco abaixo do lado operacional, apesar da geração de caixa bem forte (empresa gerou mais de R$ 450 milhões de fluxo de caixa livre – o que é o resultado mais forte dos últimos tempos). Porém, os números não refletem toda melhora de preços e operacional esperado para 2018, avaliam. Assim, em meio a perspectiva já positiva que havia de evolução nos resultados somada aos novos tempos com os acionistas "fazendo as pazes", o cenário que se desenha para a siderúrgica é ainda mais positivo. 

(Com Agência Estado)

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