Riscos: o que pode prejudicar o desempenho da sua empresa?

Muitos deles só ficam evidentes à medida que você define a área de atuação da sua empresa; que tal conhecê-los?
 
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Ter perfil de empreendedor, escolher sócios com os quais tem uma boa afinidade de trabalho, investir constantemente na sua capacitação enquanto empresário e, é claro, planejar a abertura do seu negócio estão entre os pontos mais importantes para garantir o sucesso do seu novo empreendimento.

Ainda que deixar de dedicar tempo suficiente a qualquer um destes pontos possa prejudicar o seu negócio, eles não podem ser considerados fatores de risco, já que você, enquanto empresário, pode evitá-los.

O mesmo não acontece com outros fatores, como a sazonalidade de vendas, por exemplo. Esses eventos, que não podem ser evitados pelo empresário, são denominados fatores de risco. Muitos deles, contudo, só ficam evidentes à medida que você define a área de atuação da sua empresa, como veremos abaixo:
  • Sazonalidade
    Em geral, pode-se dizer que uma empresa corre risco de sazonalidade quando a procura pelo produto, ou serviço, que ela oferece aumenta ou diminui significativamente em determinadas épocas do ano, o que acaba sendo refletido nas vendas.

    Ainda que quase todo negócio esteja sujeito a algum tipo de sazonalidade, alguns sofrem uma influência mais definida do que outros, como é o caso, por exemplo, das pousadas, sorveterias etc. Negócios sujeitos à grande flutuação na procura e, conseqüentemente, nas vendas, são mais arriscados, e por isto mesmo exigem um planejamento mais detalhado.

    Cabe ao empresário identificar a melhor forma de proteger o seu negócio da flutuação nas vendas. Neste sentido, existem várias alternativas que envolvem desde fechar as portas em épocas de negócio fraco, contratar mão-de-obra temporária, ou simplesmente aproveitar as épocas de vendas mais fracas para montar estoques para as épocas de pico nas vendas.

  • Setores em estagnação
    Outro risco bastante comum é o de abrir uma empresa em um setor que está estagnado ou até mesmo em retração. Apesar disto parecer óbvio, a estagnação, ou retração, nem sempre é evidente no início. Até porque muitos setores que estão nessa situação já experimentaram forte crescimento, o que acabou atraindo um número excessivo de participantes. O grande número de empresas acaba fazendo com que a oferta do produto supere a procura, o que, por sua vez, contribui para o aumento da competição do setor.

    É importante distinguir estagnação de sazonalidade. Nos negócios sazonais, as vendas da empresa podem cair em determinada época do ano, mas isto não significa que esta queda seja permanente. Nos setores estagnados, entretanto, a queda nas vendas reflete o excesso de oferta do produto e pode ser permanente.

  • Controle governamental
    De maneira geral, os setores onde o controle governamental é forte são mais arriscados para se atuar, pois as regras podem mudar com a troca do Governo. Exatamente por isto, estes são segmentos da economia que não são recomendados para pequenos empresários.

    Outra situação que merece cuidado é quando a sua empresa presta serviços, ou vende produtos, para uma empresa com controle governamental. Além do risco de concentração das vendas, visto que as empresas governamentais tendem a ser grandes e podem responder por uma parcela significativa do faturamento, existe o risco de se perder o cliente devido a eleições, crise etc.

    Muitas vezes, durante a mudança de Governo, as empresas governamentais, mesmo estando satisfeitas com seus fornecedores, acabam sendo forçadas a rever contratos ou cortar custos de uma hora para outra.

  • Barreiras de entrada
    Por barreiras à entrada podem ser classificados os obstáculos que dificultam o ingresso de uma empresa nova no mercado. Dentre os exemplos mais comuns podemos citar: investimento inicial elevado, conhecimento técnico muito especializado, existência de marcas e patentes que dificultam a legalização da empresa, exigência de licenças especiais ou simplesmente dificuldade de obtenção de matéria-prima.

    Desconfie de setores onde existem poucos participantes, pois é possível que isso seja reflexo da dificuldade de novos empreendedores se instalarem (existência de barreiras de entrada). A presença de monopólios ou oligopólios pode ser considerada uma barreira de entrada. Neste tipo de situação, a importância e tamanho de algumas poucas empresas no mercado criam uma situação de desigualdade, pois estas conseguem obter condições mais favoráveis com fornecedores, distribuidores etc.

  • Crise político-financeira
    A instabilidade política do país pode levar a uma crise na economia, e vice-versa. Exatamente por isto é muito difícil falar de risco político sem falar de risco econômico, e vice-versa, e o empreendedor precisa estar preparado para este tipo de situação.

    Afinal, uma crise política pode causar mudanças bruscas na tendência dos juros, comprometendo o crescimento da economia e, conseqüentemente, a geração de renda e a capacidade de consumo da população. Ainda que o menor crescimento da economia prejudique todos os setores, alguns são mais penalizados do que outros.

    Um exemplo disto é a indústria de alimentação. Independente da crise, as pessoas comem; a diferença é que deixam de ir ao restaurante e passam a comprar produtos mais baratos nos supermercados. Portanto, pode-se dizer que os restaurantes estão mais expostos a uma queda da atividade econômica do que os supermercados.

    Como no Brasil as crises políticas e econômicas são freqüentes, é preciso saber minimizar o seu impacto nas atividades da sua empresa. Para tanto, abaixo listamos alguns cuidados que devem ser tomados nas épocas de crise:

    • Mantenha uma reserva mínima para garantir necessidade de caixa da empresa;

    • Prepare sua empresa para quando a economia retomar seu crescimento;

    • Dimensione a estrutura da sua empresa, de forma a atuar adequadamente na época de recessão e estar preparada para crescer quando for preciso;

    • Mantenha um bom relacionamento com fornecedores na época de crise, de forma a não comprometer o fornecimento quando a economia voltar a crescer.
Antecipar riscos é uma das atribuições importantes de qualquer empresário. Estar preparado para enfrentá-los é uma necessidade para quem quer ser bem-sucedido.
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