SÃO PAULO - O leilão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) repassou a administração de três aeroportos para a iniciativa privada: Guarulhos, Brasília e Viracopos. A Triunfo (TPIS3) conquistou a concessão do aeroporto de Viracopos, por meio do consórcio Aeroportos do Brasil. A Planner Corretora, no entanto, enfatiza o temor pela aquisição, devido ao valor pago na operação e sua capacidade de geração de valor.
"Considerando apenas as premissas públicas, a taxa de retorno do projeto estaria abaixo dos 6,5%", diz o analista Rafael Andreata. Para a corretora existem outros pontos que trazem riscos ao projeto e para as premissas de crescimento de tráfego, que são os custos elevados e dependentes de projetos paralelos, como o acesso a Viracopos por trem.
Avaliando a operação, nos próximos dois anos o consórcio precisaria desembolsar cerca de R$ 830 milhões em investimentos, além de pagar anualmente o valor de R$ 127 milhões, corrigido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), referentes à concessão. "Assim, a parcela da Triunfo (45%) em relação aos investimentos será de R$ 373,5 milhões nos próximos dois anos", calcula Andreata.
Dados operacionais
A Triunfo encerrou o terceiro trimeste de 2011 com uma dívida líquida superior a R$ 1 bilhão, o que representa cerca de 3,3 vezes sua geração operacional de caixa. Desconsiderando Viracopos, a Planner projeta para a Triunfo uma dívida líquida de R$ 1,2 bilhão em 2013, uma vez que segue em curso o projeto da Usina de Garibaldi, que deve exigir investimentos mais elevados entre 2012 e 2013.
Diante disso, somando as necessidades de Viracopos, “acreditamos que a empresa ainda deverá continuar com um nível próximo de 3 vezes seu Ebitda, já que não acreditamos em um aumento significativo do Ebitda de Viracopos nos próximos dois anos”, finaliza a corretora.