SÃO PAULO - O indicador de risco país registrou alta de três pontos-base, atingindo 217 pontos nesta quinta-feira (2). O noticário externo permaneceu em destaque, com a China mostrando interesse em ajudar a Europa. Além disso, a agência de classificação de risco, Standard & Poor's afirmou que a Zona do Euro deverá superar a recessão já no segundo trimestre deste ano. Contudo, o discurso do presidente do Federal Reserve não animou, o que contribuiu para balancear o humor os investidores nesta data.
Outro ponto a favor para os investidores foi a sinalização dos governos europeus acerca da possibilidade de aceitar prejuízo com a dívida grega. O movimento aconteceria pois as perdas planejadas por credores privados não seriam suficientes para o país escapar a crise da dívida, segundo o jornal alemão Handelsblatt, citando como fontes altos diplomatas da União Europeia.
Discurso do Bernanke
O presidente do Fed, Ben Bernanke, afirmou nesta quinta-feira que as condições gerais da economia do país melhoraram, embora em ritmo de recuperação "frustantemente lento". Além disso, Bernanke também afirmou que a dívida pública está se tornando um problema cada vez maior para o país.
Ainda no front norte-americano, os dados econômicos vieram positivos, com o Initial Claims reportando recuo de 12 mil pedidos de auxílio-desemprego na passagem semanal. O indicador veio levemente abaixo da média das projeções de 375 mil. Ainda por lá, o Departamento de Trabalho revisou o Productivity & Costs, que teve avanço anual de 0,7% no setor manufatureiro, em linha com a média de projeções do mercado.
Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou em alta de 0,02% na noite desta quinta-feira, cotado a 133,00 centavos de dólar.
Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 217 pontos-base.
O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global.
Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.
Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.