SÃO PAULO – Em relatório sobre o setor de papel e celulose, o Barclays avalia que a alavancagem da Suzano (SUZB3) deve continuar elevada nos próximos anos. Considerando os investidores otimistas demais com os efeitos da possível alta da celulose, o banco traça alternativas para reduzir o endividamento da empresa, embora admita que nem com um aumento de US$ 50 por tonelada de celulose os múltiplos e a taxa de alavancagem da empresa diminuíriam.
De acordo com as estimativas do banco inglês, a empresa necessitará de cerca de R$ 3,9 bilhões entre 2012 e 2013 para suprir os investimentos com manutenção e amortizar a sua dívida, número que sobe para R$ 8,9 bilhões se considerada a expansão do moinho Maranhão. No mesmo período, entretanto, a empresa dever gerar um caixa de apenas R$ 1,2 bilhão.
Aceleração da desalavancagem
A equipe de análise do Barclays, liderada por Pedro Grimaldi, afirma que, apesar de não saber os detalhes do financimaneto, a Suzano poderia efetuar uma rolagem de seus débitos no curto prazo, de cerca de R$ 2,9 bilhões. “Acreditamos que a empresa vem explorando diversas opções para solucionar essa questão, como a venda de ativos não essenciais e de negócios ligados a papel, além de parcerias para desenvolver projetos de expansão”, segundo Grimaldi.
Outra opção, na opinião do banco, seria retardar seus projetos de expansão. Entretanto, o Barclays acredita que essa não seja a melhor alternativa, devido aos altos custos relacionados à sua execução.
Aumento no preço da celulose
O banco inglês acredita que cerca de 44% do Ebitda (geração de caixa operacional) estimado para este ano deve vir do negócio de celulose. Desta forma, a potencial recuperação de seu preço poderia levar a uma rápida desalavancagem e múltiplos mais baixos.
Entretanto, Grimaldi acredita que os investidores têm sido excessivamente otimistas sobre os impactos positivos desse aumento para a companhia. “Mesmo se considerarmos um aumento no preço da celulose de US$ 50 por tonelada, para US$ 752/ton, seus múltiplos e sua taxa de alavancagem continuariam altos”, diz.