SÃO PAULO - Levando-se em conta o resultado do terceiro trimestre, as projeções econômicas e a queda no preço da celulose, a Ágora decidiu cortar o preço-alvo para as ações da Suzano Papel (SUZB5). Além disso, as estimativas de balanço para este e o próximo ano também foram reduzidas, mas a recomendação continua sendo de compra.
O cálculo de valor dos papéis para dezembro de 2012 ficou em R$ 12,20, 28% menor do que anteriormente. Até outubro, a corretora estimativa um preço de R$ 23. Com as mudanças na avaliação, o potencial teórico de valorização foi a 78,62%, frente à cotação registrada em 22 de dezembro.
Celulose desvalorizada
Luiz Otávio Broad, analista do setor para a Ágora, explica que a crise na Zona do Euro foi grande responsável pela diminuição de receitas da Suzano. Isso porque o preço, que estava próximo a US$ 820 a tonelada no terceiro trimestre, hoje já alcança os US$ 650. A alteração fez a expectativa do especialista cair, e a nova projeção de valores é de US$ 750 por tonelada em 2012, contra os U$ 800 anteriores.
A queda deve trazer a receita líquida da empresa para patamares 1,5% menores do que o estimado, a R$ 4,67 bilhões neste ano. Já no próximo, o faturamente pode registrar R$ 4,53 bilhões, 10,9% menos. O Ebitda (geração operacional de caixa) também virá menor, na visão de Broad. A previsão é de R$ 1,11 bilhão em 2011 - redução de 10% - e R$ 1,16 bilhão em 2012 - corte em 22%.
Para finalizar, o relatório mostra que, se na avaliação anterior a corretora estimava lucro para a companhia nos dois anos, agora espera prejuízo. A Suzano pode finalizar dezembro com um resultado acumulado negativo de R$ 97 milhões, e 12 meses depois, esse número deve ser melhorado levemente, a R$ 33 milhões.
Alta alavancagem
A Ágora acredita que, a fim de manter seu alto nível de alavancagem em termos saudáveis, ou 3,5x de proporção entre dívida líquida e Ebitda, a produtora de papel e celulose terá que captar recursos. O montante necessário, no cálculo do analista, é de R$ 3,6 bilhões, aproximadamente, até 2013. Esse levantamento deverá ser feito através da venda de ativos.
Entre os negócios passíveis de alienação, estão uma participação na hidrelétrica de Capim Branco, em Minas Gerais, além de florestas e terrenos localizados no estado de São Paulo. A avaliação de Broad é de que o valor conseguido com essas vendas chegaria a R$ 620 milhões.
A fim de completar o saneamento financeiro, a Suzano ainda poderia ter que comercializar ativos da área de papel, e a corretora indica a unidade de cartão para tal. Também seria necessário “encontrar algum sócio para a nova planta de celulose no Maranhão”, finaliza o documento.