SÃO PAULO - Resultados mais fracos que o esperado. Esta foi a conclusão de analistas do Banco Fator e do Itaú BBA diante dos dados do quarto trimestre de Souza Cruz (CRUZ3), divulgados na última segunda-feira (13).
A empresa revelou um lucro líquido consolidado de R$ 1,6 bilhão no período, 10% superior ao auferido no ano anterior. Ainda segundo o documento, os investimentos da empresa chegaram à cifra de R$ 215,9 milhões no último ano.
“A Souza Cruz informou vendas mais fracas do que o esperado e também as margens Ebitda inferiores às esperadas, explicadas principalmente pelo nossa subestimação das despesas administrativas”, dizem as analistas do Itaú BBA, Juliana Rozenbaum e Francine Martins. Deste modo, Juliana e Francine projetam preço-alvo de R$ 28,00 para as ações, um upside de 22,53% frente ao último fechamento, quando as ações valiam R$ 22,85.
Na mesma linha, estão os analistas da Fator Corretora. “Apesar do razoável crescimento na geração de caixa, entendemos que o resultado foi fraco e deverá impactar negativamente as ações da empresa no curto prazo, pois serão necessários resultados consideravelmente superiores ao apresentado para sustentar as ações da companhia no atual patamar de preços”, projetam Renato Prado e Ronaldo Kasinsky.
Segundo eles, aumento adicional na carga tributária, com o impacto positivo na avaliação da companhia, também deve ser considerado como fator capaz de sustentar a cotação das ações no atual patamar de preço.
Assim, os especialistas da Fator dizem que o principal ponto que deverá ser acompanhado de perto pelos investidores é o aumento da participação de produtos premium no segmento cigarros e um potencial aumento na carga tributária. “O aumento no preço médio é o ponto determinante na avaliação da companhia”, explicam.
Pontos positivos
Apesar de um Ebitda de 12,4%, aquém das estimativas e abaixo do consenso de 7%, os analisas da corretora do Itaú fazem uma ressalva. “O lucro conseguiu ficar em linha com nossa previsão, graças a uma menor taxa de imposto efetiva”.
O aumento no preço médio líquido da venda do maço na comparação anual, que determinou aumento de margem Lajida (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) acima da margem, também foi destacado. Segundo os analistas, a melhora no mix de venda de cigarros levou a uma alta no preço médio e, assim, favoreceu a margem bruta.
Contudo, a Fator estima um preço-alvo de R$ 20,67 para as ações da Souza Cruz, um desconto de 10,54% sobre o último fechamento.