SÃO PAULO - O Bank of America Merrill Lynch reiniciou a cobertura da Souza Cruz (CRUZ3), com recomendação neutra para os ativos da companhia. O preço-alvo para os próximos 12 meses é de R$ 26,00, o que configura um potencial de valorização de 12,31% em relação ao fechamento de quarta-feira (8).
Os analistas Fernando Ferreira e Isabella Simonato consideram a companhia como uma das mais bem-sucedidas do Brasil, ressaltando a forte participação no mercado de tabaco e o poder para determinar preços.
Outras qualidades que os analistas observam são os altos retornos, com ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de mais de 80% e ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) maior que 150%. Além disso, os ganhos são estáveis e o pagamento de dividendos é considerado "muito consistente" pelo BofA.
As novas medidas de regulamentação realizadas pelo governo, visando reduzir o mercado ilícito de cigarros no Brasil, também podem ser positivas para a empresa, avaliam Ferreira e Simonato. Além disso, os ganhos de renda da população brasileira podem aumentar o consumo do tabaco de categorias "premium", que ainda têm pouca participação no mercado interno. Por fim, os analistas ressaltam os preços dos cigarros no País, que ainda são considerados "baratos e acessíveis".
Medidas antifumo têm impacto restrito
O Brasil tem uma das políticas anti-tabaco mais duras do mundo, com a proibição de comerciais, além de aumento de taxas e uso obrigatório de alertas sobre os perigos para a saúde do produto em embalagens. "Porém, essa regulação tem gerado pouco impacto sobre a Souza Cruz, à medida que a companhia tem sido capaz de repassar os impostos aos preços com uma diminuição pequena do volume consumido", avaliam os analistas.
A tendência de diminuição de fumantes per capita no País e a intensificação de medidas para combate ao fumo, entretanto, constituem riscos para a empresa.