Por Lara Rizério Em sanepar  20 mar, 2017 11h06

CEO da Sanepar "cruza os braços" em semana chave e ações da companhia caem quase 10%

Em entrevista ao Valor, presidente da estatal paranaense Mounir Chaowiche não deu sinais de lutará por melhores condições da revisão tarifária 

Por Lara Rizério Em sanepar  20 mar, 2017 11h06

SÃO PAULO - As ações da Sanepar (SAPR4) têm mais um dia de derrocada na Bovespa. Às 10h57 (horário de Brasília), os ativos SAPR4 têm queda de 9,46%, a R$ 10,14, Desta vez, a forte queda ocorre após a entrevista do presidente da estatal paranaense Mounir Chaowiche ao jornal Valor Econômico. Vale destacar que os próximos dias serão chave para a companhia: na próxima sexta-feira, ocorrerá a audiência pública de revisão tarifária. 

Chaowiche afirmou que, após a decisão surpreendente da Agepar de parcelar em oito anos o reajuste de 25,6% de tarifa da estatal de saneamento, a empresa decidiu que não vai se manifestar contra a determinação nos períodos de audiência e consulta públicas para discutir o processo de revisão tarifária. Apesar da recepção ruim, Chaowiche disse que "estamos satisfeitos é pelo fato de a agência ter reconhecido o índice" e ainda ponderou que não há comprometimento da capacidade de investimentos da empresa uma vez que o reajuste a ser aplicado nos próximos anos será corrigido pela Selic

O executivo atribuiu o tumulto que a notícia gerou à falta de familiaridade com o tema. "O que tivemos foram vários investidores, os mais novos, que talvez não estivessem muito acostumados como tratar de revisão tarifária". 

Conforme destaca o Itaú BBA, a entrevista não esclarece se a empresa acredita que o reajuste inicial de 5,7% é justo. Contudo, os analistas apontam que, dado o discurso moderado, as ações SAPR4 continuarão a sofrer uma vez que claramente a gestão e os investidores têm uma visão diferente sobre o período de diferimento de 8 anos e o reajuste inicial - dois fatores que decepcionaram o mercado sobre o reajuste.

"Nós vemos tal discurso como negativo dado que estávamos esperando uma postura mais vocal da companhia a fim de melhorar o resultado de seu primeiro ciclo de reajuste tarifário. Tudo isso dito, acreditamos que a Sanepar continuará a sofrer nos próximos dias mas também destacamos que, quando o nome começar a negociar em um cenário de maior racionalidade, o piso de avaliação justo será perto do nível de R$ 12,00", apontam os analistas do banco. 

Já Marcos Peixoto, da XP Gestão, destacou que o "mercado ainda tinha uma esperança que a empresa fosse brigar por uma melhora e o CEO acabou por 'enterrar' essa chance. Agora vai ser o mercado sozinho versus regulador. As chances ficam menores".

Sanepar
(Divulgação/Sanepar)

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