SÃO PAULO - As diretrizes da Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) para a metodologia da revisão tarifária da Sabesp (SBSP3) foi considerada uma boa notícia pelo Itaú BBA, Santander e Citi Corretora. O conteúdo da nota técnica, divulgada pela agência reguladora sobre o assunto, será objeto de debate em Audiências Públicas entre 14 e 31 de março.
De acordo com os analistas Fernando Siqueira e Hugo Rosa, da Citi Corretora, a divulgação dessa nova metodologia é positiva, pois sinaliza que a definição da metodologia da revisão tarifária está evoluindo dentro do prazo esperado. "Além disso, a nota técnica da Arsesp confirma que a metodologia de revisão tarifária da Sabesp será muito parecida com a utilizada para empresas de distribuição de energia elétrica", complementam, notando que o marco regulatório do setor é bastante eficaz em estimular investimentos e a eficiência dos custos.
Para os analistas do Itaú BBA, Marcos Severine, e do Santander, Marcio Prado, Danilo Vitti e Carolina Carneiro, a mudança na periodicidade das revisões - de cinco anos ante o prazo de quatro anos - foi positiva. Para Severine, isso permite que a companhia incorpore os ganhos operacionais durante um período maior, o que também é ressaltado pela equipe de análise do Santander. O maior prazo para amadurecimento dos projetos e para melhora da eficiência de custos foram destacados pela equipe do banco.
Maior incentivo aos investimentos
Siqueira e Rosa afirmam, por sua vez, que entre os detalhes mais interessantes da metodologia proposta pela Arsesp está o incentivo da companhia em acelerar seus investimentos, através da incorporação dos mesmos nas tarifas antes do efetivo desembolso. A Sabesp se beneficiará ao manter a remuneração extra referente aos investimentos feitos com eficiência, o que é importante para a companhia, já ela possui como meta a universalização dos serviços de esgotamento sanitário, afirmam.
Do lado positivo, Severine afirma que o cálculo da base de ativos considerados na revisão - que deve incorporar o capex estimado para os anos seguintes, até a próxima revisão tarifária - também deve ser positiva, já que a antecipação do investimento deve levar a um aumento maior das tarifas.
Porém, o analista afirma ainda que há indefinição nas bases de ativos que serão considerados na revisão tarifária. "Além disso, a revisão deve acontecer em setembro, perto das eleições municipais, o que diminui a possibilidade de reajuste muito altos", completa.
Recomendações divergentes
Para Siqueira e Rosa, a evolução na definição do marco regulatório deve continuar impulsionando a performance das ações da Sabesp. De acordo com os analistas, apesar da forte alta recente, ainda há um gap importante no valuation da companhia em relação às empresas do setor elétrico.
Os analistas Siqueira e Rosa possuem recomendação de compra para os ativos SBSP3, com um preço-alvo para janeiro de 2013 de R$ 60,70 - o que configura um potencial de valorização de 12,3% em relação ao fechamento de sexta-feira (20). "Nossa recomendação de compra se fundamenta na expectativa de que este gap se feche na medida que a metodologia de revisão tarifária seja definida, o que vemos acontecendo ainda em 2012", concluem.
O Santander também reiterou a recomendação de compra para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 59,81 por papel - o que configura um potencial de valorização de 10,39% frente ao fechamento de sexta-feira, mantendo uma perspectiva positiva para a empresa.
Já Severine possui recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado), com preço-alvo para janeiro de 2013 de R$ 51,00 - com um downside de 5,87% em relação ao mesmo período de fechamento. O analista mantém uma visão cautelosa sobre a companhia, especialmente após a alta recente dos papéis.