SÃO PAULO - A Europa, vista do ponto econômico como uma das regiões mais ricas e desenvolvidas do mundo, agora assusta o mercado, diante do problema fiscal de alguns países do continente. Diante deste cenário de incertezas, vale a pena entender o que acontece por lá.
A formação de uma crise financeira na Zona do Euro tem como explicação principal o descontrole das contas públicas, sobretudo de países periféricos, e as particularidades políticas do continente. Simplificando, alguns países gastaram mais dinheiro (muito em função das soluções encontradas para enfrentar a crise de 2008) do que conseguiram arrecadar por meio de impostos nos últimos anos.
Ao se financiarem, os governos passaram a acumular dívidas, quebrando diversas regras que foram implementadas quando da criação do euro. Por exemplo, na época os membros do bloco limitaram a relação da dívida pública sobre o PIB (Produto Interno Bruto) a 60%, o que foi ultrapassado por muitos países da região desde 2008.
A turbulência do mercado surge da desconfiança de que estes países tenham dificuldade em manter esta situação por longo tempo, o que poderia levar a um default (calote) de seus títulos de dívida. Cabe destacar que a constituição do euro refere-se a união monetária dentro da União Europeia, sendo que o rumo da política fiscal é independente em cada país.
Herança de 2008
O mercado começou a desconfiar da solidez europeia em 2007 quando surgiram suspeitas de que o mercado imobiliário norte-americano vivia uma bolha. Os agentes começaram a temer que bancos dos EUA e também da Europa possuíssem ativos arriscados, lastreados em hipotecas de baixa qualidade.
Com a chegada da crise de 2008, o pressentimento foi confirmado, levando os governos a injetarem trilhões de dólares nas economias dos países mais afetados. No caso da Europa, a iniciativa agravou os déficits nacionais, já bastante elevados.