Em petrobras

Empolgação com novo CEO ou apenas correção, o que explica a disparada das ações da Petrobras?

Ações sobem mais de 8% nesta segunda, mas ainda não recuperam nem as perdas da última sexta-feira

Ivan Monteiro
(Alan Santos/PR)

SÃO PAULO - Após desabar 15% apenas da última sexta-feira (1) e 35% em sete pregões, as ações da Petrobras (PETR4) esboçaram um início de recuperação nesta segunda-feira (4), saltando 8,5%. Mas seria este o primeiro indício de que o mercado gostou da escolha de Ivan Monteiro para o comando da empresa ou apenas um sinal de exagero na queda dos papéis nos últimos dias?

O primeiro ponto a se ficar atento para responder esta questão é quanto as ações estão subindo. Os 8,5% desta sessão não recuperam nem as perdas do anúncio da saída de Pedro Parente, ou seja, já é possível afirmar que a sensação dos investidores não é a mesma, ninguém está acreditando que as coisas irão continuar como eram antes, mas a reação é claramente positiva ao novo CEO.

Monteiro foi um dos primeiros nomes a surgir como candidato ao cargo, já que era conhecido da empresa (sendo diretor financeiro desde a gestão de Alberto Bendine) e muitos analistas apontam ele como a melhor escolha que podia ser feita. Para o Credit Suisse, ele tem capacidade para assumir a função e dar continuidade ao processo de "turnaround" da estatal.

O problema então não é a escolha do novo CEO, que tem o apoio de especialistas e investidores, mas então as ações não deveriam subir mais? Aí que entra o problema: o que aconteceu desde o início da greve e piorou com a demissão de Parente é que a Petrobras perdeu credibilidade. Ninguém sabe o que pode acontecer agora, se Monteiro terá realmente poder para definir o que é melhor para a empresa ou se o governo irá interferir na política de preços e outros pontos importantes do negócio da companhia.

"Seu principal desafio será recuperar a credibilidade junto ao mercado, o que dependerá de eventos futuros", avalia o Itaú BBA, citando que o programa de subvenção do diesel e a própria demissão de Parente levantaram questões e aumentaram a percepção de risco de interferência política na empresa.

"Isso [recuperação da credibilidade] levará algum tempo para acontecer, e os melhores indicadores serão como o Programa de Subsídios ao Diesel será efetivamente implementado e executado nos próximos meses e como a política de preços funcionará após o término do congelamento de preços", avaliam os analistas.

"Se o governo estava interferindo na gestão do Pedro Parente, vai intervir na gestão de quem vier. Começar tudo de novo, com uma política correta, vai demorar muito mais do que demorou até agora", avalia David Zylbersztajn, ex-presidente da ANP, ao Estadão. "O custo de empréstimos vai ser mais alto, o alongamento (do prazo da dívida) vai ser mais difícil, vai haver menos investidores, a empresa vai fazer menos parcerias. Com isso, o valor da empresa cai", explica.

John Herrlin, analista do banco Société Générale, afirma que "jogaram tudo pela janela". "Acabamos de ver apunhalado alguém que consertava as coisas, e a reação do mercado é desconfiar de quem for entrar no seu lugar", afirmou após rebaixar a nota da estatal na última sexta-feira. Para ele, a saída de Parente é um alerta a investidores, de que os interesses do governo prevalecem sobre os dos acionistas.

"Pensei que Parente tivesse autonomia e sobreviveria, mas isso mostra que o executivo no comando da Petrobras sempre vai estar a serviço do governo quando deveria haver uma separação entre Estado e igreja", explica. Já Paul Cheng, do Barclays, reforça que estes eventos lembram o mercado de que há "um alto risco político de investimentos na Petrobras, e seus papéis devem ficar sob pressão até as eleições em outubro".

Para a XP Investimentos, a escolha por Monteiro foi acertada, embora as dúvidas estruturais sobre o grau de independência da empresa continuem. Os analistas lembram que pode haver uma mudança na frequência dos reajustes de combustíveis, o que não significaria o fim da política da estatal, mas seria uma notícia negativa devido à menor previsibilidade das margens de refino da empresa e para o resultado financeiro como um todo.

Em geral, o mercado gostou das primeiras iniciativas de Monteiro, que manteve a equipe de comunicação da empresa e não gerou expectativa entre os funcionários de grandes alterações na metodologia de trabalho. O que se vê pelas ações é que o mercado está dando uma chance ao executivo e confiando que ele tem potencial para seguir o bom trabalho de Parente.

O problema é que não há confiança no futuro da empresa, e isso vai demorar para ser retomado, já que não adianta o governo falar que manterá a política de preços. Os investidores só irão acreditar que a Petrobras pode voltar a crescer quando verem que a sua diretoria poderá fazer o que é realmente bom para a empresa, e não atuar para o bem do governo.

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