Em petrobras

Comprar, vender ou manter: o que os grandes investidores fizeram com as ações da Petrobras?

Gestores estão divididos sobre o case e comentam sobre o futuro da estatal

fachada Petrobras
(Agência Petrobras / Stéferson Faria)

SÃO PAULO - O mês de maio tinha tudo para ser um dos melhores do ano para Petrobras (PETR4). A escalada do petróleo no mercado internacional, o melhor balanço trimestral desde o 1º tri de 2013, coroado com o pagamento de proventos pela primeira vez em quatro anos, além da solução sobre a cessão onerosa com o governo, guiaram a ação preferencial da empresa para R$ 27,55 (maior patamar desde maio de 2010) na semana passada, e tudo indicava que novos recordes seriam atingidos. 

Porém, tudo mudou na noite da última quarta-feira (23).

Em uma decisão surpreendente, o presidente de Petrobras, Pedro Parente, anunciou um corte de 10% no diesel e o congelamento dos preços por 15 dias.  A decisão (acertada, pois a pressão social estava falando mais alto que qualquer modelo racional de preços) foi uma resposta à greve de caminhoneiros, que literalmente paralisou o Brasil, com escassez de combustíveis nos postos e nos aeroportos, alimentos não entregues e até partidas de futebol do fim de semana foram canceladas no Rio de Janeiro. A decisão, que fez lembrar a "velha gestão" da Petrobras, obviamente foi penalizada pelos investidores e as ações ações preferencias e ordinárias desabaram 13,71% e 14,55%, respectivamente. 

Apesar de Parente insistir que a medida foi em caráter excepcional e não representa uma mudança na política de preços da companhia, alterada em outubro de 2016 e pautada pela cotação do barril de petróleo no mercado internacional (em US$), o estrago foi feito. Mas a pergunta que fica é: o que fazer com as ações da Petrobras? Compra, vende ou mantém como está em carteira? O InfoMoney perguntou para vários gestores de recursos e traz a vocês neste conteúdo especial como cada um deles acompanhou esse pregão histórico da estatal na bolsa.

O otimista...

Para Henrique Bredda, gestor do fundo Alaska Black FIC FIA - BDR Nível I, que rendeu 129,2% em 2016 e 74,6% em 2017, o mercado exagerou no movimento e essa queda ofereceu uma boa oportunidade compra, já que foi gerada uma assimetria de preço e o episódio nada mudou sobre o case da empresa. Pelas contas, os 15 dias de congelamento de congelamento do preço do diesel vão custar R$ 100 milhões em receita para a estatal, ou seja, 0,03% do valor de mercado da companhia, que com a queda está próximo de R$ 290 bilhões. Dito isso, a queda acumulada de 18% nesses dois dias representa até 600 vezes o valor do prejuízo de fato, ou seja, um desconto injustificável.

Deste modo, o Bredda reitera seu otimismo com o rumo da empresa e afirma que esse episódio não mudou sua opinião sobre o case, que entrou "pesado" na carteira do fundo no começo do ano no lugar das ações da JBS, conforme explicou em entrevista concedida ao InfoMoney em março - confira a entrevista completa.

... os "neutros"....

Apesar da forte queda registrada, Marcos Peixoto, CEO da XP Gestão de Recursos, que possui mais de R$ 14 bilhões de patrimônio, ainda não está confortável para voltar para o papel, relembrando aquele velho ditado do mercado: 'não tente pegar a faca caindo'. De fato, em meio ao turbilhão, "ainda é muito difícil tomar uma posição", afirmou um gestor que falou com o InfoMoney e preferiu não ser identificado. Ele acredita que esse seja um movimento temporário e que a política de preço atrelada ao petróleo se mantenha, mas o risco de imagem e uma saída antecipada de Parente são riscos que não valem uma entrada.

Justamente por este risco assimétrico (forte queda vs interferência do governo), os analistas dos bancos BofA (Bank of America Merrill Lynch), Credit Suisse e Morgan Stanley reduziram as respectivas recomendações para os ADRs (American Depositary Receipts) de "compra" para "neutro", na espera por uma sinalização mais clara da empresa para tomar uma posição.

Também de olhando de fora tudo isso, o gestor e fundador da GTI Investimentos, André Gordon, não tira os méritos da decisão e classifica como acertada: "as alternativas a esta redução, certamente, levariam a resultados ainda piores para a empresa. As vezes é preciso escolher o mal menor", escreveu através da sua conta oficial no Facebook. Contudo, ele não está só longe do papel, mas na verdade está fora de toda essa volatilidade da Bolsa. Segundo Gordon, a carteira do fundo está mais defensiva, com alocações também nos setores de Shoppings, Energia Elétrica & Saneamento e Varejo. Para não dizer que não há beta na carteira, o gestor revelou que aproveitou a derrocada recente para aumentar sua posição em Usiminas.

... e o pessimista

Ao alterar sua política de preços, a Petrobras finalmente pode se equiparar aos seus pares internacionais e genuinamente surfar a alta de 20% do petróleo este ano - até então: "estava todo mundo comprando as ações pela alta do preço do petróleo, ninguém comprou recentemente por causa do Pedro Parente", conforme afirma  Alexandre Sabanai, gestor da Perfin Investimentos que tem R$ 7 bilhões em ativos sob gestão.

Segundo Sabanai, justamente o risco político inerente do case fez o fundo ficar fora das ações da estatal mesmo diante da forte alta recente, prezando papéis com uma melhor relação de risco x retorno. Para ele, os mesmos que aproveitaram os fatores macros (alta do petróleo), agora estão sendo estopados pelos riscos micros da empresa - governança com a política de preços. Assim, como sempre foi, sugere ficar fora das ações.

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