Por Lara Rizério Em petrobras  08 abr, 2015 17h34

Brasil foi o grande prêmio da Shell com compra bilionária da BG, diz Financial Times

Ao adquirir a sua rival menor, ela vai se tornar a maior empresa estrangeira do setor no Brasil

Por Lara Rizério Em petrobras  08 abr, 2015 17h34

SÃO PAULO - Depois de vinte anos de especulações, o mercado acordou hoje com uma nova gigante do setor de petróleo: a Shell-BG, através de um acordo de US$ 70 bilhões.

E, conforme destaca o Financial Times, em matéria chamada "o Brasil é o grande prêmio para a Shell através do acordo com a BG", não há nenhuma argumentação melhor para essa aquisição do que o que foi colocado pela Shell em comunicado. Ao adquirir a sua rival menor, ela vai se tornar a maior empresa estrangeira do setor no Brasil, uma das áreas mais valorizadas para o setor de petróleo no mundo e, assim, se consolidar como líder mundial em gás natural liquefeito. 

Analistas da Jefferies destacaram que, em 2018, a empresa combinada da Shell e BG vai produzir mais petróleo e gás do que a ExxonMobil, atualmente o maior grupo de petróleo não-estatal do mundo.

A BG estava no radar da Shell por décadas e foi por muito tempo vista como um alvo muito caro. Tudo isso mudou quando o preço do petróleo começou a cair forte no ano passado, arrastando para baixo as avaliações de todas as empresas de energia do mundo, incluindo a BG.

Mas, até antes disso, uma série de decepções operacionais, a gestão e outros motivos fizeram com que as ações da empresa tivessem uma queda e ficassem longe das máximas de 2012.

E, agora, com o acordo feito, pode-se concluir que o negócio é transformador para a Shell. Suas reservas vão aumentar em cerca de um quarto e sua produção crescerá 20%. Ela terá acesso a grandes descobertas de gás da BG ao largo da costa da Tanzânia, e também o seu enorme projeto Queensland Curtis LNG, na Austrália.

"Mas o Brasil é o prêmio-chave para o negócio da Shell com a BG. A produção do grupo no Brasil iria a 550 mil barris por dia até o final da década - quatro vezes maior do que a sua produção atual", afirma. O consultor de energia Wood Mackenzie estima que o Brasil terá a maior posição na carteira BG-Shell em 2025. 

O acordo também vai cimentar o domínio do negócio de produção, exportação e comercialização de GNL da Shell. Em 2018, a Shell-BG vai controlar as vendas de 45 mil toneladas por ano de GNL, tornando-se facilmente o maior vendedor do combustível no mundo.

Estratégia
Uma fonte próxima à Shell destacou para a agência Reuters que a anglo-holandesa já tem grande relevância do ponto de vista estratégico no Brasil, uma situação que será ainda mais fortalecida com a compra da britânica.

Vale destacar que a companhia participa do único consórcio a fazer uma proposta em 2013 pela área de Libra, que tem, além da Petrobras, a francesa Total e duas estatais chinesas como sócias.

"Não é só uma empresa que é relevante pelo o que é lá fora, ela é relevante pelo o que é aqui dentro", afirmou a fonte, que pediu para não ser identificada.

Questionado sobre as metas de produção em revisão pela Petrobras, a fonte afirmou que "a Shell é uma empresa que está no mercado brasileiro há muitos anos, então ela tem total clareza das perspectivas".

"A Shell, com certeza, deve ter feito do ponto de vista estratégico essa análise, é diferente por exemplo se fosse a Exxon, que está fora do Brasil na atuação direta há algum tempo, certamente teria mais dificuldade de percepção."

A anglo-holandesa produz 43,012 mil barris de petróleo por dia no Brasil, no Parque das Conchas e nos campos de Bijupirá e Salema, ambos na Bacia de Campos, segundo os dados mais recentes.

A Shell anunciou recentemente a venda de sua participação de 80 por cento dos campos de Bijupirá e Salema para a brasileira PetroRio, ex-HRT, por 150 milhões de dólares. A outra sócia na área é a Petrobras, com 20 por cento.

(Com Reuters) 

planta da Petrobras na Colômbia
(Agência Petrobras)

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