Em petrobras

O dilema de Joaquim Levy: segurar a inflação ou "salvar" a Petrobras?

Uma questão que deve estar deixando Levy de cabelo em pé, disse o analista Flávio Conde

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem nas mãos um grande dilema: segurar a inflação ou "salvar" a Petrobras (PETR3; PETR4) de uma perspectiva ainda mais severa? As dúvidas ocorrem devido, principalmente, à derrocada dos preços do petróleo no mercado internacional, que tirou a estatal de posição de desvantagem na venda da commodity depois do governo ter segurado por tanto tempo os preços da gasolina e diesel.

"Essa questão deve estar deixando Levy de cabelo em pé", disse o analista Flávio Conde. Isso porque a imprensa já começa a apontar que o governo pretende manter o preço da gasolina para compensar a cobrança da Cide sobre a gasolina, que deve voltar nos próximos dias, conforme indicado na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, desta segunda-feira.

Como a estatal continua vendendo a gasolina no mesmo preço, apesar da brusca queda do petróleo no mercado internacional, auxiliares da presidente Dilma Rousseff defendem uma redução do lucro da companhia, que seria mantendo os preços dos combustíveis no mesmo patamar após o retorno da cobrança da Cide.  

O que o governo planeja com isso é que os estimados R$ 0,27 a R$ 0,30 da Cide que incidiria sobre a gasolina sejam debatidos do preço atual, assim como os R$ 0,10 para o diesel. "Isso seria lógico a se fazer em uma empresa de petróleo, mas a Petrobras está em meio a um furacão e com a parte financeira deplorável, o que torna uma decisão nesse sentido ainda mais difícil", disse Conde. A empresa tem um dívida enorme (dívida bruta supera R$ 300 bilhões) e uma geração de caixa que não bate com sua necessidade de investimentos. 

A medida faria sentido? Sim. O governo precisa melhorar sua parte fiscal, o que explicaria o retorno da Cide, enquanto a manutenção dos preços poderia ser justificada por estarem realmente muito acima do mercado internacional. Atualmente, a gasolina brasileira já custa 60% a mais que no mercado internacional. Entretanto, o que não pode ocorrer é uma decisão que prejudique ainda mais a geração de caixa da estatal, disse. 

A Petrobras segurou por muito tempo os preços dos combustíveis, o que gerou desde o primeiro trimestre de 2011 (quando Dilma assumiu o primeiro mandato de presidente) até o último balanço (de junho de 2014), um prejuízo de quase R$ 60 bilhões. Agora, então, a empresa precisaria recuperar esse montante para depois falar em reajustar a combustível, comentou. Para isso, no entanto, é difícil estimar quanto tempo duraria. "Um ano ou um ano e meio". Mas, no final das contas, para ajudar a conter a inflação, acredito que o governo tende a fazer exatamente isso, retomar a Cide mantendo os preços dos combustíveis, disse Conde. 

A decisão, no entanto, bateria de frente com o que Levy disse na semana passada, que a "Petrobras fará a decisão de preços como empresa", indicando que a estatal não será usada para o controle da inflação. Em meio às incertezas, o que resta agora é esperar os próximos desdobramentos do assunto. 

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