Em meio a escândalo político, Petrobras elege conselheiros; confira quem são

Pela primeira vez, acionistas minoritários estrangeiros e brasileiros (pessoa física) conseguiram se unir e eleger candidatos próprios a duas vagas - José Guimarães Monforte e Mauro da Cunha
Por Paula Barra  
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SÃO PAULO - Em meio a escândalo político, a Petrobras (PETR3; PETR4) anunciou na véspera uma nova formação no seu conselho de administração. Pela primeira vez, acionistas minoritários estrangeiros e brasileiros (pessoa física) conseguiram se unir e eleger candidatos próprios a duas vagas, em um conselho composto por dez membros.

José Guimarães Monforte foi eleito para representar os minoritários preferencialistas, desbancando Jorge Gerdau Johannpeter, que ocupava cadeira no conselho há 13 anos, e Mauro da Cunha, que já ocupava o cargo e foi reeleito para representar os minoritários ordinaristas. Até o momento, a vaga dos preferencialistas sempre havia sido ocupada por um representante com o aval do governo, já que os fundos de pensão e empresas estatais votam na condição de minoritários.

Monforte, assim como Cunha, foram indicados por diversos fundos estrangeiros capitaneados pela gestora escocesa Aberdeen, que atualmente é responsável por administrar US$ 300 bilhões em ativos. A indicação teve apoio também dos fundos de pensão The California State Teachers' Retirement System e Universities Superannuation Scheme, pela gestora F&C Management e pela consultoria Hermes Equity Ownership Services.

Mudanças no conselho
Nos últimos anos, cresceram críticas sobre a composição do conselho da Petrobras, que era formado até 2012 por nomes "simpáticos" às diretrizes do governo. No ano passado, Cunha foi eleito ao conselho, sendo encarado pelo mercado como o representante dos minoritários dentro da empresa. Um membro independente era bem visto pois poderia ser uma voz destoante e mais isenta nas decisões da empresa - o que provou verdadeiro nas últimas semanas. Cunha foi o único integrante do conselho a se opor à aprovação das demonstrações financeiras da empresa em reunião realizada em fevereiro. Ele criticava demora na liberação de informações para análise, além de operações relacionadas às refinarias e de hedge accounting.  

"Embora tenha havido progresso na composição do Conselho no ano passado com a nomeação de um conselheiro independente e a inclusão de integrantes independentes na formação do Conselho Fiscal, a governança continua sendo um tema crítico na empresa", afirmou comunicado enviado pelos acionistas, em março.

A mudança de cadeiras no conselho da estatal ocorre em um momento em que a Petrobras está no centro do furacão sobre um debate político e econômico após a presidente Dilma Rousseff ter aprovado, em 2006, quando era presidente do conselho de administração da petrolífera, a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, por US$ 1,18 bilhão - valor muito superior ao que foi adquirida anos antes pela Astra Oil. Em 2005, a empresa belga pagou US$ 42,5 milhões pela mesma refinaria. 

Confira quem são os conselheiros da Petrobras:

Representantes do acionista controlador (governo):

Guido Mantega  - desde 2010 (como presidente)
Guido Mantega, atual ministro da Fazenda e presidente do conselho de administração da Petrobras, cargo que assumiu em março de 2010, tendo sucedido a presidente da República Dilma Rousseff. Mantega faz parte do conselho de administração da empresa desde 2006. É também membro do conselho de administração da Petrobras Distribuidora. 

Com a posse de Lula, em 2002, o economista assumiu a pasta do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (responsável por gerenciamento e cortes na máquina pública), sendo depois transferido para a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), após a renúncia de Carlos Lessa. Em 2006, assumiu o Ministério da Fazenda, substituindo Antonio Palocci. Em 2010, foi indicado para continuar no cargo de ministro da Fazenda durante o governo da presidente Dilma, sendo o primeiro ministro a ser confirmado. 

Maria das Graças Foster - desde 2012
Maria das Graças Fostes é presidente da Petrobras desde fevereiro de 2013, indicada para o cargo pela presidente Dilma, acumulando também função no conselho, que pertence desde 2012. Formada em engenharia química pela UFF (Universidade Federal Fluminense), ela se tornou a primeira mulher do mundo a assumir uma companhia petrolífera.

Graça Foster, que foi indicada para assumir o comando da empresa em substituição a José Sergio Gabrielli, tem 34 anos de Petrobras. A executiva entrou na empresa em 1978 como estagiária no Cenpes, no setor de Lubrificantes, aditivos e graxas. O primeiro cargo como funcionária foi como engenheira de perfuração. Em fevereiro deste ano, ficou em quarto lugar na lista das 50 mulheres mais poderosas do mundo pela revista Fortune. Foram utilizados critérios, como: o tamanho e a importância do negócio que comanda, a saúde financeira, a gestão e o histórico da carreira.

Luciano Coutinho - desde 2008
Luciano Coutinho é membro do conselho da Petrobras desde 2008 e é também membro do conselho de administração da Petrobras Distribuidora. Além disso, é presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) desde 2007. Participa também do conselho de Administração da Vale (VALE3; VALE5), membro do Comitê Curador pela Fundação Nacional da Qualidade – FNQ, membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial – CNDI e representante do BNDES junto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico—FNDCT.

Coutinho é Ph.D. em economia pela Universidade de Cornell, e tem diploma de mestrado em economia pelo Fipe (Instituto de Pesquisas Econômicas) da USP, e também é bacharel em economia pela USP.

Francisco Roberto de Albuquerque - desde 2010
Francisco de Albuquerque, que assumiu o cargo de conselheiro da Petrobras em abril de 2010, é general de exército brasileiro da reserva. Graduou-se aspirante a oficial da Artilharia em 1958, na Academia Militar das Agulhas Negras.

Como oficial general, foi comandante da 11ª Brigada de Infantaria Blindada, em Campinas e do Comando Militar do Sudeste (CMSE). Após a eleição do presidente Lula, em 2002, foi escolhido para o cargo de comandante do Exército Brasileiro.

Márcio Pereira Zimmermann - desde 2010
Márcio Zimmermann, formado em engenharia elétrica, foi ministro de Minas e Energia no ano de 2010 e atualmente exerce o cargo de secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia. Ele ocupa cadeira no conselho da Petrobras e da Petrobras Distribuidora desde março 2010.

Zimmermann é funcionário da Eletrobras Eletrosul, desde 1980, pela qual foi diretor de Produção e Comercialização e diretor técnico na década de 90. Exerceu diversos cargos técnicos e gerenciais no setor elétrico brasileiro. Foi diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (CEPEL) e diretor de Engenharia da Eletrobras. Atualmente, preside o conselho de administração da Eletrobras (ELET3; ELET6) e é membro do conselho de administração da Petrobras. Filiou-se ao PMDB em março de 2012.

Sérgio Franklin Quintella - desde 2009
Sérgio Quintella é membro do conselho de administração da Petrobras desde 2009 e também membro do conselho de administração da Petrobras Distribuidoras. Além disso, é  o atual vice-presidente da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Foi membro do conselho de administração do BNDES, de 1975 a 1980, membro do Conselho Monetário Nacional, de 1985 a 1990, presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, de 1993 a 2005, e membro do conselho de administração da Tele Norte Leste Participações S.A. e da BSM Engenharia S.A.

Quintella é graduado em engenharia civil pela PUC-Rio, em engenharia econômica pela Escola Nacional de Engenharia e em economia pela Faculdade de Economia do Rio de Janeiro. Também possui diploma de mestrado em administração pela IPSOA, em Turim, Itália e é graduado pelo Programa de Administração Avançada (Advanced Management Program) da Harvard Business School. Atualmente, ele também é membro do Conselho de Desenvolvimento da PUC-Rio. 

Miriam Aparecida Belchior 
Miriam Belchior é membro do conselho de administração da Petrobras desde julho de 2011 e é também membro do conselho de administração da Petrobras Distribuidora e do BNDES. Além disso, foi nomeada como membro do Comitê de Meio Ambiente do Conselho da Petrobras em dezembro de 2011. 

Miriam é ministra de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, cargo que ocupa desde 1° de janeiro de 2011. Antes disso, desde 2004, assumiu a Subchefia de Articulação e Monitoramento da Casa Civil da Presidência da República, responsável por articular a ação de governo e monitorar os projetos estratégicos, e coordenou, desde 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento.

Representantes dos acionistas minoritários ordinaristas:

Mauro da Cunha
Mauro da Cunha, presidente da Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais) desde 2012, assumiu uma cadeira no conselho de administração da Petrobras no ano passado. Anteriormente, foi responsável, desde 2010, pela área variável da Opus Gestão de Recursos, empresa que administra aproximadamente R$ 2 bilhões em fundos de investimento no País. Antes disso, foi sócio sênior da Mauá Investimentos, também com responsabilidade sobre os fundos de renda variável (2007-2010). Foi Diretor de Investimentos da Franklin Templeton Investimentos, e de sua antecessora, a Bradesco Templeton Asset Management, desde Agosto de 2001.

Além disso, tem participado ativamente de discussões sobre governança corporativa e reforma do mercado de capitais no Brasil, e participou de conselhos de administração e fiscal de diversas empresas de capital aberto. Detém a designação CFA desde 1997, além de um MBA pela Universidade de Chicago. Ele se formou em Economia pela PUC-RJ.

Representantes dos acionistas minoritários preferencialistas:

José Guimarães Monforte
José Monforte é graduado em economia pela Universidade Católica de Santos, com passagens pela Merrill Lynch e Citibank.  

Monforte dedicou-se ao tema de governança corporativa, com participação nos conselhos de administração da Sabesp, Banco Nossa Caixa (membro do Comitê de Auditoria), Canbras (membro do Comitê de Auditoria), Claro (presidente do Conselho), Natura (membro dos Comitês de Risco, Finanças e Auditoria, e do de Governança), Caramuru, Vivo (membro do Comitê de Auditoria), Agrenco, JHSF (Membro do Comitê de Auditoria), Droga Raia, Biofilica, Pini Editora (presidente do Conselho),Banco Tribanco (membro do Comitê de Estratégia), Promon Engenharia (membro do Comitê de Risco e Auditoria).

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