Itaú BBA não vê catalisador para ação e reduz estimativas para Petrobras

Após a Bradesco Corretora, Itaú BBA reduziu projeções de produção para petrolífera e reduziu preço justo em R$ 3,00
Por Lara Rizério  
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SÃO PAULO - Depois da Bradesco Corretora, desta vez o Itaú BBA reduziu as projeções para a Petrobras (PETR3;PETR4), vendo queda na produção em 2013 e com menores expectativas sobre o preço das ações para o final de 2013.  Segundo a corretora, apesar de algumas opiniões de que o papel está barato, não há catalisadores de curto prazo que possam fazer com que a ação tenha um rali.

Em relatório chamado "Quão barato é barato suficiente?", a analista do Itaú BBA, Paula Kovarsky, reduziu o seu preço justo para a ação preferencial da Petrobras em R$ 3,00, de R$ 26,60 para R$ 23,60, mantendo a recomendação market-perform (desempenho em linha com a média do mercado). Este novo preço justo configura um potencial de valorização de 39,60% frente ao fechamento da última sexta-feira (1).

De acordo com a analista, a revisão para baixo é justificada pela estimativa de produção doméstica menor, perspectivas de preços baixos de diesel e gasolina até o final de 2014 e o real mais valorizado. A projeção de preços mais elevados do petróleo para este ano, levando ao prejuízo das importações e um aumento do endividamento mais rápido que o esperado também foram fatores determinantes para redução nas estimativas para a petrolífera.

A expectativa é de uma produção 1,5% menor em 2013, reduzindo assim as expectativas de um ano com produção estável. Entretanto, Kovarsky ressalta que o risco de atrasos pode aumentar consideravelmente, devido à significativa dependência de plataformas de origem local. 

Além disso, a analista ressalta que 2013 será mais um ano desafiador para a Petrobras em relação às importações de diesel, devido a demanda maior devido a uma safra recorde de commodities agrícolas e do uso de diesel para mover as usinas termelétricas. "As perdas totais com as importações devem chegar a R$ 6,2 bilhões, na ausência de aumento de preços", ressalta.

Desta forma, sem ver uma melhora dos resultados no curto prazo, a companhia deve alcançar uma relação de 35% entre a dívida líquida e o capital total. Segundo Kovarsky, apesar das agências de risco darem crédito para a companhia em virtude das perspectivas, a provável necessidade de novos planos de capitalização depois de três anos, sem uma projeção tão positiva em relação a anterior, pode levar a um desempenho não sustentável das ações.

Dividendos: diferença entre PN e ON continuará 
Após dez anos pagando o mesmo valor de dividendos para as ações preferenciais e ordinárias, a Petrobras anunciou no último balanço um provento bem menor para os ativos PETR3. Segundo a analista, com a expectativa de que a companhia não apresente melhora no seu balanço no médio prazo, é razoável supor que a petrolífera continue pagando dividendos diferentes para cada classe de ações.

A analista ressalta ainda que o fraco balanço da companhia justifica a diminuição dos dividendos pagos às ações ordinárias em relação às preferenciais. Na opinião de Kovarsky, a diferença entre os papéis PN e ON, com base nas perspectivas de pagamento dos dividendos até 2022, deve variar entre R$ 0,80 e R$ 1,80, dependendo da política dos controladores. Como a diferença atual entre os dois papéis atualmente acima de R$ 2,00, ela pode se estreitar.

Entretanto, devido aos altos níveis de alavancagem e com a Petrobras ainda precisando economizar dinheiro, a expectativa do Itaú BBA é de que haja espaço limitado para a empresa pagar dividendos iguais para os titulares das ações ON e PN, projetando que eles pagariam o mínimo permitido para a primeira classe de ações. 


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