FIDC é alternativa para ganhos maiores em cenário de juros baixos

O rendimento de um FIDC pode variar bastante, mas, em geral, esses fundos pagam um prêmio interessante sobre os títulos públicos, um CDB ou um fundo DI
Por Diego Lazzaris Borges  
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SÃO PAULO – A queda nas taxas de juros tem um impacto imediato nos investimentos de renda fixa. Com isso, os investidores precisam buscar alternativas, ainda que um pouco mais arriscadas, para alcançar uma rentabilidade atrativa daqui em diante. Neste cenário, o FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) pode ser uma opção interessante.

“O país vem de um histórico de taxa básica de juros altíssima, então o investidor não precisava se mexer para rentabilizar o portfólio. Para que investir em um crédito privado, que tem mais risco, quando se tinha uma rentabilidade muito alta [com títulos públicos]?”, afirma Beatriz Degani, sócia da Quatá Investimentos, gestora especializada em operações estruturadas. “Agora, com a taxa Selic em um dígito, o investidor vai ter que procurar alternativas para rentabilizar o seu portfólio e incorrer em mais risco.”

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 Entenda o que é
Quem investe em um FIDC está comprando o direito de receber créditos mais adiante com juros. A principal característica do FDIC é que ele precisa ter, no mínimo, 50% do seu patrimônio líquido constituído por direitos creditórios (títulos de crédito originados por operações de instituições financeiras, indústria, varejo, etc). Para ficar mais claro, o especialista em finanças da MoneyFit, André Massaro, explica. “Direito creditório é, em poucas palavras, uma dívida”, diz. “Vamos imaginar que uma pessoa compra um bem qualquer em uma loja a prazo. A pessoa que comprou contraiu uma dívida junto à loja, e a loja tem o 'direito' de receber essa dívida. Sob certas condições, a loja pode transformar essa dívida em um ativo financeiro negociável (um processo chamado “securitização”). A dívida vira então um 'papel' que pode ser negociado com terceiros. Essa dívida devidamente securitizada é o que se chama de direito creditório”, aponta.

O rendimento de um FIDC pode variar bastante, mas, em geral, esses fundos pagam um prêmio interessante sobre os títulos públicos, um CDB ou um fundo DI. “Uma das principais vantagens deste tipo de fundo é a rentabilidade”, diz a executiva da Quatá Investimentos. Para se ter uma idéia, muitos fundos podem apresentar retornos de até 150% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, a principal referência para investimentos em renda fixa), enquanto quem investe em CDB de banco grande, por exemplo, dificilmente conseguirá obter mais de 100% do CDI.

Mas esse prêmio só existe porque o FIDC também é mais arriscado. Geralmente, um FIDC que paga retornos mais altos deve incluir créditos a receber de pequenas empresas, que oferecem um risco bem maior de inadimplência do que um banco como o Bradesco ou o Itaú. É importante que o investidor também conheça bem tanto o gestor quanto a carteira de créditos que originou o fundo para que haja menor risco de perdas.

Uma dica interessante é que o investidor procure um FIDC bastante diversificado. “É possível que algum dos créditos que compõe o fundo dê default (não tenha o pagamento honrado). Se isso acontece quando você investe em um FIDIC com apenas quatro emissores, o impacto é muito alto, de 25%. Já se o FIDC tiver 4 mil emissores, essa pulverização vai acabar fazendo toda a diferença na mitigação do risco”, ressalta Beatriz.

Outro cuidado importante é prestar atenção no rating (classificação de risco, emitida por uma agência especializada) do fundo. Quanto melhor o “rating”, menor o risco de crédito daquela carteira. “De uma maneira geral, este é um bom indicativo para você entender o risco do investimento”, diz a sócia da Quatá. “Fundos com risco menor tem rating entre A e AAA.”

A grande barreira para a popularização dos FDICs no Brasil ainda é a exigência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de só permitir esse tipo de investimento a investidores qualificados – ou seja, aqueles que possuem ao menos R$ 300 mil em aplicações financeiras e atestarem essa condição por escrito. “Os FDICs ainda não são uma opção de investimento acessível ao pequeno investidor”, conclui Massaro.

 

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