CRA: conheça o investimento que paga 109% do CDI com isenção de IR

As empresas Octante, Syngenta e Bunge Brasil lançaram a primeira Oferta Pública de Certificados de Recebíveis do Agronegócio para investidores pessoas físicas
Por Diego Lazzaris Borges  
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SÃO PAULO – Para quem está interessado em diversificar as aplicações e pretende “turbinar” a rentabilidade da sua carteira de renda fixa, uma operação inédita no mercado trouxe uma alternativa interessante: as empresas Octante, Syngenta e Bunge Brasil lançaram a primeira Oferta Pública de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) para investidores pessoas físicas.

O grande atrativo destes títulos é a sua rentabilidade: 109% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), com isenção de Imposto de Renda, o que bate de longe o retorno de grande parte dos títulos de renda fixa disponíveis no país. “Como é um produto novo, é uma maneira de chamar atenção dos investidores. A remuneração é superior ao que costumam pagar os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), [que fazem operações parecidas, mas no mercado de imóveis]”, disse Martha de Sá, sócia-diretora da Octante, empresa responsável pela securitização dos ativos. 

A liquidação dos CRAs ocorreu no início do mês de agosto e o lançamento oficial da modalidade acontece nesta quinta-feira (16), na BM&F. A partir daí, será possível negociar no mercado secundário. “Os títulos serão negociados no Bovespa Fix [sistema integrado para negociação, liquidação e custódia de títulos de renda fixa]”, afirma Martha. A liquidez destes títulos, no entanto, costuma ser baixa. "Ainda não há market maker [formador de mercado]", ressalta. O prazo dos certificados é de 21 meses, equivalente a duas safras.

Segundo a diretora, a oferta total atingiu R$ 90 milhões (R$ 85,5 milhões de CRA Sênior e R$ 4,5 milhões de CRA Subordinados, adquiridos pela Bunge). A demanda foi superior a 150% do total, mostrando forte interesse dos investidores. “Além da boa rentabilidade, os títulos também contam com rating (classificação de risco) AAA emitido pela agência Fitch Ratings, o que é uma maneira de garantir maior proteção aos investidores pessoa física”, afirmou.

A executiva ressalta que este mercado ainda é bastante incipiente no país, mas existe um grande potencial de crescimento. “As pessoas vão começar a descobrir as oportunidades do agronegócio. O campo é muito demandante de financiamento, ainda mais agora, com a área plantada e o preço dos insumos aumentando”, disse. Ela lembra que, em 2006, o estoque de CRI estava em R$ 2 bilhões, número que disparou para R$ 30 bilhões em 2011 (crescimento de 1.400%) e compara com um possível crescimento dos CRAs no país. “A agricultura representa 22% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, enquanto o mercado imobiliário responde por só 5,5%. Ou seja, espaço para crescer tem”, afirma.

No entanto, o investimento ainda está distante da maioria das pessoas: para comprar estes certificados, é necessário ser investidor qualificado (ter R$ 300 mil em investimentos e atestar esta condição por escrito).

Estrutura da operação
A operação consiste na emissão de CDCAs (Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio) por quatro distribuidores da Syngenta (Fiagril, Sinagro, Agrocat e Agrícola Panorama) lastreados por 120% de recebíveis de operações de barter - troca de insumos, como sementes e fertilizantes, pela colheita futura. A partir daí, a securitizadora emite os CRAs com lastro nestes CDCAs, já cobertos por seguro de crédito.

A Syngenta atua como agente administrativo, responsabilizando-se pela formalização dos lastros de barter, pelo monitoramento das lavouras e como auxiliar de cobrança. “Estamos confiantes no sucesso dessa iniciativa, que certamente irá incentivar outros fornecedores, distribuidores e produtores a utilizarem o recurso de emissão de CRAs para financiarem seus insumos“ disse o Diretor Geral da Syngenta no Brasil, Laércio Giampani.

A Octante Securitizadora atuou como emissora dos CRAs aos investidores, enquanto a Bunge Brasil participou da emissão como fornecedora de fertilizantes, compradora de grãos e investidora dos CRAs Subordinados. A distribuição dos papéis aos investidores foi feita pela XP Investimentos.

De acordo com o presidente e CEO da Bunge Brasil, Pedro Parente, este novo instrumento é importante para fomentar e desenvolver ainda mais o agronegócio no país. “Por isso, atuamos como investidores, já adquirindo os CRAs Subordinados, antes mesmo do lançamento oficial para o mercado”, afirmou.

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