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Queda de juros aumenta procura por fundos de investimentos

As gestoras, do outro lado, precisam controlar o tamanho do patrimônio dos fundos para manter os ganhos obtidos até aqui para os novos clientes

 SÃO PAULO – A trajetória descendente da taxa básica de juros tem elevado a atratividade de fundos de investimentos. No Boletim Focus desta semana, o mercado aponta para recuo da Selic para 7,50% ao fim de 2017.

 Neste sentido, a rentabilidade de diversos investimentos também caem. A taxa do título do Tesouro Direto atrelado ao IPCA com vencimento em 2024, por exemplo, viu sua rentabilidade recuar de 5,58% para 4,87% no último mês.

 A mudança nos ganhos tem levado investidores a saírem em busca de aplicações com maior rentabilidade e acabam cruzando com os fundos de investimentos nesse caminho. As gestoras, do outro lado, precisam controlar o tamanho do patrimônio dos fundos para manter os ganhos obtidos até aqui para os novos clientes.

 É o caso da AZ Quest, que reabriu o AZ Quest Altro FIC FIM em 7 de julho e deve voltar a fechar o fundo entre quinta-feira (10) e sexta-feira (11), ao alcançar R$ 1,1 bilhão de patrimônio total. Desde a reabertura, foram captados cerca de R$ 300 milhões e Walter Maciel, CEO da AZ Quest, conta que essa “corrida” pelo fundo é comum quando gestoras anunciam que farão fechamento de captação de fundos em breve.

 “O fundo foi fechado [em março] mesmo com grande interesse dos investidores devido à consistência de sua performance e à qualidade do produto. Temos a missão de zelar pela capacidade de gerar retorno”, conta Maciel. O AZ Quest Altro FIC FIM acumula rentabilidade de 7,86% no acumulado de 2017, ou 117% do CDI.

 Além da AZ Quest, a Kapitalo, que fechou o Kappa FIN FIC FIM em março, comunicou também o fechamento de seu fundo exclusivo distribuído pela XP que espelha a estratégia do Kappa e não há previsão para uma nova reabertura. O Kapitalo XP ultrapassou patrimônio líquido de R$ 190 milhões.

 A Garde, que tinha fechado o Garde D’Artagnan FIC FIM em 10 de julho, informou o fechamento do veículo exclusivo da XP, que permaneceu aberto até o dia 31 do mês passado. A estratégia atingiu R$ 6,5 bilhões no fechamento do mês, enquanto o fundo da XP que espelha o ativo captou cerca de R$ 400 milhões nessa reabertura, ultrapassando R$ 770 milhões de patrimônio líquido. Segundo a gestora, também não há previsão para uma nova reabertura.

 O próximo da lista de fundos a fechar captação deve ser o AZ Quest Multi FIC FIM, que tem patrimônio próximo de US$ 425 milhões. Segundo Maciel, o objetivo para o fechamento é alcançar volume em torno de R$ 600 milhões. O fundo, com liquidez diária, tem mostrado retorno de 10,02% no acumulado de 2017, o equivalente a 150% do CDI.

 “Temos que preservar a capacidade de gestão do fundo. Em breve faremos um comunicado sobre essa avaliação”, diz Maciel.

 Na outra ponta, o Safra concluiu a masterização da estrutura de seu principal veículo, o Safra Galileo. O processo deu origem a 5 novos fundos que espelham o Galileo que alocam no novo veículo master. Com isso, a gestora passa a ter maior flexibilidade na distribuição e alocação de seu passivo.

 Para o próximo ano, o CEO da AZ Quest está otimista. “Se a economia voltar a crescer, as empresa não terão disponibilidade de crédito público como havia no governo anterior e tudo indica que essas empresas terão que vir a mercado. Esse movimento dará maior liquidez e muita mais oferta de papéis no mercado de capitais, o que ajudará os fundos a ter mais opções de investimentos com boa rentabilidade”, avalia.

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(Shutterstock)

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