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Conheça a história do juiz brasileiro que conseguiu o green card investindo nos EUA

Investidor conta que o principal motivo que fez com que decidisse morar fora do país foi a insegurança

SÃO PAULO – O dia 4 de julho é conhecido mundialmente como dia da independência dos EUA. Em 1776, as treze colônias britânicas na América do Norte declararam sua independência e redigiram um dos documentos mais importantes da história, a Declaração da Independência dos Estados Unidos, cujo primeiro rascunho foi escrito por Thomas Jefferson, que depois se tornaria o terceiro presidente da nação.

O dia 4 de julho também entrou na história de milhões de brasileiros que torcem para o Corinthians, clube com a maior torcida de São Paulo. Após amargar anos sem a taça da Copa Libertadores da América enquanto todos seus rivais já haviam a conquistado, nesta data, em 2012, o time alcançava seu primeiro título no estádio do Pacaembu com dois gols de Emerson no segundo tempo.

No entanto, para o corinthiano, advogado e juiz aposentado Newton Azevedo, 68 anos, o dia 4 de julho tem outro significado. Na data, 238 anos depois da independência dos EUA e dois anos depois da vitória de seu clube, Newton viajava para a Flórida. Essa não seria apenas uma viagem a passeio, mas sim uma viagem sem data de volta: o juiz foi para a América do Norte para morar.

Newton conta que nunca teve vontade ou desejo de morar nos EUA. “Tinha os meus negócios no Brasil, gosto do Brasil, não tinha nenhum motivo para ir”, afirma. Contudo, a razão que fez com que o advogado mudasse de ideia foi a insegurança, “a violência começou a chegar muito perto de mim, tive dois amigos assassinados em assaltos, dois casais de amigos sequestrados, comecei a perder o sono, preocupado que alguma coisa acontecesse com meus netos”.

O desejo de morar fora do Brasil foi sempre de sua filha, que foi em uma feira organizada pelo governo da Flórida em 2011 com o intuito de mostrar para brasileiros a possibilidade de investir nos EUA e morar lá permanentemente.

“Uma madrugada eu perdi o sono e fui olhar os papéis que a minha filha tinha trazido meses antes da feira e decidi ir para os EUA. Comuniquei a família em abril, inclusive foi no dia primeiro de abril. A minha filha não acreditou em mim, achou que eu estava brincando por conta da data”, narra.

Newton já não tinha mais nenhum compromisso profissional em São Paulo, poderia aproveitar sua aposentadoria em outro lugar sem problemas, em um lugar mais seguro. A partir daí, começou a pesquisar sobre vistos, participar de exposições e se desfazer de seu patrimônio no Brasil, incluindo uma lancha.

O cuidado de pesquisar empreendimentos para investir também foi uma precaução tomada pelo juiz e advogado. “Viajei várias vezes para os EUA com a minha filha, meu genro, minha esposa e meu outro filho, alguns dos investimentos que vi não me convenceram nem um pouco. O grande segredo é escolher bem o empreendimento, uma vez que o governo americano não dá garantia nenhuma de que você irá receber o dinheiro investido de volta”, explica. Newton ainda buscou assessoria com Renata Castro, da empresa especialista no assunto Exclusive Visas para planejar sua mudança.

A ida para os EUA foi planejada por meio do programa EB-5, que concede o cobiçado green card para quem investir no mínimo US$ 500 mil em um empreendimento que comprovadamente gere dez empregos fixos para cidadãos norte-americanos em um prazo de dois anos – até esse momento, o visto para residência é provisório. A partir daí, é possível conseguir um green card permanente e viver no país quanto tempo desejar.

A escolha de Newton foi por investir na ampliação de um hospital no Alabama. O estado sulista conta com altas taxas de desemprego, fazendo com que seja uma zona especial de investimentos, de acordo com os EUA. O juiz formou um grupo de 25 pessoas para investirem o dinheiro no empreendimento e conseguiu gerar dezesseis empregos ocupados por cidadãos norte-americanos.

O dinheiro investido deverá voltar em cinco anos, com uma rentabilidade de 3,5% ao ano. “Para quem é brasileiro, demora um tempo para se acostumar com investimentos nos EUA, é tudo diferente. A rentabilidade que conseguimos foi uma benção, a maioria desses empreendimentos pagam apenas de 2% a 2,5% ao ano”, conta. O investimento funciona, na prática, como um título de dívida, um empréstimo ao hospital que deve ser pago no prazo determinado.

A cidade de Winter Garden, 34 mil habitantes, foi a escolhida pela família do juiz para morar, mudaram-se para lá ele, sua esposa, sua filha, seu genro e seus netos - filhos de sua filha. O investidor descreve a cidade como “pequena e charmosa, localizada 30 minutos a noroeste de Orlando”.

O que mais agrada Newton na troca de sua vida em São Paulo por uma cidade que tem menos habitantes que o bairro em que morava é o peso que saiu de seus ombros caso algo violento acontecesse com algum familiar. “A sensação de segurança (em Winter Garden) é absoluta e total, o respeito às pessoas também é algo que gosto muito”, relata.

A vida em outro país é mais tranquila, com custo mais baixo e que permitiu, inclusive, a compra de uma casa financiada.  Newton  é avô e agora consegue dar assistência a suas filhas e seus netos - eles moram na mesma quadra. O investidor também dá assessoria para quem quer morar nos EUA saber o caminho do programa EB-5.

Sobre política, Newton conta que nunca se envolveu muito no Brasil. “Tive duas oportunidades de me envolver e, inclusive, sair candidato, mas nunca quis. Nos EUA, então, me envolvo muito menos”, assegura. Quanto ao convívio social, ele afirma que frequenta uma igreja batista nos EUA, mesma religião que já praticava no Brasil, e assim consegue sociabilizar mais com a população local.

Ele visita o país natal para ficar mais próximo de seu outro filho e os netos que estão aqui. “Tenho um apartamento pequeno em São Paulo que uso para quando venho visitar meus netos na cidade”. Newton não pensa em voltar para morar aqui, contudo, fala com firmeza: “não admito que falem mal do Brasil, gosto muito do meu país”.

Orlando
(Shutterstock)

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