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Dona do Ipiranga cai 10% na bolsa - e não adianta perguntar no Posto Ipiranga o motivo

Os papéis, que acumulavam queda de 22% até ontem, despencaram 10% nesta quinta-feira

Ipiranga Ultrapar
(Reprodução Youtube)

SÃO PAULO - As ações da Ultrapar (UGPA3), dona do Posto Ipiranga vêm de um histórico bastante negativo ao longo do ano que ficou ainda pior nesta quinta-feira (3), com a divulgação do desempenho da empresa no primeiro trimestre. Os papéis, que acumulavam queda de 22% até ontem, encerraram em queda de 10,16% no pregão de hoje. Com o resultado, o papel acumula perdas de 27,2% em 2018.

O balanço, que já se esperava que viesse fraco, mostrou uma performance ainda pior. O lucro líquido foi de R$ 73 milhões, valor 79% abaixo do observado no mesmo período de 2017. Segundo a XP Investimentos, os principais agravantes para o desempenho foram a queda de 2% no volume de combustíveis da rede Ipiranga, pressionado pelo ambiente competitivo, as maiores despesas na rede Ipiranga em função da associação com a Chevron e aluguéis devido ao plano de expansão, que resultaram em Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) 15% menor na comparação anual.

Vale ressaltar que o resultado do trimestre foi impactado pela multa de R$ 286 milhões em função da reprovação da aquisição da Liquigás pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A multa já estava prevista, mas isso não alivia o pessimismo dos analistas para a empresa.

"Os números mais fracos que o esperado podem tornar o atingimento dos números projetados para o ano mais desafiador", afirma a XP em relatório enviado mais cedo a clientes.

Bancos estrangeiros também se mostraram bastante insatisfeitos, mesmo já esperando por dados ruins da Ultrapar.  "Os números vieram ainda pior com Ebitda de R$ 508 milhões [mais de 20% abaixo do esperado pelo banco e consenso] e com todas as unidades de negócio impactando negativamente os números", destacaram os analistas do banco suíço, em relatório.

Diante desse cenário, o Credit Suisse cortou o preço-alvo de R$ 89 para R$ 77, com recomendação neutra. 

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