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Ação estreia no menu dos analistas como favorita do setor

O time de análise do Itaú BBA, liderado por Antônio Barreto, avalia que as ações da Camil estão baratas 

SÃO PAULO - As ações da Camil (CAML3) estrearam na bolsa brasileira em 28 de setembro com um IPO Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) a R$ 9, abaixo da faixa inicial de R$ 10,50 a R$ 13, movimentando cerca de R$ 1,32 bilhão. 

Pouco mais de um mês depois da estreia, o papel acumula queda de 10% e as principais corretoras e bancos começam a iniciar suas coberturas do ativo, que tem potencial de valorização de mais de 60%, segundo as primeiras estimativas divulgadas.

Veja as recomendações e estimativas para o preço-alvo: 

Instituição Recomendação Preço-alvo para CAML3 Potencial de valorização (ante fechamento de 6/11)
Itaú BBA Compra R$ 13 60,3%
Ágora Corretora Compra R$ 12 48%
Bank of America Merrill Lynch Compra R$ 13,5 66,5%
Bradesco BBI Compra R$ 12 48%

Apesar de não ter ultrapassado, até agora, seu preço de IPO nas negociações, as expectativas dos analistas são otimistas e o ativo já figura entre os favoritos. Maurício Camargo, analista do Bradesco BBI, destaca que a ação da Camil é a "principal recomendação no setor de alimentos" da casa.

Entre as justificativas estão o fato de que a Camil opera com um portfólio diversificado de produtos líderes, ao contrário dos seus concorrentes. A empresa já é a marca mais forte em arroz - número 1, com 17% de participação de mercado, segundo a Nielsen - e 2º lugar em feijão, com participação de 7,5% no mercado.

"Aproximadamente 80% do ganho de participação foi orgânico, o que significa que a empresa conseguiu aumentar os volumes na média em 4%/ano nos últimos 5 anos. Acreditamos que a Camil tenha potencial para atingir uma participação de mercado de 25% na indústria brasileira de arroz nos próximos 10 anos, adicionando R$ 1,5 bilhão (+ 30%) nas receitas", avaliam Gabriel Lima e Ricardo França, analistas da Ágora, que pertence ao Bradesco.

O time de análise do Itaú BBA, liderado por Antônio Barreto, avalia que as ações da Camil estão baratas e, em um cenário otimista, que inclui a consolidação do mercado de atuação, o potencial de valorização dos papéis pode alcançar até 97%.

O analista do Bradesco concorda que oportunidades de consolidação oferecem um forte potencial de crescimento para a empresa. "A indústria do arroz é a mais fragmentada em nosso universo de cobertura (proteínas, bebidas, massas e biscoitos). A Camil é líder de mercado com apenas uma participação de mercado de 17% e conseguiu ganhar 4 pp de market share nos últimos 5 anos", afirma Camargo.

 Para o Bank of America Merrill Lynch, a perspectiva positiva para o papel é baseada na posição dominante que a Camil tem no setor, na resiliência da margem, no poder  de aumento de preços e na diversificação de produtos.

"A principal vantagem da empresa ao negociar com varejistas é o seu portfólio diversificado de marcas líderes bem conhecidas em outras categorias básicas, como o açúcar refinado através da marca União (número 1, com participação de 36%, adquirida em 2012) e peixes enlatados através do Coqueiro (número 2 em peixe enlatado, com uma participação de mercado de 40%, adquirida em 2011)", afirma o analista do Bradesco BBI.

A margem ebitda da Camil é de aproximadamente 10% ante aproximadamente 5% dos seus concorrentes, e sua capacidade de ganhar participação de mercado diz respeito à sua escala, rede de distribuição própria e uma carteira diversificada, segundo o Bradesco.

O segmento de arroz representa 65% das vendas, enquanto o açúcar e os enlatados representam 25% e 10% respectivamente. "Isso aumenta o poder de barganha da empresa com varejistas e permite que ela tenha um melhor uso de sua plataforma de distribuição própria", enfatiza Camargo.

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(Shutterstock)

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