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3 perguntas que você deve se fazer antes de vender uma ação

É importante saber a hora exata de vender suas ações, para não cair na cilada de se desfazer de um ativo antes da hora (ou tarde demais) e acabar perdendo dinheiro

Investidor triste
(Reuters)

SÃO PAULO – Se você investe em ações, lembre-se que quando comprou papéis de uma companhia, adquiriu uma parte dela, tornando-se um de seus sócios minoritários. Por isso, é importante saber a hora exata de vender suas ações, para não cair na cilada de se desfazer de um ativo antes da hora (ou tarde demais) e acabar perdendo dinheiro.

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Para evitar que isso ocorra, a especialista em análise técnica, trader e investidora, Adriana Feijó e o diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, responderam quatro perguntas que você deve se fazer antes de vender uma ação:

1) Por que eu quero vender minhas ações?
Segundo Adriana, existem dois cenários nos quais o investidor deve pensar em se desfazer de suas ações: um é quando as ações atingem seu target, ou seja, o valor das ações alcança o valor estipulado previamente, caso a operação evolua positivamente, e o outro é justamente o contrário, isso quer dizer, quando a operação se torna negativa gerando um prejuízo, levando o investidor a administrar suas perdas. É preciso saber qual o motivo da decisão da venda.

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Para Zeno, é muito importante, antes de vender a ação, avaliar se a premissa assumida na hora da compra foi cumprida. "O objetivo traçado anteriormente deve ser seguido, ou seja, se os ativos foram comprados para o longo prazo, não devem ser vendidos no curto, mas se foi comprado para o curto prazo ou para um day trade, a história já é diferente", afirmou.

A analista concorda que é indiscutível que seja feito um planejamento prévio do momento em que você pretende vender suas ações, sem mudar de estratégia no meio do caminho. "Se a ideia era ficar com as ações por muito tempo, um investimento a longo prazo, não é certo se desfazer delas só porque tiveram uma alta de 10%, por exemplo. A mesma coisa vale para o investidor que pretendia fazer Day Trade, mas não vendeu as ações porque elas caíram muito naquele dia. Siga a sua estratégia", alertou a especialista.

2) É a hora de vender minhas ações? Estou no timing correto?
De acordo com o diretor, conseguir o timing correto na hora de vender as ações é algo crucial. O investidor tem que se questionar se aquele realmente é o momento correto da tomada de decisão e, segundo ele, isso pode ser respondido de diversas formas. "Para conseguir a resposta de seu questionamento, o investidor precisa analisar alguns fatores, como se a companhia que ele tem ações divulgou seu balanço há pouco tempo e, se sim, qual foi o resultado. Outra possibilidade é a proximidade da divulgação de resultados da empresa. Nesse caso, o investidor deve avaliar algumas prévias para ver se aquele resultado virá bom ou não. Um bom resultado, quando comparado a trimestres ou anos anteriores, podem garantir uma alta expressiva nos pregões após a divulgação, o que significa que o melhor a fazer é segurar as ações por mais uns dias. Isso é ter o timing correto", explicou.

Feijó concorda com Zeno. Segundo a especialista, com a estratégia de venda feita da forma correta, você vai saber exatamente a hora de vender seus papéis e isso também irá lhe privar de fortes surpresas. "Analisar o cenário e acertar o timing é muito importante. Esse aspecto na hora da venda, a meu ver, é tão importante quanto o motivo da compra e, infelizmente, é pouco estruturado pelos investidores", completou.

3) O que vou fazer com meu dinheiro depois de vender as ações?
O diretor afirmou que é muito importante pensar o que será feito com o dinheiro das ações que serão vendidas antes mesmo da venda. O dinheiro será usado para outra coisa? Nesse caso, segundo ele, não tem o que avaliar, mas se os recursos forem reinvestidos há muito no que se pensar. "Se o investidor for colocar o dinheiro em outro tipo de investimento, ele precisa comparar a rentabilidade do novo investimento com a do antigo. Se as ações estão subindo bem e não tem perspectivas de grandes quedas no curto prazo, porque tirar o dinheiro e colocá-lo em um investimento com um rendimento menor ou com mais risco? Tem que ser avaliado se a mudança irá compensar", finalizou.

Uma dica final: a ganância pode atrapalhar
"É muito fácil, no mercado de ações, os investidores se deixarem levar pelas emoções; se uma ação começa a se valorizar existem grandes chances de a 'ganância' tomar conta da nossa mente e, por incrível que pareça, uma operação positiva pode se tornar, no final, em um prejuízo", afirmou Adriana.

Ainda de acordo com ela, tudo isso é pela dificuldade em se sair da operação no momento adequado. "Pessoalmente, acredito que em operações de curto e curtíssimo prazo, o bom é trabalhar com um alvo fixo, em torno de 2,5% a 3% para operações de swing trade nas operações positivas, pois isso pode favorecer muito a consistência dos ganhos. Para definir o target de saída de uma operação positiva deve-se levar em conta o prazo do investimento, mas um percentual sempre deve ser planejado mesmo para operações de longo prazo", completou.

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