Ação valoriza 226% em 2012 e gestora diz que é só o início

Considerada uma micro cap, por sua baixíssima liquidez, só no ano passado, as ações da Biomm tiveram alta expressiva
Por Diego Lazzaris Borges  
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SÃO PAULO – A Fama Investimentos divulgou um dos seus cases de investimentos - a Biomm (BIOM4), empresa brasileira especializada em produtos biotecnológicos, especialmente a insulina, e que, segundo a gestora de recursos, tem grande potencial de crescimento.

Considerada uma micro cap, por sua baixíssima liquidez, só no ano passado as ações valorizaram 226% e a gestora ainda enxerga espaço para mais. “Entendemos ser apenas o início do reconhecimento de um ativo com muito valor. Acreditamos que haja um espaço ainda maior para valorização, o que deve ocorrer à medida que maiores informações acerca do projeto sejam divulgadas, seguido pela efetiva captação de recursos e posterior inicio de produção e vendas da insulina”, diz a gestora.

O projeto a que a Fama Investimentos se refere é a construção de uma nova fábrica de insulina pela Biomm, que deve fazer uma nova emissão de ações e procurar financiamento de bancos de desenvolvimento para captar recursos. “Consideramos o projeto como sendo estratégico nacionalmente, já que é interessante para o governo brasileiro poder comprar insulina de um player nacional de modo a reduzir a dependência de importações. Além disso, a intenção da Biomm é vender também para o mercado privado usando o know how de quem já foi o maior produtor nacional até o inicio da década passada”, apontam os gestores.

História da Biomm
A companhia surgiu em 2002, a partir da cisão de um grupo de pesquisa da Biobrás (empresa que já foi a quarta maior produtora mundial de insulina e que foi vendida para a concorrente Novo Nordisk). À época, o CADE exigiu que as patentes de insulina recombinante fossem mantidas fora da transação para possibilitar concorrência no futuro.

“Assim, os únicos ativos relevantes que restaram dentro da Biomm foram as patentes para o processo de insulina recombinante, o corpo técnico e o conhecimento do mercado. Porém, a empresa manteve-se não operacional até o momento, dado que por acordo contratual não podia competir por cinco anos e só depois deste período voltou a planejar seu futuro. Justamente por ser inoperante, a companhia era completamente ignorada pelo mercado”, diz a Fama.

A gestora aponta que para avaliar de forma adequada a importância dessa patente, é importante entender um pouco melhor o uso da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas. Se a insulina é insuficiente ou é incapaz de exercer suas funções, a glicose se acumula no sangue e pode gerar diversas complicações, como o diabetes.

Segundo o World Health Organization existem quase 350 milhões de pessoas diabéticas no mundo, sendo que no ano 2000, esse número era de 151 milhões. “O crescimento é assustador e a estima-se que mais de 90% dos doentes tenham como causa fatores ligados ao estilo de vida sedentário, má alimentação e excesso de peso”.

No Brasil, os gestores ressaltam que o governo também tem tratado o diabetes com seriedade, colocando, inclusive, remédios para tratamento da doença (entre eles a insulina) entre os medicamentos distribuídos pelo programa Farmácia Popular. “Tendo em vista esse crescente mercado e as dificuldades que se apresentam para novos entrantes, fica claro que a patente da Biomm é um ativo valioso. Foi por enxergar esse potencial que investimos na Biomm e nos aproximamos da empresa, fazendo parte de seu conselho de administração a partir de 2010”, diz a Fama.

No entanto, eles apontam que este é um caso “clássico de ações de baixíssima liquidez”, com comportamento semelhante a um Private Equity. “Ou seja, as ações das empresas permanecem absolutamente negligenciadas, desvalorizadas até que surja um catalista para provocar sua valorização – o que via de regra ocorre de forma rápida e contundente” .

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