Empresas voltam a recomprar ações: consigo tirar proveito disso?

Nos últimos dias, cinco companhias de capital aberto anunciaram programas de recompra de ações, o que pode ser um bom indicador de que esses papéis estão baratos
Por Paula Barra  
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SÃO PAULO - Aos poucos, as empresas começam a sinalizar aos investidores: o mercado está barato. Talvez ninguém seja melhor do que a própria companhia para apontar que suas ações estão sendo negociadas em um valor abaixo do preço justo e está na hora montar posições nelas. Somente nesse mês, cinco companhias anunciaram programas de recompra de ações: Cyrela (CYRE3), JBS (JBSS3), Braskem (BRKM5), Magnesita (MAGG3) e GP Investments (GPIV11).

A companhia passa essa segurança para o mercado, dizendo que o valor de suas ações está abaixo do preço justo e é a hora comprar, diz o analista Eduardo Machado, da Amaril Franklin Corretora. "Ninguém mais do que a própria empresa para passar essa segurança e credibilidade para o investidor", complementou.

No mês de agosto, as cinco empresas que já anunciaram o programa de recompra avisaram que possuem a finalidade explícita de "maximizar a geração de valor para os acionistas", por meio de sua "manutenção em tesouraria para posterior alienação ou cancelamento".

Ao retirar as ações do mercado, a empresa aumenta a participação de cada acionista e pode pelo menos minimizar as eventuais quedas que seus papéis venham sofrendo, o que não é o caso da Cyrela, JBS, Braskem, Magnesita e GP Investments, que no mês de agosto registram valorização de 13,45%, 4,48%, 20,02%, 13,44% e 8,07%, respectivamente. 

Se os fundamentos forem bons, a elevação dos preços no futuro possibilitará à companhia revender essas ações com lucro. Caso deseje, a empresa pode também cancelá-las, o que aumenta o valor dos dividendos pagos a cada acionista. 

Essa é uma maneira da empresa demonstrar confiança no próprio negócio, além de sólida saúde financeira, comenta Machado. "Cyrela, JBS e Braskem são companhias que estão há anos no mercado, com plano de investimento bem definido, e podem ser opções bastante interessantes", ressalta o analista.

Recuperação não é no curto prazo
"Estamos vendo essa escalada de empresas lançando programa de recompra de papéis, mas isso não quer dizer que a recuperação vai ocorrer no curto prazo", pondera o analista. 

Embora a empresa tenha dado o alerta para o investidor ficar de olho, o cenário atual ainda não é favorável para o mercado, com a crise da dívida da Zona do Euro ainda em pauta.

Porém, vale lembrar que mesmo com os eventos negativos no cenário externo, o Ibovespa vem mostrando recuperação desde junho. No acumulado desde mês até o fechamento da última quinta-feira (16), o índice registra alta de 5,97%.

Confira o programa de recompra anunciado por cada uma das empresas:

 Empresa Ticker Valorização no ano* Início da recompra Total de ações a serem
recompradas em relação 
ao total em circulação
no mercado 
Prazo
Cyrela CYRE3 +15,25% 14/08 7,6%  365 dias
Braskem BRKM5 +21,35% 29/08 5% 365 dias
JBS JBSS3 -7,89% 15/08 3,9% 365 dias
Magnesita MAGG3 +20,47% 16/08  até 5%  365 dias
GP Investments GPIV11 +11,34%  16/08 10%** 365 dias
* Até o fechamento da última quinta-feira (16)
**Incluindo ações e BDRs (Brazilian Depositary Receipt) de emissão da companhia

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