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7 passos indispensáveis para escolher uma startup para investir - e como investir

Com a regulamentação do equity crowdfunding, a ''vaquinha virtual'' para startups, ficou mais fácil investir em startups 

SÃO PAULO – No início do mês, a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) publicou a instrução número 588 e regulamentou a prática do equity crowdfunding, que consiste na captação de dinheiro através do crowdfunding na forma de investimentos em pequenas empresas. Agora, empresas cujo faturamento é menor de R$ 10 milhões ao ano podem arrecadar, através do crodwfunding, até R$ 5 milhões ao ano.

Uma das empresas que se beneficia da regulamentação é a EqSeed, dos sócios Greg Kelly e Brian Begnoche. Ela consiste de uma plataforma que viabiliza o investimento em startups cuidadosamente selecionadas pela empresa, permitindo que tanto investidores pessoa jurídica quanto pessoa física invistam diretamente em startups em rodadas publicadas na EqSeed.

Elas operavam no Brasil sob a Instrução 400 e passam agora a serem credenciadas pela Instrução 588. Para um dos sócios, Kelly, a medida tende somente a fomentar o mercado de startups no Brasil.

“Por fornecer investidores com o acesso eficiente a esse ativo financeiro interessante dentro de um ambiente seguro e regulamentado, a regulamentação permitirá que o capital se movimente de maneira construtiva, impulsionando crescimento econômico. Na prática isso significa a oportunidade para o investidor brasileiro investir e ter participação nas empresas que ele quer ver crescer no país”, disse. 

Atualmente, a EqSeed realiza a sétima captação de investimentos, das quais duas estão abertas – no caso, para investir na startup Cotexo e na Taggli. Mais de R$ 2 milhões já foram investidos através da plataforma.

“O resultado [da medida da CVM] é uma regulamentação de classe mundial com base na qual poderemos construir um mercado de investimento em startups igualmente de classe mundial no Brasil”, completou o CEO.

Apesar de ser um investimento de altíssimo risco, os sócios prometem uma curadoria cuidadosa que seleciona somente “empresas qualificadas com modelos de negócios escaláveis” e que tenham “potencial para gerar retornos muito altos no médio e longo prazo”. Todas as startups que entram para a plataforma já têm um produto e faturamento.

Para quem deseja apostar neste mercado, os sócios da EqSeed contaram para o InfoMoney quais são os 7 passos a que você deve se atentar para escolher uma startup para investir. Confira a seguir: 

  1. Escalabilidade
    É indispensável que a empresa seja escalável, ou seja, consiga expandir o seu número de clientes, usuário ou faturamento de forma acelerada - e sem aumentar seus custos na mesma proporção. “Para entender, vale comparar dois negócios: um marketplace online como AirBnB, que conecta viajantes com proprietários de imóveis é extremamente escalável, pois não tem os custos de comprar e manter hotéis em cidades para aumentar sua receita; e uma consultoria tradicional, que, apesar de potencialmente ser um excelente negócio, não é escalável, pois para aumentar suas receitas, tem que elevar seus custos proporcionalmente, o que impõe limites” explicou Begnoche.
  2. Equipe qualificada
    A equipe que compõe a startup é tão importante quanto o próprio negócio: de acordo com Begnoche, investir em startups é, simplesmente, investir em "ótimos empreendedores". No fim, os empreendedores são os responsáveis por liderar o processo de evolução da startup e de torna-la uma empresa de grande porte.
    "O empreendedor em que você investe deve ser competente pra entregar resultados nas etapas variadas que uma empresa em expansão passa", comentou.
  3. Mercado alcançável deve ser grande o suficiente
    O mercado em que a startup se insere é o que vai determinar seu potencial retorno de investimento. Ele limita, por exemplo, os potenciais de receita que ela terá, e se ela terá ou não sucesso a longo prazo. "Se o mercado é grande o suficiente, a startup consegue oferecer potenciais retornos suficientemente para justificar seu investimento", disse Begnoche.
    "Para nós, a palavra chave é 'alcançável'. Isso é, qual tamanho do mercado dessa startup pode realisticamente atrair e servir, dado seu modelo de negócios?", completou.
  4. Empresa sem dívida
    É importante que a startup em questão não seja refém de empréstimos - e, consequentemente, dos juros que serão cobrados dele. Isso porque a exigência de arcar com esses juros pode comprometer o potencial de crescimento da startup, porque esta gera pouca receita nos anos iniciais.
  5. Startup não é um Power Point
    É importante que a empresa não seja só uma apresentação - ou seja, que ela já tenha um produto definido, já tenha faturamento e equipe consolidada. Segundo Begnoche, essas startups devem ter "algo concreto para mostrar para investidores e que comprove o potencial do mercado e, portanto, o incentivo de investir".
  6. Diversifique duas vezes
    Por mais que a startup se encaixe em todas as categorias já mencionadas, os sócios explicam que os investidores não devem investir mais de 10% de seu capital líquido em startups por conta do risco elevado deste ativo financeiro. Além disso, se for investir esses 10% em startups, a ideia é dividir esse valor em parcelas e investir em mais de uma empresa, diversificando tanto seu portfólio total de investimentos quanto de portfólio de empresas. 
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(Divulgação)

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