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“É possível sair da pobreza e virar um milionário”, diz Carlos Wizard Martins

O empresário, que está lançando o livro "Do zero ao milhão", conversou com o InfoMoney durante a Expert 2017, realizada pela XP Investimentos em São Paulo

SÃO PAULO – O empreendedor Carlos Wizard Martins é conhecido por ter criado no final da década de 80 a rede de ensino de inglês Wizard, que foi vendida em 2013 para a britânica Pearson por R$ 2 bilhões, na maior operação da história do setor de educação do país. Depois da venda bilionária, ele comprou no final de 2014 a rede de produtos naturais Mundo Verde, além de trazer para o Brasil o Taco Bell, rede de fast food especializada em comida mexicana. Neste ano, Wizard Martins voltou ao setor de educação depois de comprar 35% da Wise Up e anunciar, na semana passada, a compra da rede de escolas de inglês Number One, por meio de uma holding criada com o empresário Flávio Augusto da Silva.

De família humilde, ele defende que é possível sair da pobreza e conseguir atingir a independência financeira, ainda que para isso seja necessário muito esforço e dedicação. O empresário, que está lançando o livro “Do zero ao milhão”, conversou com o InfoMoney durante a Expert 2017, realizada pela XP Investimentos em São Paulo.  “O tema do livro passa justamente essa mensagem: que o indivíduo tem capacidade, mesmo saindo do ponto zero, de atingir o seu primeiro milhão. Eu comecei meu projeto de educação dando aulas em casa. Primeiro para um aluno, depois dois, três. E isso se desenvolveu a ponto de se transformar na maior rede de ensino de idiomas do planeta. Então eu acredito na possibilidade de sair da pobreza e atingir um patamar de liberdade financeira”, disse.

Confira abaixo a entrevista:

InfoMoney - Você fez investimentos importantes durante a maior recessão da história do Brasil, como a compra da Mundo Verde, da Topper e Rainha, e trouxe a Taco Bell para o país. Além do retorno agora para a área de educação, com a compra de parte da Wise Up. Você não tem medo da crise?

Carlos Wizard - A minha visão é de médio e longo prazos. Eu entendo que a economia brasileira é cíclica, ela nunca esteve 100% no topo e nem esteve 100% no fundo do poço. Em alguns momentos nós temos todos os investidores querendo colocar suas reservas aqui no Brasil, devido à rentabilidade, o mercado super atrativo, e em outros momentos de incerteza política os investidores estrangeiros [se afastam].

 Mas independentemente disso, nós temos hoje 200 milhões de consumidores neste país. As pessoas gostam de divulgar notícias negativas. Pouco se fala sobre isso, mas nós temos 30 novos milionários por dia nesse país. No final do mês são quase 1000 novos milionários. São empreendedores, pessoas que estão vendendo seus produtos, estão expandindo, contratando gente. Mas o mercado e a mídia não divulgam esses números. Mas a gente sabe, por pesquisas que nos passam essas informações. Então embora parte da nossa economia esteja muito afetada, especialmente a área industrial, a área de serviços e de franchising, por exemplo, está em ascensão. Nos últimos 12 meses o franchising cresceu 10% no país, mesmo num clima difícil que estamos vivendo.

IM - A Mundo Verde foi comprada em meio a uma forte crise no setor de varejo...

CW - O que eu acredito é em um modelo de gestão. A mundo verde, do ponto zero até dois anos atrás, tinha 250 lojas. Em dois anos saímos de 250 lojas para 400. Isso demonstra que houve uma gestão diferente, que promoveu o crescimento daquela rede.

Fizemos uma pareceria com Ronaldo Fenômeno para a abertura de escolas de futebol. Começamos um projeto praticamente do zero. Dois anos depois, nós estamos com 100 escolas de futebol no Brasil, na Colômbia, no México, nos EUA, na China. Hoje o governo chinês está investindo forte neste setor, então estamos aproveitando.

Meu filho Lincon Martins é apaixonado pela área de alimentação. Saiu do Brasil e foi até a Califórnia negociar com os diretores da Taco Bell. O que ele ouviu? Que o Brasil não estava em um momento propício. “Nós não queremos entram no Brasil agora”, diziam. Ele voltou outra vez para a Califórnia demonstrando um outro Brasil que a mídia em geral não demonstra. E convenceu os americanos. Ou seja: há sete meses, abrimos a primeira loja, e agora estamos com 14 lojas.

Eu voltei ao setor de educação, adquirindo parcialmente a Wise Up, e adquirimos esta semana 100% da operação da Number One, uma escola de inglês tradicional de Minas Gerais. Simultaneamente, eu consigo visualizar oportunidades que talvez outras pessoas não consigam. Todo empreendedor é um visionário. Ele vê aquilo que a grande multidão não vê. Hoje no Brasil existe um número muito significativo de pessoas que estão buscando uma segunda renda ou uma renda principal.

Diante dessa oportunidade de mercado, eu lancei um projeto chamado Aloha óleos essenciais e cosméticos naturais, em parceria com minhas filhas, Thais Martins e Priscila Martins. Diante desse cenário em que o Brasil vive nós vamos terminar nesse primeiro ano com 10 mil consultoras. Ou seja, estamos gerando renda, estamos gerando oportunidade de emprego. Nós estamos incluindo no mercado de consumo pessoas que antes estavam fora desse mercado.

 IM - Qualquer pessoa pode empreender? Ou é preciso algum talento especial?

CW - Eu acredito que cerca de um terço da população tem espírito empreendedor. E o brasileiro, particularmente, tem um espírito muito empreendedor. Mas nessa parcela que tem espírito de empreendedorismo, alguns se qualificam, se profissionalizam, investem em si mesmos. E outros não. Eu diria que a pessoa que tem essa inclinação para o empreendedorismo tem que acreditar em si mesmo, se qualificar, fazer cursos, participar de eventos, encontros, trocas de experiências. Tudo isso para buscar o aperfeiçoamento. Enquanto eu estava nos EUA, na Universidade, eu comecei a formar o que chamo da biblioteca de sucesso. Comecei a estudar livros sobre como lidar com pessoas, como lidar com finanças, como expandir o negócio, como fidelizar o cliente, como atender uma expectativa do mercado. Eu criei uma bagagem interna que me deu as condições de montar meu próprio negócio com sustentação posterior.

Então a maioria das pessoas não nasce um empreendedor. Um terço nasce. Mas mesmo esses precisam investir em si mesmo para se qualificarem.

IM - Você veio de família humilde e narra alguns fracassos no início da sua carreira. Como essas dificuldades ajudaram você a se tornar um grande empreendedor?

CW - Quando eu estava na universidade de Brigham Young certa vez eu fui até o centro de aconselhamento dos alunos falar com uma das professoras que orientava os alunos e aconselhava-os em momentos de indecisão. Ela me fez a seguinte pergunta: Carlos, você saiu da pobreza e veio estudar nos EUA. Qual foi a sua motivação? Eu disse: o que eu queria mesmo era fugir da pobreza. Foi a pobreza que me deu motivação. Embora eu tivesse nascido naquele ambiente de limitação, sem recursos, sem condições financeiras, eu consegui me visualizar em um novo cenário. E resolvi pagar o preço dessa transformação acadêmica e desse investimento profissional até atingir o resultado planejado.

O tema do livro que eu lancei este mês, chamado “Do Zero ao Milhão”, passa justamente essa mensagem. Que o indivíduo tem capacidade, mesmo saindo do ponto zero, de atingir o seu primeiro milhão. Quando eu comecei meu projeto de educação, eu comecei dando aulas em casa. Primeiro para um aluno, depois dois, três. E o projeto se desenvolveu ao ponto de se transformar na maior rede de ensino de idiomas do planeta. Então eu acredito nessa possibilidade de sair da pobreza e atingir um patamar de liberdade financeira.

IM - O gatilho para você começar a empreender foi a demissão do emprego. Muitas pessoas gostariam de empreender, mas não saem da zona de conforto de seus empregos atuais. O que você diria para essas pessoas?

CW - Eu costumo dizer que, às vezes, a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa é ser demitido. Porque quando uma pessoa está naquele momento de insegurança, incerteza, angústia e aflição, ela começa a pensar em coisas que nunca tinha considerado antes. E a buscar uma saída. Foi o que aconteceu comigo. A partir daquele momento, com 30 anos, já casado, pai de filhos gêmeos e uma filhinha que tinha acabado de nascer, eu pensei: o que vai ser do meu futuro. Naquele momento eu achei que o empreendedorismo seria a saída. Embora eu já estivesse dando aulas de inglês naquele momento, eu não tinha ainda a compreensão de todo o potencial que aquelas aulas poderiam representar. Eu considero essa experiência semelhante a você entrar em um túnel escuro. Você tem um facho de luz de um ou dois metros, mas à medida em que você caminha, você vai recebendo mais luz, mais experiência e conhecimento para conseguir atravessar todo o túnel. Então um momento negativo, como uma demissão, pode ser o gatilho para uma transformação pessoal.

IM -Depois de ganhar tanto dinheiro, qual é a sua motivação para continuar empreendendo?

CW - Eu tenho recursos suficientes para a minha geração, para meus filhos, netos e bisnetos. Mas eu descobri também que todo empreendedor é um sonhador. E depois que você realiza um sonho, você descobre que tem sonhos ainda maiores para serem realizados. E hoje eu assumi como uma missão pessoal ajudar os novos empreendedores a realizar o seu sonho de vencer, de ter um futuro melhor, de oferecer uma educação melhor para seus filhos, ter uma estabilidade. Esse foi um dos motivos pelo qual eu lancei o projeto Aloha. Nos próximos 3 anos queremos ter uma rede com 100 mil consultoras. Então o impacto social é magnífico. Esse modelo de vendas direta é, na minha opinião, o melhor programa de inclusão no mercado profissional. As pessoas muitas vezes estão em casa, querendo empreender, mas sem condições.

Quem vai abrir uma loja da Taco Bell tem que gastar R$ 2 milhões. Quem vai abrir uma loja da Mundo Verde precisa desembolsar R$ 500 mil. Quem vai abrir uma escola de inglês gasta R$ 300 mil. E aquele que não tem essa grana toda? Com R$ 1500 ele pode empreender nesse modelo de vendas diretas.

Blog | Liderança & Equilíbrio - Carlos Wizard Martins
(Crédito: Marcio Scavone)

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