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Um terço das empresas fecham em 2 anos no Brasil; conheça segredos das que sobrevivem

Empreendedores dividem dicas para evitar que novos negócios caiam nas estatísticas

SÃO PAULO – Um terço das novas empresas no Brasil acaba fechando em dois anos, de acordo com o estudo Sobreviência das Empresas no Brasil, realizado pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com o Sebrae. Lançado em outubro de 2016, o relatório mostra alguns fatores determinantes para sobrevivência e mortalidade de empresas no país.

Descobriu-se, a partir de análises com mais de 2 mil companhias, alguns fatores responsáveis pela continuidade ou não dos novos negócios. Esses fatores foram divididos nos grupos: situação antes da abertura, planejamento do negócio, gestão do negócio e capacitação dos donos em gestão empresarial.

Padrões

Dentro do fator “situação antes da abertura”, ficou constatado que as empresas ativas depois do período de dois anos possuem uma menor proporção de empreendedores que começaram seus negócios enquanto se encontravam desempregados. Eram 21% nesta situação, ante 30% nas empresas que fecharam no período de incubação.

Outro padrão identificado entre as empresas “sobreviventes” foi a experiência anterior no rami, com 71%. De acordo com o CEO do Cuponomia, Antônio Miranda, isso foi essencial para seu caminho. “Para um negócio ser bem sucedido, independentemente do momento do país, é fundamental estar bem preparado. Conheça o máximo sobre o mercado que está entrando - tamanho, potencial de crescimento, possíveis parceiros”, disse o fundador da empresa, que existe desde 2012.

A motivação também é fator relevante, de acordo com a pesquisa, para formar uma empresa “vencedora”. No caso, a maior parte delas foi aberta por “oportunidade”, em contrapartida à exigência de algum cliente.

“Quando começamos em 2014, nem passou pelas nossas cabeças abrir um negócio para ajudar empresas a otimizarem gastos na crise. A ideia era facilitar a vida do empresário em momentos de bonança. No entanto, como é nos períodos turbulentos que o empresário faz uma avaliação dos seus gastos fixos, incluindo a contabilidade, acabamos sendo favorecidos”, afirma Vitor Torres, CEO e fundador do Contabilizei. O faturamento médio de sua empresa aumentou 40% no último ano.

Incubação

O período médio de construção das companhias que sobrevivem aos dois anos também difere. As bem-sucedidas costumam demorar 11 meses entre início das conversas e lançamento, enquanto nas que acabam cedo essa média é de 8 meses. Isso ocorre provavelmente por uma diferença na forma como a ideia é tratada.

Na visão de Caio Bretones, CEO da Mobile2You, uma startup deve ser tratada “como um filho”, sendo foco e determinação fatores essenciais principalmente no período inicial. Isso significa, também, paciência com situações não planejadas e aperfeiçoamento constante. Quase a totalidade (95%) das empresas mais bem-sucedidas dentre as pesquisadas afirmaram “a perfeiçoar sistematicamente seus produtos e serviços às necessidades dos clientes”.

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(Divulgação)

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