Em negocios

Empreendedoras abririam mão de relacionamento em função da carreira

Mais de um terço afirmou à pesquisa que trocaria relacionamento pelo negócio próprio caso o marido se tornasse uma barreira para seu sucesso profissional

SÃO PAULO - Cada vez mais seguras quando o assunto é mercado de trabalho, as mulheres brasileiras deixaram de abrir mão da sua independência financeira em pró de seu relacionamento. Foi o que revelou um estudo inédito conduzido pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de proteção ao Crédito) em todas as capitais brasileiras.

Mais de um terço (36%) das empresárias casadas afirmou à pesquisa que abriria mão do relacionamento caso o marido ou companheiro se tornasse uma barreira para seu sucesso profissional. Outras 40% das entrevistadas disseram que precisariam pensar mais a respeito antes de tomar um decisão - não descartando a possibilidade de escolher o negócio ao companheiro - e somente 25% admitiram que abririam mão do trabalho.

Um dado que reforça ainda mais o perfil de autonomia na vida pessoal e profissional, na avaliação da economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues, é o estado civil das empreendedoras entrevistadas. A maioria (56%) afirmou estar solteira. Entre as casadas ou que vivem em união estável, 70% disseram ter participação total ou parcial no pagamento das contas da casa. “Ainda que haja uma defasagem histórica na remuneração das mulheres na comparação com homens, é perceptível uma maior inserção delas nas atividades fora do lar”, afirma a economista.

Jornada dupla
Mesmo trabalhando fora de casa com o negócio próprio, as mulheres não abandonaram as atividades domésticas. A pesquisa mostra que 47% delas são as únicas responsáveis pelas tarefas do lar, como cuidar dos filhos, lavar, passar e cozinhar. Além de acumulares as funções domésticas, quase metade das empreendedoras afirmou que dedica mais tempo à profissão do que um trabalhador assalariado formal, ou seja, trabalha mais de oito horas por dia.

Ainda assim, as entrevistadas afirmam que não foi necessário abrir mão de nada para se tornarem empresárias e que, portanto, conseguem equilibrar o tempo entre a vida familiar e a profissional. Já 33% confessaram terem renunciado aos próprios momentos de lazer e 21% tiveram de abrir mão do tempo que dedicavam à família.

Quando confrontadas com a situação hipotética de abandonar o negócio próprio em troca de um emprego fixo, com carteira assinada, trabalhando oito horas por dia e ganhando o mesmo que obtém hoje, apenas 14% admitiram que aceitariam a proposta contra 72% das que preferem continuar com o atual negócio.

“Hoje, as mulheres não empreendem apenas para complementar a renda da família ou como passatempo. Cada vez mais, elas abrem empresas por identificarem uma oportunidade de mercado e que, geralmente, tendem a ser em algum segmento pelo qual são apaixonadas. Isso demonstra um perfil arrojado, desbravador e aventureiro das mulheres”, conclui a economista Luiza Rodrigues.

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